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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Brava gente — Reportagem do Globo Serra (2011)

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POST AUTORAL · PUBLICADO EM 21 DE JUNHO DE 2013
Por Tiago Torres Wermelinger, sobre a reportagem "Brava gente" de Fernanda Dutra, publicada em O Globo Serra nos dias 14-15 de maio de 2011 (págs. 6-9). Fotos de Ana Branco. Os scans da matéria original estão preservados ao final do post.

REPORTAGEM

Brava gente

Antes de existir conforto, existia coragem.
Antes de existir cidade, existia travessia.

Eles vieram de longe — da Suíça, da Alemanha — não por escolha fácil, mas por necessidade. Cruzaram o oceano em condições duras, enfrentaram doença, perdas e um território desconhecido. Não havia promessa garantida. Havia apenas a decisão de continuar.

Ao chegar à serra1, encontraram terra bruta, isolamento e dificuldade. O que hoje é história organizada, antes foi improviso, suor e tentativa. Construíram casas, abriram caminhos, plantaram onde parecia impossível. Muitos ficaram pelo caminho. Os que resistiram moldaram o que viria a ser uma cidade.

Com o tempo, os nomes deixaram de ser apenas registros em documentos antigos. Viraram famílias vivas. Wermelinger, Thurler, Ouverney, Jaccoud — nomes que carregam mais do que origem: carregam esforço acumulado.

Mesmo com o passar das gerações, algo permaneceu. Não só a tradição, mas o impulso de seguir em frente. De criar, de trabalhar, de reconstruir quando necessário.

Esta matéria publicada em O Globo2 não é apenas um registro jornalístico. É um reconhecimento público e oficial da importância histórica dessa imigração na formação da nossa região serrana — especialmente em Nova Friburgo, Bom Jardim e Duas Barras, terra das minhas raízes diretas.

Nova Friburgo, como primeira colônia suíça do Brasil3, abriu caminho para um legado que se espalhou pelo entorno, influenciando profundamente o modo de ser e viver da nossa gente.

Duas Barras carrega essa marca não apenas nos sobrenomes, nas tradições e na arquitetura, mas na alma do lugar4 — uma terra onde a memória não está enterrada, mas viva, pulsante, em cada cruz, em cada pedra, em cada festa, em cada história que resistiu ao tempo.

Hoje, encontros familiares, festas e memórias mantêm essa conexão viva. Não como nostalgia, mas como reconhecimento: existe uma raiz por trás de tudo.

Esta matéria também é um chamado. Um alerta silencioso para que valorizemos, preservemos e transmitamos esse legado às próximas gerações.

Porque Nova Friburgo não nasceu pronta. Foi construída por gente que não tinha certeza — mas tinha coragem.

E isso ainda está aqui.

Como descendente direto e guardião dessa herança, afirmo com respeito e determinação: nossa história não será esquecida. Ela seguirá como um farol — iluminando quem somos e orientando quem ainda seremos.

Brava gente

Por Fernanda Dutra · O Globo Serra, 14-15 de maio de 2011, págs. 6-9 · Fotos de Ana Branco

Transcrição literal preservada para fins arquivísticos. Texto fiel ao publicado em O Globo Serra, sem correções editoriais subsequentes. Reprodução em uso arquivístico-genealógico não-comercial, com atribuição visível à fonte.

Assim como Nova York, Nova Friburgo é uma das poucas cidades que conhece o nome de seus fundadores, gostam de dizer os historiadores locais. Esses nomes podem ser encontrados em documentos históricos, mas também estão vivos na região e espalhados pelo mundo. São os Ouverney, os Jaccoud, os Thurler e os Wermelinger, entre outros. O acesso à história dos antepassados levou muitos das gerações mais novas a pesquisarem suas raízes, seja como historiadores acadêmicos ou informalmente. A maioria dos relatos deixa claro que, desde a gênese de Nova Friburgo, em 1818, os friburguenses carregam no DNA o ímpeto para superar dificuldades e empreender nos negócios.

A história de superação dos friburguenses remonta à chegada dos primeiros colonos à cidade, que faz 193 anos nesta segunda.

"Não foi fácil", fazem coro os descendentes dos primeiros colonos suíços, a respeito da vinda para o Brasil. Primeiro, a situação no país europeu estava complicada: o contexto era de final das guerras napoleônicas, intempéries naturais e pobreza. Quando um tal conterrâneo Sébastien-Nicolas Gachet prometeu moradia e terras férteis no Brasil, dois mil suíços acorreram, felizes com a ideia.

Gachet trabalhara para Napoleão e conseguira autorização tanto do rei Dom João VI quanto do governo suíço para organizar a migração. O rei oficializou a criação da cidade em 16 de maio de 1818, com um decreto. Os primeiros suíços, no entanto, só chegaram de viagem dois anos depois.

