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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Crônica · Barra Alegre · Duas Barras Chronik · Barra Alegre · Duas Barras Chronicle · Barra Alegre · Duas Barras

Crônica · Barra Alegre · Duas Barras Chronik · Barra Alegre · Duas Barras Chronicle · Barra Alegre · Duas Barras

As viagens de Isa Erthal Thomaz — onde as lembranças habitam e as saudades permanecem Die Reisen von Isa Erthal Thomaz — wo die Erinnerungen wohnen und die Sehnsucht bleibt The travels of Isa Erthal Thomaz — where memories dwell and longing remains

“E jamais dirão que não falei de lembranças e nunca senti saudades.” „Und niemals wird man sagen, ich hätte nicht von Erinnerungen gesprochen und nie Sehnsucht empfunden.“ “And they shall never say that I did not speak of memories and never felt longing.” AWA/awa AWA/awa AWA/awa

Sobre este texto Über diesen Text About this text

Crônica de memória, oferecida ao Arquivo Wermelinger por AWA/awa (Amilton Wermelinger Araujo). Diferente das crônicas de pesquisa da casa, esta não traz notas nem bibliografia: o que a sustenta não são fontes documentais, mas a lembrança e o afeto de quem a escreve. Guardamos o texto tal como veio, apenas com correções ortográficas mínimas; as grafias antigas (“Cantagallo”, “Nictheroy”) foram preservadas por escolha do autor. Eine Erinnerungschronik, dem Wermelinger-Archiv von AWA/awa (Amilton Wermelinger Araujo) überlassen. Anders als die Recherchechroniken des Hauses trägt sie weder Anmerkungen noch Bibliografie: Sie beruht nicht auf dokumentarischen Quellen, sondern auf der Erinnerung und der Zuneigung ihres Verfassers. Wir bewahren den Text, wie er kam, mit nur geringfügigen orthografischen Korrekturen; die alten Schreibweisen („Cantagallo“, „Nictheroy“) wurden nach dem Willen des Autors beibehalten. A memoir-chronicle, offered to the Wermelinger Archive by AWA/awa (Amilton Wermelinger Araujo). Unlike the house's research chronicles, it carries neither notes nor bibliography: what sustains it is not documentary sources but the memory and affection of its author. We keep the text as it came, with only minimal spelling corrections; the archaic spellings (“Cantagallo”, “Nictheroy”) have been preserved by the author's choice.

No entanto, como não falar dos paralelismos, das coincidências, da Providência e de tudo quanto o amor inspira no encontro de famílias bicentenárias? Ou melhor seria dizer Famílias Coirmãs, como a elas se referia Elio Monnerat Solon de Pontes?

A minha tia mais velha chamava-se Iza, irmã de minha mãe, Maria Elza.

Na pesquisa genealógica, de que os coirmãos gostam e que tantos cultivam, esse encontro não parece casual. Elisabetha, Iza, Elza, Isa, Elsa ou Elisa aparecem, não raro, em documentos antigos, por estarem ligadas a uma mesma tradição nominativa das famílias.

A intuição e a razão, muitas vezes, caminham juntas.

A genealogia e a etimologia ajudam a explicar por que determinados nomes se repetem, transformam-se ao longo do tempo, mas conservam uma mesma raiz histórica.

Retomo agora o caminho das viagens de Isa Erthal e procuro tomar de empréstimo a brandura e a simplicidade que transparecem em sua escrita, sugestiva de tão cândida e natural ternura, a invadir a memória de seus relatos, contos, causos e reminiscências.

Disso não desejo afastar-me.

Ainda muito criança, agasalhado no colo de Dona Chiquinha, minha madrinha, Francisca (Wermelinger) Erthal Wermelinger, casada com o primo Alcides José Wermelinger, ouvia histórias.

Os cenários eram sempre a sua Barra Alegre, passavam pelo Pacau e chegavam a Duas Barras.

Minha avó-madrinha fazia desfilar diante dos meus olhos infantis personagens, lugares, acontecimentos e circunstâncias que despertavam a percepção própria da então chamada idade da razão.

Nunca conheci Isa.

O livro na mesa da festa

Somente caminhando para o ocaso da vida, num encontro da Família Erthal, em terras de Barra Alegre, onde logo me percebi em casa, entretive-me pelos ambientes da festa.

Havia uma mesa com livros em exposição.

Deparei-me com o livro de Isa.

