domingo, 26 de abril de 2009

Formação da Confederação Helvetica

A Suíça, inicialmente uma Confederação, foi fundada em 1291 pelo juramento dos três cantões florestais — Uri, Unterwalden e Schwyz — feito no prado de Rütli. O nome "Suíça" (em alemão, Schweiz) deriva do cantão de Schwyz. Após 1848, a Suíça passou a ser um Estado federado.

Os três cantões fundadores — Uri, Schwyz e Unterwalden — têm brasões de origem medieval: cabeça de touro em fundo amarelo (Uri), cruz branca em fundo vermelho (Schwyz) e escudo dividido em vermelho e branco (Unterwalden). Lucerna aderiu à Confederação em 1332, seguida por Zurique em 1351, e os demais cantões em datas posteriores. O cantão de Aargau, onde fica situada Villmergen, foi incorporado apenas em 1803, por meio do Ato de Mediação imposto por Napoleão Bonaparte.

A família Wermelinger nos registros de Lucerna

O sobrenome Wermelinger deriva, segundo o lingüista suíço Brandstetter, da antiga forma Wermoldingen — e mais remotamente de Marinbald. O nome é topônimo: designa uma propriedade rural (um Hof) localizada ao norte de Wolhusen, no cantão de Lucerna. Os anuários (Jahrzeitbücher) de Ruswil e Willisau registram, já no século XIV, membros da família com as grafias Hans von Wermoldingen, Johannes von Wermoldingen e outros.

Em 15 de outubro de 1576, a capela de Santo Erasmo em Buchholz (Ruswil) — reconstruída por Amman Wermelinger, então autoridade local — foi consagrada com dois altares e um sino. É uma das primeiras presenças documentadas da família em construção pública.

Os Wermelinger foram cidadãos de várias comunas do cantão de Lucerna: Ebersecken, Egolzwil, Entlebuch, Gelfingen, Hergiswil bei Willisau, Halse, Ruswil, Triengen e Willisau-Land — distribuição que se manteve ao longo dos séculos e persiste na Suíça contemporânea.

Caspar Wermelinger e a Batalha de Villmergen (1656)

A cidade de Villmergen, no cantão de Aargau, foi palco de duas batalhas importantes do século XVII. A Primeira Batalha de Villmergen, em 24 de janeiro de 1656, foi um conflito interno da Antiga Confederação Suíça: de um lado, os cantões católicos liderados por Lucerna, Schwyz, Uri e Unterwalden; de outro, os cantões reformados liderados por Zurique e Berna. As forças católicas, entre as quais se incluíam os lucerneses, venceram este primeiro confronto.

É importante notar que Villmergen 1656 não foi uma luta pela independência externa da Suíça — esta já havia sido reconhecida pela Paz de Vestfália em 1648, encerrando a Guerra dos Trinta Anos. Foi, antes, uma guerra civil confessional entre cantões suíços.

Nesta batalha participou, segundo registros da família e documentação municipal, Caspar Wermelinger (em português tradicional, Gaspar) — escultor de pedra (Steinmetz) natural de Ruswil, cantão de Lucerna. Em documento datado de 24 de outubro de 1656, o Schultheiss (magistrado) e o Conselho (Rat) de Lucerna concederam-lhe, como reconhecimento, um conjunto de baixelas de prata para bebida (silbernes Trinkgeschirr). O certificado registra que Caspar havia avançado com bravura contra um forte grupo de inimigos, arrebatando duas bandeiras dos porta-estandartes adversários e entregando-as pessoalmente à cidade de Lucerna.

Este documento, transmitido pela tradição familiar e traduzido do alemão original pelo Reverendo Armindo L. Müller no século XX, constitui a principal fonte primária conhecida sobre a participação de um Wermelinger naquele evento histórico.

O brasão da família

O primeiro brasão conhecido da família Wermelinger data de 1575. Em 1698, o brasão foi modificado para incluir uma flor-de-lis e duas estrelas sobre fundo amarelo — a forma atualmente reconhecida pela família. A relação causal entre a homenagem recebida por Caspar em 1656 e esta alteração heráldica 42 anos depois é parte da tradição familiar transmitida entre as gerações, mas ainda carece de documentação adicional que a confirme de forma direta.


Nota editorial (2026): este post foi publicado originalmente em 26 de abril de 2009. Na revisão de 2026, corrigimos grafias de topônimos suíços (Schwyz, Villmergen, Rütli), ajustamos a descrição heráldica dos brasões dos cantões fundadores, e revisamos a contextualização histórica da Primeira Batalha de Villmergen — que foi um conflito confessional interno da Antiga Confederação Suíça, não uma luta pela independência externa, já obtida em 1648. O conteúdo sobre Caspar Wermelinger foi ampliado com base em fontes documentadas na própria família. A pesquisa genealógica continua em curso, em diálogo com pesquisadores e arquivistas suíços, em busca de documentação primária adicional.