— O navio era a vela. A viagem demorava muito e as condições de higiene eram ruins. Muitos morreram — conta Jayme Jaccoud, de 83 anos.

E haja coragem da parte da primeira Jaccoud que chegou ao Brasil. A viúva Nanette, então com 44 anos, saiu do subúrbio de Fiaugères, em Fribourg, com os quatro filhos. Já o marceneiro5 Xavier Wermelinger saiu de Lucerna6 com a mulher, Catherine7, e seis filhos. O mais novo, de 1 ano, morreu no caminho. Foi o único que não havia tomado vacina contra varíola. Na família Thurler, a caçula também não sobreviveu à viagem.

Informações como essas podem ser encontradas na internet, graças ao trabalho da Fundação Dom João VI, que se dedica à preservação do patrimônio histórico. No site <www.djoaovi.com.br>, é possível encontrar o nome e a idade de todos os colonos suíços que cruzaram o oceano.

Geraldo Thurler, presidente da associação da família que foi criada para estimular a pesquisa da árvore genealógica, diz que algumas ferramentas auxiliam o trabalho:

— Um deles é o site My Heritage, que funciona como uma rede social. Você cria o perfil da família e manda para os conhecidos. Cada um vai preenchendo os dados e mandando para os parentes até completar a árvore.

Os Thurler estão concentrados no estado do Rio, mas há gente em todo canto. O êxodo de Friburgo começou logo que os colonos chegaram à cidade e viram que a situação não era bem como a que havia sido prometida.

— Dom João VI mandou construir casas para 700 moradores, mas vieram mais de dois mil. Então, as pessoas tiveram que se amontoar nas casas, criando famílias artificiais — conta Tiago Wermelinger, que mantém o blog de história <afamiliawermelinger.blogspot.com>.

Quando as terras prometidas foram repartidas, outra decepção:

— A divisão não levava em conta a geografia do terreno. Pegaram um mapa e riscaram. Então, até terreno na pedreira do Cônego8 foi dado para a prática da agricultura, o que era totalmente inviável — conta Thurler.

Outras famílias ficaram isoladas na região de Lumiar9, como os Ouverney, que transformaram em tradição o casamento entre primos. Até hoje, em Benfica, o costume se mantém.

— Eu não tinha muita opção para escolher, casei com ela — brinca Agrimaldo Ouverney, de 83 anos, que caminhava quilômetros até a casa da prima Olinda para vê-la.

Quem conseguiu plantar foi surpreendido com uma enchente bem na época em que haveria a primeira colheita:

— Lá por 1819, 1820, teve uma grande enchente que destruiu as plantações — conta a historiadora Janaína Botelho. — Os suíços ouviam falar muito sobre a próspera região de Cantagalo e Bom Jardim, onde barões do café prosperavam. E começaram a migrar para a região.

A família Wermelinger adquiriu terras na década de 1840 na região que hoje é Duas Barras. Outra conhecida família suíça que migrou para a cidade foi a Monnerat.

Dez anos depois, havia 662 suíços morando nas vilas coloniais. Na metade do século XIX, Friburgo tinha 4.810 habitantes e só 20% eram suíços.

Famílias promovem encontros

Com ajuda da internet, os laços entre os descendentes de colonos se estreitaram. Muitas famílias organizam encontros periódicos. A cada dois anos, há "Wermelinger fest". Nos aniversários de Geraldo Thurler, ele promove a "Festa do pão" (evento em que cada um leva um ingrediente para produzir pães artesanais).

O diretor cultural da Casa Suíça, Maurício Pinheiro, diz que a herança fica mais evidente nos "clãs familiares" do que na preservação de cultura e danças típicas.

— As famílias são muito tradicionais, e os valores se mantêm. Mas o idioma, as danças e as músicas se perdem — diz.

A historiadora Janaína Botelho concorda com a afirmação de Pinheiro:

— Talvez porque os colonos eram muito humildes e ficavam isolados em comunidades agrícolas ocorreu esse processo de aculturação.

Na contramão, os Ouverney se orgulham de manter e disseminar a tradição gastronômica. Terezinha tem um restaurante em Mury10 e produz biscoitos amanteigados e o leckerli11, tipo de pão de mel muito consumido na Suíça.

— Aprendi com minha avó e, quando fui à Suíça, vi que as confeitarias usam as mesmas receitas — conta Terezinha.

Os pais dela, Agrimaldo e Olinda Ouverney, ainda moram na região de Lumiar. Eles trabalharam com agricultura a vida inteira e até hoje plantam café para consumo próprio. Agrimaldo, inclusive, guarda instrumentos dos antepassados.