Em pouquíssimo tempo, reconheci-a.

Parentes reconhecem-se num repente!

Observei atentamente as fotografias da capa e da contracapa. Folheei o livro rapidamente. Bastaram-me algumas páginas para reconhecer a autora.

Capa e contracapa do livro Uma Lembrança, Muitas Saudades, de Isa Erthal Thomaz (2001): retrato da autora na capa e, na contracapa, duas pinturas a óleo de sua autoria retratando a Fazenda Poço D'Antas
Capa e contracapa de Uma Lembrança, Muitas Saudades (2001). Na capa, o retrato de Isa Erthal Thomaz; na contracapa, duas telas a óleo pintadas pela própria autora — a vista geral (1991) e a sede (1980) da Fazenda Poço D'Antas. Capa da edição: Théo Erthal. Foto: acervo de Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Era como se um breve raio de luz iluminasse, em poucos instantes, caminhos que eu próprio também percorrera.

As páginas eram como os caminhos que Isa trilhara.

Como eu, de pés descalços, pisando a poeira, por lugares tão semelhantes, nas terras da nossa antiga Cantagallo.

Apressei-me em pedir à filha de Isa que autografasse o livro de sua mãe.

Prontamente atendeu-me, com um sorriso alegre e natural, escrevendo afavelmente a dedicatória.

Seu nome: Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira.

Folha de rosto da 2ª edição de Uma Lembrança, Muitas Saudades com dedicatória manuscrita ao autor, assinada por Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira, Bom Jardim, RJ, 30/09/2023
A dedicatória: na folha de rosto da 2ª edição, Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira assina, “com muita alegria”, o livro escrito por sua mãe. Bom Jardim, RJ, 30 de setembro de 2023. Foto: acervo de Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Então pensei: muito deve ter herdado da mãe.

Foi assim que conheci Isa Erthal Thomaz, de quem já ouvira falar.

Depois reconheci a sua presença no livro, que li com avidez, revisitei muitas vezes e percorri, em tão boa companhia.

Entre o déjà-vu e o devir

Antes, visitando Barra Alegre, escrevera na página da Família Erthal um texto intitulado “Sobre os vínculos com Barra Alegre / Bom Jardim”, gentilmente acolhido para publicação.

Nele procurei descrever o sentimento que os franceses denominam déjà-vu: aquela estranha sensação de familiaridade diante de algo que parece já ter sido vivido, embora não consigamos recordar quando ou onde.

A esse sentimento parece juntar-se outro, igualmente sereno, ligado à ideia do devir, do contínuo tornar-se, do movimento silencioso da vida em direção àquilo que ainda está por vir.

Isa Erthal, embora pertencente a uma geração anterior à minha, partilhava conosco a mesma formação religiosa. Vivíamos o latim das celebrações litúrgicas e, mais tarde, já no ginásio, compreendíamos o significado das palavras que atravessaram séculos e continuam comunicando sentidos.

O livro de Isa Erthal reveste-se da clareza de um olhar que percorre a infância, a juventude, a maturidade e o ocaso da vida.

Por isso mesmo revela uma refinada simplicidade.

Nele há um movimento sereno entre o antes e o agora, entre a lembrança e a esperança, entre o déjà-vu e o devir.

As coisas boas, as que verdadeiramente fazem bem, vêm de Deus.

São simples. E, justamente por isso, compreensíveis.

As páginas 42 e 43

Reproduzo, a seguir, as páginas 42 e 43, situadas aproximadamente no centro do livro, porque revelam um interessante cenário da vida real:

