Pesquisa · 1 de maio de 2026 Forschung · 1. Mai 2026 Research · 1 May 2026
O que o brasão não desenha Was das Wappen nicht zeichnet What the coat of arms does not draw
Arquivo vivo Lebendiges Archiv Living archive
Este texto faz parte de um arquivo em revisão permanente. Quando uma fonte nova é lida, o texto muda, e a mudança fica registrada. O que você lê aqui é a melhor leitura atual, não a palavra final. Dieser Text gehört zu einem Archiv in ständiger Überarbeitung. Wird eine neue Quelle gelesen, ändert sich der Text, und die Änderung wird festgehalten. Was Sie hier lesen, ist die beste gegenwärtige Lesart, nicht das letzte Wort. This text is part of an archive under permanent revision. When a new source is read, the text changes, and the change is recorded. What you read here is the best current reading, not the final word.Nota de método Methodische Anmerkung Note on method
Este texto separa três camadas e não as funde. Fatos sustentados por fonte primária: os Kirchenbücher e os documentos do Staatsarchiv des Kantons Luzern, o Manuscrito 428 da Stiftsbibliothek de Engelberg sobre as bandeiras de Villmergen (1656), e a resposta institucional do mesmo Staatsarchiv recebida em abril de 2026. Camada de catalogação moderna: as fichas de brasão familiar do arquivo (fundo WH 1), que são desenhos do arquivista G. Bachmann dos anos 1940 e 1950, e não documentos de época. Interpretações e tradição: a evolução do nome de Wurmadinger (1462) a Wermelinger registrada em Sidler (1953), a monografia atribuída a Anton Zihlmann-Krebs (ainda não verificada de forma independente), e a recepção brasileira do brasão em Lima Abib (2000). Pendente de leitura direta: os dossiês AKT 113/2265 (processos do Amt Ruswil, 1607-1687) e AKT 213/5378 (Wendelin Wilhelm Xaver, 1819-1845), cotas localizadas mas não lidas; a urkunde original de 24 de outubro de 1656; e a segunda ficha de brasão (a que se atribui a cota WH 1/1101.1), ainda não confirmada no catálogo. Onde a fonte não foi consultada, este arquivo registra a lacuna em vez de fingir certeza. Dieser Text trennt drei Ebenen und vermischt sie nicht. Durch Primärquellen gestützte Tatsachen: die Kirchenbücher und die Dokumente des Staatsarchivs des Kantons Luzern, das Manuskript 428 der Stiftsbibliothek Engelberg über die Villmerger Fahnen (1656), und die im April 2026 erhaltene institutionelle Antwort desselben Staatsarchivs. Moderne Katalogisierungsebene: die Familienwappen-Karteikarten des Archivs (Bestand WH 1), die Zeichnungen des Archivars G. Bachmann aus den 1940er- und 1950er-Jahren sind, keine zeitgenössischen Dokumente. Deutungen und Überlieferung: die Namensentwicklung von Wurmadinger (1462) zu Wermelinger bei Sidler (1953), die Anton Zihlmann-Krebs zugeschriebene Monografie (noch nicht unabhängig überprüft) und die brasilianische Rezeption des Wappens bei Lima Abib (2000). Noch zu lesen: die Akten AKT 113/2265 (Prozesse des Amts Ruswil, 1607-1687) und AKT 213/5378 (Wendelin Wilhelm Xaver, 1819-1845), lokalisiert, aber nicht gelesen; die Originalurkunde vom 24. Oktober 1656; und die zweite Wappenkarte (der die Signatur WH 1/1101.1 zugeschrieben wird), im Katalog noch nicht bestätigt. Wo die Quelle nicht konsultiert wurde, hält dieses Archiv die Lücke fest, anstatt Gewissheit vorzutäuschen. This text separates three layers and does not merge them. Facts supported by primary sources: the Kirchenbücher and the documents of the Staatsarchiv des Kantons Luzern, Manuscript 428 of the Stiftsbibliothek of Engelberg on the Villmergen banners (1656), and the institutional response from the same Staatsarchiv received in April 2026. Modern cataloguing layer: the archive’s family-arms cards (fonds WH 1), which are drawings by the archivist G. Bachmann from the 1940s and 1950s, not period documents. Interpretations and tradition: the evolution of the name from Wurmadinger (1462) to Wermelinger recorded in Sidler (1953), the monograph attributed to Anton Zihlmann-Krebs (not yet independently verified), and the Brazilian reception of the coat of arms in Lima Abib (2000). Pending direct reading: the dossiers AKT 113/2265 (Amt Ruswil proceedings, 1607-1687) and AKT 213/5378 (Wendelin Wilhelm Xaver, 1819-1845), located but not read; the original urkunde of 24 October 1656; and the second arms card (to which the shelfmark WH 1/1101.1 is attributed), not yet confirmed in the catalogue. Where the source has not been consulted, this archive records the gap rather than feign certainty.Você já olhou demoradamente o brasão da família e tentou ver o que ele desenha? Eu também. Há uma marca preta sobre três montes verdes, em campo dourado, e acima dela uma flor-de-lis vermelha entre duas estrelas. Nenhuma das figuras é obviamente uma coisa. A marca preta, especialmente, parece uma tentativa de alguém de desenhar — o quê, exatamente? Um leme? Um candelabro? Uma serpente enrodilhada?
A pergunta não é ociosa. Em alto alemão antigo, wurm significa serpente, dragão, criatura rastejante[1]. O sobrenome WERMELINGER carrega essa raiz. E na heráldica europeia há um caso famoso, atestado desde 1477, em que uma cidade bávara chamada Wurmannsquick adotou um Lindwurm — dragão sem asas — em seu brasão por puro decalque sonoro: o nome continha Wurm, e a heráldica obedeceu ao nome. Era plausível, portanto, esperar que os Wermelinger tivessem feito o mesmo. Durante séculos a possibilidade do dragão ficou em aberto, e é preciso dizer que nenhuma das etimologias do nome é definitiva. Até que, em abril de 2026, um arquivo cantonal suíço respondeu uma consulta, em uma palavra.
Este post abre a trilha Os signos da família. Antes de qualquer pátio, monumento ou túmulo brasileiro, é preciso entender o que a marca é, e o que ela não é.
Linha do tempo do brasão
- séc. XIVforma Wermoldingen documentada para o Hof em Wolhusen.
- 1462forma Wurmadinger atestada em Willisau (Sidler 1953).
- 1477um Wermelinger figura como proprietário de campo em Willisau (Jahrzeitbuch).
- antes de 1559nome estabilizado como Wermelinger.
- 1575fundação da capela de Santo Erasmo em Buholz, comuna de Ruswil.
- 15 de outubro de 1576consagração da capela.
- ~1550–1612Konrad Wermelinger atua como Ammann de Ruswil; morre na peste de 1612.
- 1620nasce em Ruswil Caspar Wermelinger.
- 24 de janeiro de 1656Primeira Guerra de Villmergen; Caspar captura uma bandeira de Lausanne.
- 24 de outubro de 1656Lucerna o premia com um conjunto de prata.
- 1693nasce Joseph Wermelinger, avô do emigrante de 1819; a família está ligada a Willisau.
- 1698ano que figura na legenda de uma ficha do arquivo, associada a Joducus Wermelinger, Weibel zu Wolhusen.
- dezembro de 1819a marca atravessa o Atlântico com Franz Xaver Wermelinger.
- 24 de abril de 2013o brasão reaparece na Praça do Suspiro, Nova Friburgo, em monumento às vítimas do cataclismo de 2011.
- séc. XXo arquivo cantonal desenha as fichas de brasão da família: uma forma confirmada (WH 1/1101.9) e uma segunda, a confirmar (WH 1/1101.1).
- 23 de abril de 2026resposta institucional do Staatsarchiv des Kantons Luzern: abstraktes Sippenzeichen.