Em contato com familiares suíços e associações culturais, Geraldo Thurler iniciou um projeto para resgatar danças e músicas folclóricas.

— Nós montamos um grupo de dança há pouco tempo. Os parentes estão adorando — conta Thurler, que ressalta outras heranças menos visíveis. — Educação rígida, apreço pelos detalhes, espírito empreendedor e garra são características do povo suíço.

Thurler lembra outro momento difícil na história da cidade. Sede de grandes fábricas têxteis desde o início do século passado, como a Renor das Arp e a Filó, Friburgo viu demissões em massa com a recessão da década de 1980. A superação da crise, porém, excedeu as expectativas.

— Em vez de chorar, as pessoas começaram a produzir lingerie em casa e prosperaram. O que eram duas empresas hoje é polo de moda íntima, com várias [empresas] — diz o pesquisador.

Nota arquivística: a pesquisa documental subsequente à publicação desta matéria em 2011 identificou três pequenas divergências factuais entre o texto jornalístico e fontes primárias suíças posteriormente acessadas. Estão registradas nas notas finais (12)12 deste post, em respeito ao princípio editorial deste arquivo. A matéria permanece reproduzida em sua forma original — divergências são registradas, não corrigidas no texto-fonte.

Scans da matéria original

O Globo Serra — capa

Capa da edição de O Globo Serra — região serrana fluminense.

Matéria Brava gente — página 1

Reportagem Brava gente — abertura.

Matéria Brava gente — página 2

Reportagem Brava gente — continuação.

Matéria Brava gente — página 3

Reportagem Brava gente — conclusão e citação dos sobrenomes.

Notas

  1. serra — termo brasileiro que designa, neste contexto, a região montanhosa do interior do estado do Rio de Janeiro (especialmente a Serra dos Órgãos e adjacências), onde se localizam Nova Friburgo, Bom Jardim e Duas Barras. Carrega significado geográfico e cultural — território da imigração suíço-alemã desde 1819.
  2. O Globo — um dos maiores jornais brasileiros, fundado em 1925 no Rio de Janeiro. O Globo Serra é a edição regional dedicada à região serrana fluminense.
  3. Nova Friburgo foi fundada em 1818 por Decreto Régio de D. João VI e povoada em 1819 com a chegada de cerca de 2.000 imigrantes suíços, constituindo a primeira colônia suíça organizada em solo brasileiro — precedente histórico para as imigrações alemãs subsequentes ao Sul do Brasil.
  4. alma do lugar — equivalente ao clássico latino genius loci. A expressão remete ao caráter imaterial, saturado de história, de um lugar — algo que transcende seus traços materiais.

Tiago Torres Wermelinger

Duas Barras · Rio de Janeiro · Junho 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Brasão da Fámilia Wermelinger em Nova Friburgo RJ, na Praça do Suspiro.

Wermelinger — família oriunda da Suíça, do cantão florestal de Lucerna, pessoas simples conforme relatório feito pelo Padre José Maria ao Bispo há um século (http://afamiliawermelinger.blogspot.com), mas que, entre inúmeras famílias, teve o seu brasão incrustado no pé do Monumento às vítimas do cataclismo (2011), em Nova Friburgo, na Praça do Suspiro.

Por Walter Wermelinger.


Wermelinger — eine Familie schweizerischer Herkunft aus dem Waldkanton Luzern, einfache Leute gemäss einem Bericht, den Pfarrer José Maria vor einem Jahrhundert dem Bischof übermittelte (http://afamiliawermelinger.blogspot.com), deren Wappen jedoch unter zahlreichen Familien am Fuss des Denkmals für die Opfer der Katastrophe (2011) in Nova Friburgo, auf der Praça do Suspiro, eingelassen wurde.

Von Walter Wermelinger.


Wermelinger — a family of Swiss origin, from the forest canton of Lucerne, simple folk according to a report made by Father José Maria to the Bishop a century ago (http://afamiliawermelinger.blogspot.com), whose coat of arms, among countless families, was set into the base of the Monument to the victims of the cataclysm (2011), in Nova Friburgo, on the Praça do Suspiro.

By Walter Wermelinger.