Páginas 42 e 43 do livro Uma Lembrança, Muitas Saudades, abertas sobre uma mesa, com os relatos do juiz Doutor Mário Florence, do cinema de Bom Jardim e da festa de 13 de agosto
As páginas 42 e 43 de Uma Lembrança, Muitas Saudades: o juiz refugiado, o cinema do Doutor Péricles, as misses no cinema de Cantagalo, o “Tudo intriga” de Dona Julica e a festa de 13 de agosto. Foto: acervo de Amilton Wermelinger Araujo, 2026. Reprodução das páginas do livro condicionada à anuência da família Erthal Thomaz.
  • um Juiz de Direito ameaçado de morte;
  • um homem simples que lhe oferece refúgio;
  • uma vigilante proteção organizada pelos amigos;
  • um cinema do interior onde se exibia o concurso Miss Brasil;
  • a notável semelhança entre a Miss Minas Gerais e Isa Erthal;
  • a antiga reserva de algumas famílias em frequentar o cinema pertencente aos Rocha;
  • alguém de bom senso lembrando que a energia elétrica era produzida pelos próprios Rocha e utilizada por todos, inclusive pelos Erthal;
  • Isa invocando o insuspeito testemunho de Dona Julica, esposa de Péricles Corrêa da Rocha, que afirmava com simplicidade: “Tudo intriga!”;
  • em contraste com essas pequenas disputas, a grande festa popular de 13 de agosto, aberta a todos os que desejassem participar;
  • a presença de amigos, seminaristas, políticos de prestígio nacional, do Bispo da Diocese de Nictheroy, ainda antiga capital da Velha Província Fluminense, e também de inúmeras pessoas da região;
  • e, ao longo dos anos, a celebração do aniversário de Eugênio Erthal acompanhando serenamente o ocaso de sua vida.
Registro manuscrito antigo, em caligrafia de época, recordando a visita do Bispo Dom José Pereira Alves a Barra Alegre em 13 de agosto de 1934, assinado por Maria Elza Wermelinger
O eco da mesma festa, guardado na família do cronista: registro manuscrito de época — em leitura provável, “Recordação do Sr. Bispo D. José P. Alves, em Barra Alegre, no dia 13 de Agosto de 1934” —, assinado por Maria Elza Wermelinger, mãe do autor. O mesmo bispo, a mesma festa de 13 de agosto que Isa descreve nas páginas 42 e 43. Os paralelismos e a Providência de que fala a abertura desta crônica. Foto: acervo de Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Isa Erthal e Dona Julica Corrêa da Rocha possuíam aquele olhar atento, próprio das mulheres sábias.

Olhares simples, agudos e penetrantes.

Pareciam inspirar-se na antiga advertência do Eclesiastes:

“Vaidade das vaidades; tudo é vaidade.”

Concordavam, afinal:

“Quantas bobagens... quantas intrigas políticas entre duas famílias antigas e tão conceituadas no município!”

E a própria realidade tratou de demonstrar isso, pois não foram poucas as uniões matrimoniais entre membros das duas famílias.

Talvez, se muitas das nossas maiores autoridades lessem o livro de Isa Erthal, compreenderiam melhor esse olhar sereno, tão próximo daquele de Dona Julica.

As mulheres que nos gestam

Sempre elas, as mulheres que nos gestam, embalam e criam!

Nota do arquivo

O cenário das páginas 42 e 43 é aqui recontado em síntese, pela pena do próprio autor. A reprodução literal das páginas do livro de Isa Erthal Thomaz, se desejada, depende de anuência da família.

Und dennoch: Wie sollte man nicht von den Parallelen sprechen, von den Zufällen, von der Vorsehung und von allem, was die Liebe bei der Begegnung zweihundertjähriger Familien eingibt? Oder sollte man besser sagen: verschwisterte Familien (Famílias Coirmãs), wie Elio Monnerat Solon de Pontes sie nannte?

Meine älteste Tante hiess Iza, Schwester meiner Mutter, Maria Elza.

In der genealogischen Forschung, die den Coirmãos am Herzen liegt und die so viele pflegen, scheint diese Begegnung nicht zufällig. Elisabetha, Iza, Elza, Isa, Elsa oder Elisa erscheinen nicht selten in alten Dokumenten, weil sie einer selben Namenstradition der Familien angehören.

Intuition und Vernunft gehen oft Hand in Hand.

Genealogie und Etymologie helfen zu erklären, warum sich gewisse Namen wiederholen, sich im Lauf der Zeit wandeln und doch dieselbe geschichtliche Wurzel bewahren.

Ich nehme nun den Weg der Reisen von Isa Erthal wieder auf und versuche, mir die Sanftheit und die Schlichtheit zu leihen, die aus ihrer Schrift sprechen — so kandid und natürlich in ihrer Zärtlichkeit, dass sie die Erinnerung an ihre Berichte, Erzählungen, Anekdoten und Rückblicke durchdringen.

Davon möchte ich mich nicht entfernen.

Als kleines Kind, geborgen im Schoss von Dona Chiquinha, meiner Patin Francisca (Wermelinger) Erthal Wermelinger, verheiratet mit dem Vetter Alcides José Wermelinger, hörte ich Geschichten.

Die Schauplätze waren stets ihr Barra Alegre, führten über Pacau und erreichten Duas Barras.