I. A marca antes da glória — Buholz, 1575
Antes da bandeira, antes da prata, antes da palavra herói, houve a decisão de erguer uma capela. O lugar era Buholz, povoado da comuna de Ruswil, alguns quilômetros a norte de Wolhusen — onde o próprio nome da família havia nascido como topônimo, no século XIV, sob a forma Wermoldingen[2]. A tradição atribui a fundação, em 1575, a um Ammann da família. Aqui já há um conflito de fonte que o arquivo registra em aberto: a monografia atribuída a Anton Zihlmann-Krebs, antigo escrivão de Hergiswil e ainda não verificada de forma independente, nomeia Hans Wermelinger, Ammann zu Ruswil[3]; outra compilação genealógica traz a forma Jost. Não escolhemos em silêncio entre as duas; registramos a divergência. A consagração veio um ano depois, em 15 de outubro de 1576, com formulação registrada na fonte alemã:
A diferença entre 1575 e 1576 não é contradição. É a distância entre a decisão e a cerimônia. A obra foi decidida por volta de 1575; a capela foi consagrada em 1576.
É a essa capela que a tradição liga a primeira aparição da marca da família: uma figura abstrata negra, uma Hausmarke, sobre um monte triplo verde, em campo dourado. Não havia ainda flor, nem estrela, nem qualquer dos elementos que viriam depois. Mas uma ressalva é necessária, e a pesquisa recente a impõe: a marca abstrata é mais antiga que a capela. Ela aparece, segundo a recepção brasileira canônica (Monnerat, em Lima Abib 2000), já no século XV, numa faixa de comunas a oeste de Lucerna. Onde “1575” aparece estampado em objetos do brasão, como na placa que a família guarda, é convenção posterior, não a data em que a marca foi criada.
A forma abstrata pode ser descrita com precisão: uma Hausmarke negra sobre um monte de três cumeadas verde, em campo dourado, sem flor, sem estrela, sem elmo, sem qualquer figura naturalista. O arquivo cantonal a guarda numa ficha desenhada no século XX — a que se atribui a cota WH 1/1101.1, para Alberswil e Hergiswil, ainda a confirmar no catálogo[11] — e a monografia atribuída a Zihlmann-Krebs reproduz a mesma forma. Esta página descreve essas fichas em vez de reproduzi-las: são desenhos do arquivista G. Bachmann, dos anos 1940 e 1950, não a marca original.
É importante prestar atenção ao que não está nessa marca. Não está o dragão que a etimologia poderia ter convocado. Não está nenhum animal. Não está nenhuma figura legível. A escolha heráldica mais antiga da família foi a abstração. Esse fato vai pesar até o final desta história.
II. A glória — Villmergen, 1656
Oitenta anos depois daquele dia em Buholz, em 24 de janeiro de 1656, um neto de Ruswil chamado Caspar Wermelinger atravessou um campo de batalha em Villmergen. Tinha trinta e seis anos. Era neto de Konrad Wermelinger, Ammann da comuna até morrer da peste em 1612, e filho de Alexander Wermelinger, escrivão e professor. De ofício era Steinmetz — canteiro, talhador de pedra. Ao longo da vida exerceu também, segundo a tradição genealógica documentada no ramo Trienger, funções de Theaterspieler (ator de teatro), juiz no Zwing local entre 1664 e 1682, Feuerschauer (inspetor de fogo) e Brunnenmeister (mestre de fontes)[5]. O ofício de canteiro pode soar humilde aos ouvidos modernos, mas carregava prestígio na economia das paróquias suíças do XVII: era profissão registrada, com cidadania ativa.
Naquele dia, o exército católico de Lucerna e dos Cantões Livres derrotou as forças protestantes de Berna na Primeira Guerra de Villmergen. As bandeiras dos perdedores tornaram-se troféus. Caspar capturou uma. Era a bandeira da cidade de Lausanne[6]: campo branco com cruz vermelha atravessante, e ao centro o lema dourado DIEU CONDUIT NOZ ALEZE. O número exato de bandeiras capturadas pelos Wermelinger varia segundo a fonte: o Manuscrito 428 da Stiftsbibliothek de Engelberg identifica nominalmente uma; a urkunde de 24 de outubro de 1656 fala em duas; a tradição genealógica brasileira chega a mencionar três. Em vez de escolher um número, este post registra a divergência.