Por Walter Wermelinger.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal à Família Wermelinger

É como muito carinho e ternura, que venho desejar a todos frequentadores e a todos da família um feliz Natal!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Impressões do padre Jesus e Maria sobre Duas Barras Parte III

Disse-me mais este bom homem, cordialmente piedoso:

Institui, para sempre e perpetualmente, por testamento, duas Missas para serem celebradas annualmente: uma à Sagrada Paixão de Nosso Senhor Jesus Christo, e outra às Sete Dores de Nossa Senhora, sendo a primeira na Sexta-feira da Paixão, e a segunda Sabbado da Paixão, antes do Domingo de Ramos; e esta minha instituição será cumprida fielmente por mim enquanto vivo for, e por meus herdeiros depois de minha morte. Dei, offertei, e fiz devoção à Santa — entenda-se à Fabrica — da minha situação Diamantino: para sempre toda a sua renda será para a Santa; eu mesmo continuarei a administrá-la por meio de membros de minha inteira confiança, não tendo a irmandade em tempo algum direito nem domínio de qualquer espécie sobre a dita situação.

Eu também, do mesmo modo, quanto já fiz e pude fazer, nunca irá para a posse nem domínio da irmandade, mas sim tudo para a Fabrica d'esta Egreja.

Que lauto almoço tão opíparo tive eu n'esse dia, abençoado mil vezes e mais! Que acção de Graças a Nosso Senhor depois da Santa Missa! Ó dia bendito, alegre e risonho, para mim serás in perpetuum o Dia Milagroso, ou Dia de Milagre, o dia 24 de Maio de 1911, mez de Flôres de Maria Santissima, dia de Nossa Senhora Auxiliadora.

Esta situação, a que o Sr. Estevinho se referiu, consta de dez alqueires de boas terras, em cafezaes, cannaviaes e matas, com tres boas casas de moradias, distantes apenas um kilometro d'esta Matriz, ao nascente; a estrada de Bom Jardim passa atravessando a situação, que é hoje conhecida já por Terras da Santa. Eu a estimo em sete contos de réis.

Consta-me que uma pessoa da família Wermelinger tenciona dar-me toda a cal; e uma outra pessoa, também Wermelinger, quer dar todo o fôrro. Diversas pessoas me offereceram dias de serviço, semanas, e até mezes.

De sua importância e maior ponderação é o seguinte: — tudo quanto me deram e offereceram foi espontaneamente. Aqui, só exclamando com o Propheta: "Bendito sejaes, ó meu Deus e Senhor, que tendes em vossas Mãos as chaves de todos os corações, e os abris e inclinaes para onde e como vos apraz!"

Os actos religiosos são bem frequentados e assistidos, com louvável religiosidade e recolhimento piedoso. Nos dias santificados, há grande affluencia de fiéis à Egreja, com piedoso respeito, havendo sempre frequência dos divinos Sacramentos, ouvindo atenciosamente as predicas até ao fim; e, ao terminar o acto religioso, vêm piedosamente beijar o santo crucifixo, que em minhas sagradas mãos lhe offereço, trazendo e depositando na salva, espontaneamente, suas generosas dadivas, oblações e offertas.

A devoção dos Sagrados Corações de Jesus e Maria — pupilla de meus olhos, aspiração de todos meus mais intimos almejos e cordeaes anhelos — deixa muito a desejar, é verdade, relativamente à sua canonica e regular organização, no fiel desempenho das suas obrigações de zeladas e zeladores; porém, ao meu ver, é clarividente um grande milagre dos Sagrados Corações: a pratica de tanta virtude, robusta fé, esperança firme e caridade ardente, tendo por consequencia a solida piedade, a devoção pratica, a dedicação, o sacrificio e abnegação, e sobremodo a frequente recepção dos divinos Sacramentos. Mil vezes e mais abençoada seja!

Ás primeiras Sextas-feiras bem póde chamar-se Flos Florum e Rosa Rosarum: a flôr mais aromatica e fragrante, e a rosa mais esbelta e mimosa, deliciosa e cheia de encantos, do Jardim d'esta Santa Egreja de Deus!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tagund der Wermelinger (Daterland)

Fonte primária · 28 de novembro de 1969 Originalquelle · 28. November 1969 Primary source · 28 November 1969 Willisauer Bote
Tradução não-oficial Esta reportagem foi publicada originalmente em alemão no Willisauer Bote, jornal local de Willisau, Cantão de Lucerna, Suíça, em sexta-feira, 28 de novembro de 1969. Autor: H.K. Esta tradução para o português é não-oficial e foi feita por Tiago Torres Wermelinger para fins de preservação arquivística. Em caso de divergência interpretativa, prevalece a versão original em alemão.
Originalfassung Diese Reportage erschien im Willisauer Boten, Lokalzeitung von Willisau im Kanton Luzern, Schweiz, am Freitag, 28. November 1969. Verfasser: H.K. Der Text wird hier in seiner ursprünglichen Form bewahrt; die portugiesische und englische Fassung sind nicht-offizielle Übersetzungen zu archivalischen Zwecken.
Unofficial translation This article was originally published in German in the Willisauer Bote, the local newspaper of Willisau in the Canton of Lucerne, Switzerland, on Friday, 28 November 1969. Author: H.K. This English translation is unofficial and was made by Tiago Torres Wermelinger for archival preservation. In case of interpretive divergence, the German original prevails.