Meine Grossmutter und Patin liess vor meinen Kinderaugen Gestalten, Orte, Ereignisse und Umstände vorbeiziehen, die jene Wahrnehmung weckten, die dem sogenannten Alter der Vernunft eigen ist.

Isa habe ich nie kennengelernt.

Das Buch auf dem Tisch des Festes

Erst als ich dem Lebensabend entgegenging, bei einem Treffen der Familie Erthal, auf dem Boden von Barra Alegre, wo ich mich sogleich zu Hause fühlte, verweilte ich zwischen den Räumen des Festes.

Da stand ein Tisch mit ausgestellten Büchern.

Ich stiess auf das Buch von Isa.

In kürzester Zeit erkannte ich sie.

Verwandte erkennen einander im Nu!

Aufmerksam betrachtete ich die Fotografien auf Vorder- und Rückseite. Ich blätterte das Buch rasch durch. Wenige Seiten genügten mir, um die Autorin zu erkennen.

Vorder- und Rückseite des Buches Uma Lembrança, Muitas Saudades von Isa Erthal Thomaz (2001): Porträt der Autorin auf dem Umschlag und zwei Ölgemälde der Fazenda Poço D'Antas auf der Rückseite
Vorder- und Rückseite von Uma Lembrança, Muitas Saudades (2001). Vorne das Porträt von Isa Erthal Thomaz; hinten zwei von der Autorin selbst gemalte Ölbilder — die Gesamtansicht (1991) und das Haupthaus (1980) der Fazenda Poço D'Antas. Umschlaggestaltung: Théo Erthal. Foto: Sammlung Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Es war, als erhellte ein kurzer Lichtstrahl in wenigen Augenblicken Wege, die auch ich selbst gegangen war.

Die Seiten waren wie die Wege, die Isa beschritten hatte.

Wie ich, barfuss, den Staub tretend, durch so ähnliche Orte, im Land unseres alten Cantagallo.

Eilig bat ich die Tochter von Isa, das Buch ihrer Mutter zu signieren.

Bereitwillig kam sie mir nach, mit einem heiteren, natürlichen Lächeln, und schrieb freundlich die Widmung.

Ihr Name: Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira.

Titelblatt der 2. Auflage von Uma Lembrança, Muitas Saudades mit handschriftlicher Widmung an den Autor, signiert von Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira, Bom Jardim, RJ, 30.09.2023
Die Widmung: Auf dem Titelblatt der 2. Auflage signiert Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira, „mit grosser Freude“, das von ihrer Mutter geschriebene Buch. Bom Jardim, RJ, 30. September 2023. Foto: Sammlung Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Da dachte ich: Viel muss sie von der Mutter geerbt haben.

So lernte ich Isa Erthal Thomaz kennen, von der ich schon gehört hatte.

Danach erkannte ich ihre Gegenwart im Buch, das ich begierig las, viele Male wieder aufschlug und in so guter Gesellschaft durchwanderte.

Zwischen dem déjà-vu und dem Werden

Zuvor, bei einem Besuch in Barra Alegre, hatte ich auf der Seite der Familie Erthal einen Text mit dem Titel „Über die Verbindungen zu Barra Alegre / Bom Jardim“ geschrieben, der freundlich zur Veröffentlichung aufgenommen wurde.

Darin versuchte ich jenes Gefühl zu beschreiben, das die Franzosen déjà-vu nennen: jene seltsame Empfindung der Vertrautheit angesichts von etwas, das man schon erlebt zu haben scheint, ohne sich erinnern zu können, wann oder wo.

Diesem Gefühl scheint sich ein anderes, ebenso ruhiges, zuzugesellen, verbunden mit der Idee des Werdens, des fortwährenden Sich-Wandelns, der stillen Bewegung des Lebens auf das hin, was noch kommen soll.

Isa Erthal, obgleich einer früheren Generation als der meinen zugehörig, teilte mit uns dieselbe religiöse Prägung. Wir lebten das Latein der liturgischen Feiern, und später, schon in der Schule, verstanden wir die Bedeutung der Worte, die Jahrhunderte durchquert haben und noch immer Sinn vermitteln.

Das Buch von Isa Erthal ist von der Klarheit eines Blickes durchdrungen, der Kindheit, Jugend, Reife und Lebensabend durchmisst.

Eben darum offenbart es eine verfeinerte Schlichtheit.