Fontes consultadas para esta revisão:

  • Documento de 24 de outubro de 1656 — Certificado do Schultheiss und Rat von Luzern sobre Caspar Wermelinger, transmitido pela tradição familiar e traduzido pelo Rev. Armindo L. Müller.
  • Jahrzeitbücher de Ruswil e Willisau (registros anuais, séculos XIV–XVI).
  • Willisauer Bote, edição de 20 de novembro de 1969 (reportagem sobre o encontro da família Wermelinger em Willisau).
  • Compilação documental preparada por Otto Wermelinger e seu filho Walter Wermelinger em Lucerna, dezembro de 1969, por ocasião do Encontro da Família Wermelinger no Hotel Mohren em Willisau.
  • Brandstetter (lingüista): análise etimológica do topônimo Wermoldingen / Marinbald.

Prefácio (tradução da postagem anterior “Vorwort”)

Prefácio
(do autor)

Esta presente pasta foi criada como documentação para o programa de 16.11.1969 (14h30), no salão grande do Hotel Mohren, em Willisau (cantão de Lucerna), por ocasião do Dia da Família Wermelinger, que foi realizado com estrondoso sucesso.

Este se realizou sob o lema:

Os Wermelinger do Brasil
saúdam
os Wermelinger da Suíça,
e os Wermelinger da Suíça
saúdam
os Wermelinger do Brasil.

Este ato foi enriquecido com a apresentação de um filme
por Walter Wermelinger, em Lucerna e Kloten.

Ele mostrou a linda paisagem na baía do Rio e as regiões
românticas no interior do Estado, onde os Wermelinger
e outros suíços trabalham e cultivam as suas fazendas.

Este grande dia aconteceu com o apoio especial, de toda ordem, de:

Sra. Wermelinger-Wermelinger, Grundmühle,
em Willisau, e sua filha Marta;
bem como da Sra. Marta Lehner-Albisser,
em Horw, junto a Lucerna, nascida Wermelinger.

Agradecem e saúdam, desta forma, os organizadores:

Otto Wermelinger e filho Walter
Lucerna (Suíça), em dezembro de 1969.


Wermelinger

O nome provém da fazenda de Wermelinger (fazendas localizadas ao norte de Wolhusen). O local, em documentos antigos, é sempre denominado Wermoldingen, com exceção de um tal Johannes de Wernboldingen, que, no século XIV, recolhia impostos para a fundação caritativa de Münster: esta poderia ser, segundo a origem do nome (cf. Brauchstetter, derivaria de Marinbald), a forma original do sobrenome.

O anuário de Ruswil cita, por volta do século XIV, Hans de Wermoldingen, Ionne de Wermoldingen, Johannes de Wermoldingen, Adelheid (esposa deste) e Noli de Wermoldingen.

O anuário de Willisau cita a doação anual de Rutschmann Sprengissen e Noli de Wermoldingen.

Em 15 de outubro de 1576, a capela de Santo Erasmo, em Ruswil, reconstruída pelo Ammann Wermelinger, foi consagrada com 2 altares e 1 sino.

Conforme documento de 24 de outubro de 1656, o superintendente e conselheiro de Lucerna agraciou, com um conjunto para bebida em prata, o escultor de pedra Caspar Wermelinger, de Ruswil, que, na Batalha de Villmergen, avançou, com coragem e destemor, contra um forte bando de inimigos, arrancou a bandeira dos porta-bandeiras inimigos e a entregou pessoalmente à cidade.

(Traduzido pelo Rev. Armindo L. Müller)

Vorwort

Vorwort
(des Verfassers)

Diese vorliegende Mappe wurde geschaffen als
Dokumentation
für den am 16. November 1969 (14.30) im grossen
Saale des Hotel Mohren in Willisau (Kt. Luzern)
mit grossem schlagenden Erfolg abgehaltenen
Wermelinger-Tag.

Er stand unter dem Motto:

Die Brasilien-Wermelinger
grüssen
die Schweizer Wermelinger
grüssen
die Brasilien-Wermelinger

Dieser Anlass wurde bereichert mit einem Filmvortrag
von Walter Wermelinger in Luzern und Kloten.

Er zeigte die schöne Landschaft in der Bucht von Rio
und die romantischen Gegenden im Hinterlande des
Estado de Rio de Janeiro, wo Wermelinger und andere
Schweizer wirken und schaffen und ihre Fazendas bebauen.

Dieser grosse Tag kam zustande durch die tatkräftige
Unterstützung jeder Art von:

Frau Wermelinger-Wermelinger, Grundmühle
in Willisau, und ihrer Tochter Marta,
sowie von Frau Marta Lehner-Albisser
in Horw bei Luzern, geb. Wermelinger.

Es danken und grüssen in dieser Form die Organisatoren:

Otto Wermelinger M. Sohn, Walter
Luzern (Schweiz), im Dezember 1969.