Sexta-feira, 28 de novembro de 1969 Freitag, 28. November 1969 Friday, 28 November 1969

H. K. Há pouco tempo, mais de 300 membros da estirpe Wermelinger reuniram-se no salão Mohren, em Willisau, a convite de Otto Wermelinger-Ambühl, de Lucerna, cujo filho Walter havia rodado dois filmes na pátria brasileira de seus xarás. O patriarca, que em 1819 emigrou com esposa e cinco filhos1 para o então Estado português da América do Sul, chamava-se Xaver Wermelinger-Egli. Hoje seus descendentes já vivem na quinta geração ali, seja na cidade de Nova Friburgo (maior que Lucerna) ou nas vilas de Duas Barras, Sumidouro, Niterói etc. Seus filmes, exibidos pelo próprio Walter Wermelinger, funcionário da Swissair de profissão, despertaram não pouco interesse pelos costumes e tradições, métodos de trabalho e festividades preservados a 400 quilômetros a oeste do Rio. Quão fortemente a estirpe se mantém unida fica bem evidente na grande veneração ao retrato ancestral de 150 anos. Mas também não hesitaram em mostrar a consciência de seu sangue: sabia-se que os Wermelinger eram da Suíça, mas nada além disso. O desejo de informações mais detalhadas sobre a terra e o povo da pátria-tronco tornou-se cada vez mais audível, sobretudo porque em breve seria preciso celebrar os 150 anos de fixação no Brasil. Um dos brasileiros-lucerneses, o advogado Walter Wermelinger da Costa, em Niterói, foi quem fez a pedra rolar — quando os endereços Wermelinger de Lucerna solicitados ao Consulado Suíço no Rio de Janeiro lhe permitiram o desejado contato entre a nova e a antiga pátria. O segundo filme mostrava o casamento de um brasileiro com uma filha de notável beleza de sobrenome Wermelinger, cuja constituição, traços e tez denunciam ascendência mais lusitana do que alemânica.

Cabe agora aos genealogistas investigar de qual família Wermelinger descendia o primeiro emigrante — se da estirpe de Ebersecken, Egolzwil, Hergiswil bei Willisau, Ruswil, Triengen, do distrito Willisau-Land, do Seetal ou do Entlebuch. A ligação entre Brasil e Lucerna está, em todo caso, estabelecida, e há de ser apenas questão de tempo até que membros dos Wermelinger do Brasil venham visitar seus parentes de nome no cantão de Lucerna.

Diante do salão de reuniões expunham-se jornais impressos em português daquela região, onde a maioria dos Wermelinger, como membros de famílias muito ilustres, contribuíram bastante para a formação das localidades de Duas Barras, Cantagalo, Sumidouro. O sobrenome seria ali muito conhecido e respeitado, e numerosos portadores deste nome teriam sido formados como engenheiros, advogados ou militares.

O êxito da Convenção Wermelinger em Willisau é bem merecido por seus dois iniciadores e seus diligentes colaboradores. Um magnífico estímulo para a fundação de uma associação familiar!

1 O número de cinco filhos consta da reportagem original de 1969 e é mantido aqui sem correção, por princípio editorial de preservação da fonte. As fontes primárias suíças (Staatsarchiv Luzern, BF 52) registram seis filhos no embarque em 1819 — Xaver, Joseph, Stefan, Johann Baptist, Kathrina e Marianna. Johann Baptist faleceu no mar a 28 de dezembro de 1819, vitimado pela varíola, antes da chegada ao Brasil. O registro corrigido aparece em /p/cronologia.html. — Nota editorial.