In ihm liegt eine ruhige Bewegung zwischen dem Zuvor und dem Jetzt, zwischen Erinnerung und Hoffnung, zwischen dem déjà-vu und dem Werden.

Die guten Dinge, die wahrhaft wohltun, kommen von Gott.

Sie sind einfach. Und gerade deshalb verständlich.

Die Seiten 42 und 43

Ich gebe im Folgenden die Seiten 42 und 43 wieder, ungefähr in der Mitte des Buches gelegen, weil sie einen aufschlussreichen Ausschnitt des wirklichen Lebens offenbaren:

Die Seiten 42 und 43 des Buches Uma Lembrança, Muitas Saudades, aufgeschlagen auf einem Tisch, mit den Berichten über den Richter Doutor Mário Florence, das Kino von Bom Jardim und das Fest vom 13. August
Die Seiten 42 und 43 von Uma Lembrança, Muitas Saudades: der Richter auf der Flucht, das Kino des Doutor Péricles, die Misses im Kino von Cantagalo, das „Alles nur Intrige“ von Dona Julica und das Fest vom 13. August. Foto: Sammlung Amilton Wermelinger Araujo, 2026. Wiedergabe der Buchseiten vorbehaltlich der Zustimmung der Familie Erthal Thomaz.
  • ein Richter (Juiz de Direito), mit dem Tod bedroht;
  • ein einfacher Mann, der ihm Zuflucht bietet;
  • ein wachsamer Schutz, von den Freunden organisiert;
  • ein Landkino, in dem der Schönheitswettbewerb Miss Brasil gezeigt wurde;
  • die bemerkenswerte Ähnlichkeit zwischen der Miss Minas Gerais und Isa Erthal;
  • die alte Zurückhaltung einiger Familien, das den Rochas gehörende Kino zu besuchen;
  • jemand mit gesundem Menschenverstand, der daran erinnerte, dass der elektrische Strom von den Rochas selbst erzeugt und von allen genutzt wurde, auch von den Erthals;
  • Isa, die das unverdächtige Zeugnis von Dona Julica anrief, der Gattin von Péricles Corrêa da Rocha, die schlicht sagte: „Alles nur Intrige!“;
  • im Gegensatz zu diesen kleinen Streitereien das grosse Volksfest vom 13. August, allen offen, die teilnehmen wollten;
  • die Anwesenheit von Freunden, Seminaristen, Politikern von nationalem Ansehen, des Bischofs der Diözese von Nictheroy, der einstigen Hauptstadt der alten Provinz von Rio de Janeiro, und auch zahlloser Menschen der Region;
  • und, im Lauf der Jahre, die Feier des Geburtstags von Eugênio Erthal, die gelassen den Abend seines Lebens begleitete.
Alte handschriftliche Notiz in zeitgenössischer Schrift, zur Erinnerung an den Besuch des Bischofs Dom José Pereira Alves in Barra Alegre am 13. August 1934, signiert von Maria Elza Wermelinger
Das Echo desselben Festes, bewahrt in der Familie des Chronisten: zeitgenössische handschriftliche Notiz — in wahrscheinlicher Lesart „Erinnerung an den Herrn Bischof D. José P. Alves, in Barra Alegre, am 13. August 1934“ —, signiert von Maria Elza Wermelinger, der Mutter des Autors. Derselbe Bischof, dasselbe Fest vom 13. August, das Isa auf den Seiten 42 und 43 beschreibt. Die Parallelen und die Vorsehung, von denen der Anfang dieser Chronik spricht. Foto: Sammlung Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Isa Erthal und Dona Julica Corrêa da Rocha besassen jenen aufmerksamen Blick, wie er weisen Frauen eigen ist.

Schlichte, scharfe und durchdringende Blicke.

Sie schienen sich an der alten Mahnung des Predigers (Kohelet) zu inspirieren:

„Eitelkeit der Eitelkeiten; alles ist Eitelkeit.“

Am Ende waren sie sich einig:

„Wie viel Unsinn... wie viele politische Intrigen zwischen zwei alten und im Bezirk so angesehenen Familien!“

Und die Wirklichkeit selbst besorgte den Beweis dafür, denn nicht wenige waren die Eheschliessungen zwischen Angehörigen der beiden Familien.

Vielleicht würden viele unserer höchsten Autoritäten, läsen sie das Buch von Isa Erthal, jenen gelassenen Blick besser verstehen, der dem von Dona Julica so nahe ist.