H. K. Vor Kurzem haben sich im Mohren-Saal zu Willisau über 300 Mitglieder des Wermelinger-Geschlechts getroffen, eingeladen von Otto Wermelinger-Ambühl, Luzern, dessen Sohn Walter in der brasilianischen Heimat seiner Namensvettern zwei Filme gedreht hatte. Der Stammvater, der 1819 mit Frau und fünf Kindern1 nach dem früher portugiesischen Staat Südamerikas ausgewandert war, hiess Xaver Wermelinger-Egli. Heute leben seine Nachfolger bereits in der fünften Generation dort, sei es in der Stadt Nova Friburgo (grösser als Luzern) oder in den Dörfern Duas Barras, Sumidouro, Niterói usw. Seine Filme, die Walter Wermelinger, Swissair-Beamter von Beruf, selber vorführte, weckten nicht geringes Interesse an den 400 Kilometer westlich Rios erhalten gebliebenen Sitten und Bräuchen, Arbeitsmethoden und Lustbarkeiten. Wie stark die Sippe zusammenhält, beweist wohl deutlich genug die grosse Verehrung des 150jährigen Ahnenbildes. Aber auch ihr Blutbewusstsein scheute sie nicht zu zeigen: wohl wusste man, dass die Wermelinger aus der Schweiz stammen, aber nicht mehr. Der Wunsch nach näherer Auskunft über Land und Leute der Stammheimat wurde immer lauter, zumal es bald einmal galt, die 150-jährige Sesshaftigkeit in Brasilien zu feiern. Einer der Brasilien-Luzerner, der Advokat Walter Wermelinger da Costa, in Niterói, brachte den Stein ins Rollen, indem die vom Schweizer Konsulat in Rio de Janeiro erbetenen Wermelinger-Adressen aus Luzern ihm den gewünschten Kontakt zwischen neuer und alter Heimat ermöglichten. Der zweite Film zeigte die Hochzeit eines Brasilianers mit einer bildhübschen Tochter namens Wermelinger, deren Körperbau, Gesichtszüge und Teint eher lusitanische als alemannische Herkunft verraten.

Es liegt nun an den Genealogen, zu ergründen, welcher Wermelinger-Familie der erste Auswanderer entstammte, ob der Sippe aus Ebersecken, Egolzwil, Hergiswil b. W., Ruswil, Triengen, in der Willisau-Land, aus dem Seetal oder Entlebuch. Die Verbindung zwischen Brasilien und Luzern ist jedenfalls hergestellt, und es dürfte nur eine Frage der Zeit sein, wann Angehörige der Brasilien-Wermelinger ihre Namensverwandtschaft im Luzernerland besuchen kommen.

Vor dem Versammlungssaal lagen portugiesisch gedruckte Zeitungen aus jener Gegend auf, wo die meisten Wermelinger als Mitglieder sehr berühmter Familien zum Aufbau der Ortschaften Duas Barras, Cantagalo, Sumidouro viel beigetragen haben. Ihr Familienname sei dort sehr bekannt und geachtet, und zahlreiche Träger dieses Namens seien als Ingenieure, Advokaten oder Militärfachleute ausgebildet worden.

Der Erfolg der Wermelinger-Tagung in Willisau ist den beiden Initianten und ihren fleissigen Mitarbeitern wohl zu gönnen. Ein prächtiger Ansporn zur Gründung eines Familienverbandes!

1 Die Angabe von fünf Kindern stammt aus der Originalreportage von 1969 und wird hier aus editorischem Prinzip der Quellenbewahrung unverändert übernommen. Schweizerische Primärquellen (Staatsarchiv Luzern, BF 52) verzeichnen sechs Kinder bei der Einschiffung 1819 — Xaver, Joseph, Stefan, Johann Baptist, Kathrina und Marianna. Johann Baptist starb auf See am 28. Dezember 1819 an den Pocken, vor der Ankunft in Brasilien. Der korrigierte Eintrag erscheint in /p/cronologia.html. — Anmerkung der Redaktion.

H. K. Not long ago, more than 300 members of the Wermelinger lineage gathered at the Mohren Hall in Willisau, invited by Otto Wermelinger-Ambühl of Lucerne, whose son Walter had filmed two pictures in the Brazilian homeland of their namesakes. The patriarch, who in 1819 emigrated with his wife and five children1 to the then Portuguese state of South America, was named Xaver Wermelinger-Egli. Today his descendants already live in the fifth generation there, whether in the city of Nova Friburgo (larger than Lucerne) or in the villages of Duas Barras, Sumidouro, Niterói and others. His films, screened by Walter Wermelinger himself — a Swissair employee by profession — awakened no small interest in the customs and traditions, working methods and festivities preserved 400 kilometres west of Rio. How strongly the family clan holds together is plainly shown by the great veneration of the 150-year-old ancestral portrait. But neither did they shy from showing their consciousness of blood: it was known that the Wermelingers came from Switzerland, but no more than that. The desire for fuller information about the land and people of the ancestral homeland grew ever louder, especially as the 150th anniversary of settlement in Brazil was soon to be celebrated. One of the Brazilian-Lucernese, the lawyer Walter Wermelinger da Costa of Niterói, set the stone rolling: the Wermelinger addresses from Lucerne which he requested through the Swiss Consulate in Rio de Janeiro made possible the desired contact between the new and old homelands. The second film showed the wedding of a Brazilian with a strikingly beautiful daughter named Wermelinger, whose build, features and complexion betray Lusitanian rather than Alemannic ancestry.

It now falls to the genealogists to determine from which Wermelinger family the first emigrant descended — whether from the lineage of Ebersecken, Egolzwil, Hergiswil bei Willisau, Ruswil, Triengen, the Willisau-Land district, the Seetal or the Entlebuch. The connection between Brazil and Lucerne has, in any case, been established, and it should only be a matter of time until members of the Brazilian Wermelingers come to visit their namesakes in the Lucerne canton.

Before the assembly hall lay Portuguese-printed newspapers from that region, where most Wermelingers — as members of very distinguished families — contributed greatly to the building up of the towns of Duas Barras, Cantagalo, Sumidouro. Their family name is said to be very well known and respected there, and numerous bearers of the name are reported to have been trained as engineers, lawyers or military officers.

The success of the Wermelinger Gathering in Willisau is well deserved by its two initiators and their diligent collaborators. A splendid spur for the founding of a family association!

1 The figure of five children appears in the 1969 original report and is preserved here unchanged, by editorial principle of source fidelity. Swiss primary sources (Staatsarchiv Luzern, BF 52) record six children at embarkation in 1819 — Xaver, Joseph, Stefan, Johann Baptist, Kathrina and Marianna. Johann Baptist died at sea on 28 December 1819 of smallpox, before the arrival in Brazil. The corrected record appears at /p/cronologia.html. — Editorial note.

Recorte do jornal Willisauer Bote de 28 de novembro de 1969

Originalfassung em alemão · Willisauer Bote, 28.11.1969 · H.K.
Tradução PT/EN: Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026
Originalfassung · Willisauer Bote, 28.11.1969 · H.K.
Archivierung · Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026
German original · Willisauer Bote, 28.11.1969 · H.K.
Translation PT/EN: Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026

terça-feira, 19 de maio de 2009

Willisauer Bote

Willisauer Bote – 20/11/1969

A FAMÍLIA WERMELINGER PRESENTE EM WILLISAU

Quando uma estirpe tão antiga, tradicional e largamente difundida como a dos Wermelinger se lembra de seus irmãos e irmãs genealógicos, esta é, sem dúvida, uma ocasião para uma reunião numerosa, na qual se encontram idosos e jovens de perto e de longe. Assim pôde o presidente da Organização da Reunião Wermelinger — Otto Wermelinger-Ambühl, de Lucerna — cumprimentar 300 pessoas no domingo próximo passado, no Salão Grande do Hotel Mohren. Ao seu lado estavam a Sra. Lehner, de Horw, e a Sra. Martha Wermelinger, do Moinho de Willisau.

O filho do presidente, Walter Wermelinger, da Swissair, conduziu a atração principal desta reunião: um filme de sua própria autoria, sobre o Rio de Janeiro e seu interior, o campo de ação dos membros da família Wermelinger que há cerca de 150 anos emigraram para lá. O objetivo desta reunião era: os Wermelinger do Brasil cumprimentam os componentes de sua estirpe na Suíça. Do grande número de quadros maravilhosamente bem coloridos, queremos destacar: a chegada do produtor do filme à casa do advogado Walter Wermelinger da Costa, no Rio; passeios nas redondezas do Rio; um carnaval em miniatura no Rio. Na segunda parte do filme, este nos levou aos vestígios da família Wermelinger, distantes 400 km, ao interior do Brasil, à cidade de Nova Friburgo, com 85.000 habitantes, e depois para Duas Barras e Sumidouro, nas quais ainda hoje reside o maior número dos Wermelinger do Brasil. Uma destas famílias mostrou com orgulho o "portrait" de seu ancestral Joseph Wermelinger, que há 150 anos chegou a esta terra e começou a colonizá-la. Um outro filme mostrou o casamento de uma jovem Wermelinger com um brasileiro, e queremos mencionar que a noiva já é portadora de traços da raça brasileira (descendente já da quinta geração que se assimilou lá). Foram mostrados ainda quadros interessantes de uma exposição rural. Por ocasião dessa exposição, Walter Wermelinger pôde se alojar na casa de parentes em Cantagalo. Uma especial impressão nos causaram as fazendas, que foram cultivadas com tenaz diligência e incansável paciência pelos Wermelinger.

O presidente passou uma lista de presença entre os participantes da reunião. Esta lista deverá ser enviada aos parentes do Brasil como saudação. Outrossim, ele dirigiu o pedido a todos os presentes que estes enviassem outros possíveis detalhes sobre a família ao Brasil.