Immer sie, die Frauen

Immer sie, die Frauen, die uns austragen, wiegen und grossziehen!

Anmerkung des Archivs

Der Ausschnitt der Seiten 42 und 43 wird hier zusammenfassend, aus der Feder des Autors selbst, wiedererzählt. Die wörtliche Wiedergabe der Seiten aus dem Buch von Isa Erthal Thomaz bedarf, falls gewünscht, der Zustimmung der Familie.

And yet, how could one not speak of the parallels, the coincidences, of Providence and of all that love inspires in the meeting of two-hundred-year-old families? Or would it be better to say sister families (Famílias Coirmãs), as Elio Monnerat Solon de Pontes called them?

My eldest aunt was named Iza, sister of my mother, Maria Elza.

In genealogical research, which the coirmãos love and which so many cultivate, this encounter does not seem accidental. Elisabetha, Iza, Elza, Isa, Elsa, or Elisa appear, not rarely, in old documents, bound as they are to one and the same naming tradition of the families.

Intuition and reason often walk together.

Genealogy and etymology help explain why certain names recur, transform over time, and yet keep one and the same historical root.

I now take up again the path of Isa Erthal's travels, and I try to borrow the gentleness and the simplicity that shine through her writing — so candid and natural in its tenderness that it steals into the memory of her accounts, tales, anecdotes, and reminiscences.

From this I do not wish to stray.

Still very young, sheltered in the lap of Dona Chiquinha, my godmother, Francisca (Wermelinger) Erthal Wermelinger, married to my cousin Alcides José Wermelinger, I would listen to stories.

The settings were always her Barra Alegre; they passed through Pacau and reached Duas Barras.

My grandmother-godmother would parade before my childhood eyes characters, places, events, and circumstances that awakened the perception proper to what was then called the age of reason.

I never knew Isa.

The book on the festival table

Only as I was walking toward the twilight of life, at a gathering of the Erthal family, in the lands of Barra Alegre, where I soon felt at home, did I linger among the rooms of the celebration.

There was a table with books on display.

I came upon Isa's book.

In next to no time, I recognised her.

Kin recognise one another in an instant!

I looked closely at the photographs on the cover and back cover. I leafed through the book quickly. A few pages were enough for me to recognise the author.

Cover and back cover of the book Uma Lembrança, Muitas Saudades by Isa Erthal Thomaz (2001): the author's portrait on the cover and two oil paintings of the Poço D'Antas farm on the back
Cover and back cover of Uma Lembrança, Muitas Saudades (2001). On the cover, the portrait of Isa Erthal Thomaz; on the back, two oil paintings by the author herself — the general view (1991) and the main house (1980) of the Poço D'Antas farm. Edition cover design: Théo Erthal. Photograph: collection of Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

It was as though a brief ray of light lit up, in a few moments, paths that I too had travelled.

The pages were like the paths Isa had trodden.

Like me, barefoot, treading the dust, through places so alike, in the lands of our old Cantagallo.

I hastened to ask Isa's daughter to autograph her mother's book.

She obliged at once, with a cheerful and natural smile, graciously writing the dedication.

Her name: Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira.

Title page of the 2nd edition of Uma Lembrança, Muitas Saudades with a handwritten dedication to the author, signed by Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira, Bom Jardim, RJ, 30/09/2023
The dedication: on the title page of the 2nd edition, Maria Eugênia Erthal Thomaz Figueira signs, “with great joy”, the book written by her mother. Bom Jardim, RJ, 30 September 2023. Photograph: collection of Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Then I thought: she must have inherited much from her mother.

That is how I came to know Isa Erthal Thomaz, of whom I had already heard.

Afterward I recognised her presence in the book, which I read avidly, revisited many times, and travelled through in such good company.

Between the déjà-vu and becoming

Earlier, visiting Barra Alegre, I had written on the Erthal family's page a text titled “On the ties to Barra Alegre / Bom Jardim”, kindly accepted for publication.

In it I tried to describe the feeling the French call déjà-vu: that strange sense of familiarity before something that seems already to have been lived, though we cannot recall when or where.

To this feeling another seems to join, equally serene, tied to the idea of becoming, of the continual coming-to-be, of the silent movement of life toward that which is yet to come.

Isa Erthal, though belonging to a generation before mine, shared with us the same religious formation. We lived the Latin of the liturgical celebrations, and later, already at school, we grasped the meaning of the words that have crossed centuries and still communicate their sense.