No saguão do hotel, os atenciosos visitantes podiam ver postais do Brasil, recortes de jornais brasileiros e o escudo da família. Pôde ser constatado que os Wermelinger são cidadãos de Ebersecken, Egolzwil, Entlebuch, Gelfingen, Hergiswil b. W., Halse, Ruswil, Triengen e Willisau-Land. Desde o século XIV foram constatados ao norte de Wolhusen. Nos primórdios, o local onde residiam chamava-se Wermodingen, constatado em escrituras antigas, e comprovado por Brandstetter como derivado de "Warinbald". Um Hans Wermelinger, comendador em Ruswil, construiu em 1575 a capela em Buchholz. Em 1656, o magistrado e juiz de Lucerna presenteou o pedreiro Caspar Wermelinger com baixelas de prata, por sua participação briosa e corajosa nas guerras confederadas. Antes do final oficial da reunião, o engenheiro Anton Wermelinger, de Baden, agradeceu o trabalho idealista da organização, e externou a esperança de que os presentes pudessem se reunir outra vez em número tão elevado para uma reunião deste tipo. Finalizando, pôde ser constatado o firme propósito desta casta de continuar unida — e este desejo é, sem dúvida, uma missão grata aos organizadores desta reunião.

Lista de presença dos participantes:

Lista de presença, página 1 Lista de presença, página 2 Lista de presença, página 3

(Fonte: Walter Wermelinger)

Lieber Freund Walter in Uebersee.

Otto Wermelinger
St. Karlistr. 68
Luzern (Schweiz)

Luzern, den 9. Juni 1963

Lieber Freund Walter in Übersee,

Endlich will ich einmal Deine wertvolle Post beantworten, die mich jedesmal mit grossem Stolz erfüllt. Also vielen Dank für das hochinteressante Paket und den in einem Abstande erfolgten Brief. Die Verpackung am Paket sah sehr mitgenommen aus, die Schnur offen, das Papier zerrissen, aber es kam doch alles an, worüber wir uns riesig freuten. Die Kalender und das Buch über Land und Volk Brasiliens hatten uns alle riesig interessiert. Wohl ist die Qualität des Druckes und der Ausrüstung nicht mit der in der Schweiz ebenbürtig, aber wenn wir in so grossen Auflagen drucken müssten, würde dieselbe bestimmt nicht besser. Im Gegenteil: die heutige gehetzte Arbeitsweise in den Fabriken und Betrieben droht der guten alten berühmten Schweizerqualität arg zuzusetzen. Das Brot muss verhältnismässig sehr sauer verdient werden, denn der Konkurrenzkampf ist in der Schweiz und in ganz Europa sehr gross. Zudem kommt dazu das Japan. Aber eben Japan, wo der Lohn so klein ist und der Arbeiter so genügsam, das kann billig verkaufen. Zum Beispiel habe ich optische und Fotoartikel gesehen, die der in Schweiz fabrizierten fast in nichts in der Qualität nachstehen.

Nebst meinen Geschwistern kenne ich in Luzern sozusagen gar niemand, der mit mir auch weitstehend verwandt wäre. Und die, die ich von meinem Vater her gekannt habe, die in Willisau, Hergiswil gelebt haben, leben fast keine mehr. Aber immerhin: die Foto von Deinem Ur-Urgrossvater ist ein kleiner Hoffnungsstrahl. Aber es braucht sehr viel Zeit, und bis zu jenen Wermelinger-Orten sind ein bis zwei Stunden zu fahren. Immerhin will ich versuchen, in den Ferien eine Kontaktaufnahme zu machen; vielleicht kann der Gemeindepräsident oder der Pfarrer mir einen Hinweis geben, auf welche Bauernliegenschaft ich mich hinwenden könnte. Aber wie gesagt: nur ein grosser Zufall, wenn ich eine Spur finden könnte. Ich stelle mir vor, es müsste doch ein Gemälde von Hand gemalt sich finden lassen. Oder ist dieses Gemälde in Eurem Besitze, und habt Ihr diese Photo von diesem Bilde machen lassen?

Über die politische Struktur unseres Landes gibt die beiliegende Broschüre sehr einfach und leichtfasslich Auskunft. Vielleicht ist Dein Freund Harald so nett und tut es in kurzen Zügen übersetzen.

Mitte Juni gehe ich mit meiner Familie nach Italien; es ist dann für mich und meine Frau das erste Mal, dass wir das Meer sehen und erleben. Wir freuen uns riesig darauf.

Im Weitern kommt mir nichts Neues in den Sinn, und ich will meine Zeilen schliessen in der Absicht, die interessante Korrespondenz weiter zu pflegen.

Es grüssen von ganzem Herzen aus weiter Ferne, aber dennoch aufrichtig — lasse auch den Übersetzer von Herzen grüssen.

OTTO WERMELINGER, MEINE FRAU M., WALTER

(Quelle: Walter Wermelinger)