Isa Erthal's book is clothed in the clarity of a gaze that runs through childhood, youth, maturity, and the twilight of life.

For that very reason it reveals a refined simplicity.

In it there is a serene movement between the before and the now, between remembrance and hope, between the déjà-vu and becoming.

The good things, those that truly do good, come from God.

They are simple. And for that very reason, they are comprehensible.

Pages 42 and 43

I reproduce below pages 42 and 43, situated roughly at the centre of the book, because they reveal an intriguing scene from real life:

Pages 42 and 43 of the book Uma Lembrança, Muitas Saudades, open on a table, with the accounts of judge Doutor Mário Florence, the Bom Jardim cinema, and the 13 August feast
Pages 42 and 43 of Uma Lembrança, Muitas Saudades: the judge in hiding, Doutor Péricles's cinema, the beauty queens on the Cantagalo screen, Dona Julica's “It's all intrigue!”, and the feast of 13 August. Photograph: collection of Amilton Wermelinger Araujo, 2026. Reproduction of the book's pages subject to the consent of the Erthal Thomaz family.
  • a judge (Juiz de Direito) threatened with death;
  • a simple man who offers him refuge;
  • a watchful protection organised by friends;
  • a country cinema where the Miss Brasil pageant was shown;
  • the remarkable resemblance between Miss Minas Gerais and Isa Erthal;
  • the old reluctance of some families to attend the cinema owned by the Rocha family;
  • someone of good sense recalling that the electricity was produced by the Rochas themselves and used by everyone, the Erthals included;
  • Isa invoking the unimpeachable testimony of Dona Julica, wife of Péricles Corrêa da Rocha, who said with simplicity: “It's all intrigue!”;
  • in contrast to these petty disputes, the great popular feast of 13 August, open to all who wished to take part;
  • the presence of friends, seminarians, politicians of national standing, of the Bishop of the Diocese of Nictheroy — then the former capital of the old Province of Rio de Janeiro — and of countless people from the region as well;
  • and, over the years, the celebration of Eugênio Erthal's birthday, serenely accompanying the twilight of his life.
Old handwritten note in period script, recording the visit of Bishop Dom José Pereira Alves to Barra Alegre on 13 August 1934, signed by Maria Elza Wermelinger
The echo of the same feast, kept in the chronicler's own family: a period handwritten note — in probable reading, “Souvenir of the Bishop D. José P. Alves, in Barra Alegre, on 13 August 1934” — signed by Maria Elza Wermelinger, the author's mother. The same bishop, the same 13 August feast that Isa describes on pages 42 and 43. The parallels and the Providence of which the opening of this chronicle speaks. Photograph: collection of Amilton Wermelinger Araujo, 2026.

Isa Erthal and Dona Julica Corrêa da Rocha possessed that attentive gaze proper to wise women.

Simple, keen, and penetrating gazes.

They seemed to draw inspiration from the old warning of Ecclesiastes:

“Vanity of vanities; all is vanity.”

In the end, they agreed:

“So much nonsense... so many political intrigues between two families so old and so esteemed in the town!”

And reality itself took it upon itself to prove this, for the marriages between members of the two families were not few.

Perhaps, if many of our highest authorities were to read Isa Erthal's book, they would better understand that serene gaze, so close to Dona Julica's.

Always the women

Always the women, those who carry us, cradle us, and raise us!

Archive note

The scene of pages 42 and 43 is retold here in summary, by the author's own hand. The verbatim reproduction of the pages of Isa Erthal Thomaz's book, if desired, depends on the family's consent.
AWA/awa
Nova Friburgo, 09 de julho de 2026
Lugares das Colônias, terras do acolhimento dos vindos da Dispersão.
Colaboração de Amilton Wermelinger Araujo · Arquivo Wermelinger
Nova Friburgo, 9. Juli 2026
Orte der Kolonien, Länder der Aufnahme der aus der Zerstreuung Gekommenen.
Beitrag von Amilton Wermelinger Araujo · Wermelinger-Archiv
Nova Friburgo, 9 July 2026
Places of the Colonies, lands that welcomed those who came from the Dispersion.
A contribution by Amilton Wermelinger Araujo · Wermelinger Archive

Crônica das Famílias Coirmãs · Trilingue · PT · DE · EN Chronik der verschwisterten Familien · Dreisprachig · PT · DE · EN Chronicle of the Sister Families · Trilingual · PT · DE · EN