O Conselho de Lucerna agradeceu o feito em 24 de outubro daquele ano com um conjunto de prata e uma urkunde, cuja formulação, transmitida na monografia atribuída a Zihlmann-Krebs, descreve o protagonista nestes termos:
O texto é específico em duas dimensões que a tradição brasileira filtrou. Caspar é chamado, na fonte alemã, exatamente daquilo que ele era: Steinmetz Caspar Wermelinger in Ruswil — o canteiro Caspar Wermelinger de Ruswil. Não é chamado de sargento, nem de Wolhusen, embelezamentos que aparecem em fontes brasileiras posteriores e que não se sustentam nas fontes alemãs. Caspar era de Ruswil, era canteiro, e foi reconhecido como tal.
III. O brasão de 1698 e o que a ficha realmente é
O brasão que a família conhece hoje, o que veio para o Brasil em 1819 e está na Praça do Suspiro de Nova Friburgo, costuma ser chamado de “versão de 1698”. É preciso dizer com cuidado o que isso significa. 1698 não é uma redesignação formal, nem um registro heráldico oficial. É o ano que figura na legenda manuscrita de uma ficha do arquivo cantonal, a Karteikarte 2216, cota WH 1/1101.9: “Wermelinger, Weibel zu Wolhusen, 1698”. Essa ficha, como toda a coleção de brasões familiares do Staatsarchiv, foi desenhada pelo arquivista G. Bachmann nos anos 1940 e 1950, e traz a própria ressalva “ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung”, sem garantia, sem registro oficial[8]. O número 1698 é legenda de um desenho do século XX, não um ato heráldico daquele ano.
A legenda ancora-se numa pessoa concreta. Joducus Wermelinger, Jost na forma curta, nasceu em 1659, casou-se em 1684 com Margaritha Süöss, de Buholz, e em 1698 ocupava o cargo de Weibel, oficial de justiça, em Wolhusen[9]. Aqui é preciso uma distinção que a tradição brasileira embaralhou: a inscrição “Wolhusen, 1698” refere-se a Joducus, não a Caspar. Caspar era de Ruswil, e a urkunde de 1656 o nomeia como tal. Joducus era de Wolhusen, quarenta e dois anos depois. São duas pessoas, dois lugares, duas datas. O parentesco exato entre os dois não está confirmado, e este arquivo não o afirma.
O brasão de 1698 é o que a família reconhece: a Hausmarke negra, o monte triplo verde e o campo dourado da forma antiga, mais os acréscimos que a tradição lê como glória, uma flor-de-lis vermelha e duas estrelas vermelhas de oito pontas. Os significados que a família atribui a esses elementos — a flor como alusão à capela de 1575, as estrelas como alusão ao feito de Caspar em 1656 — são tradição e interpretação, não dados documentados. As estrelas são de oito pontas, não de seis, conforme a recepção brasileira canônica em Lima Abib (2000) e o trabalho de Walter Wermelinger em 2013[10].
A placa que a própria família guarda, com a marca negra sobre o monte de três cumeadas em campo dourado. É a versão da família, não a ficha do arquivo. O “1575” que aparece neste objeto é convenção posterior da memória familiar, não a data comprovada do escudo. As fichas do Staatsarchiv (Karteikarten 2216 e 2208) são descritas no texto, não reproduzidas.
O arquivo cantonal guarda uma ficha confirmada para esse brasão, a WH 1/1101.9 (registro 1626208), com as Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen. Há notícia de uma segunda ficha, a que se atribui a cota WH 1/1101.1, para Alberswil e Hergiswil, mostrando a forma abstrata sem flor nem estrela. Essa segunda ficha ainda não foi confirmada no catálogo, e entra aqui como pista, não como fato. E uma cautela maior: duas fichas desenhadas no século XX não provam uma decisão de ramo do século XVII. Elas mostram que a forma abstrata e a forma composta coexistem no arquivo, não que a família se “ramificou heraldicamente” numa data. O que se pode dizer com segurança é mais simples e mais sólido: a forma abstrata é mais antiga, e a forma composta a preserva no centro.
Para os Wermelinger do Brasil, a linha de Franz Xaver liga-se a Willisau, e é a forma composta que atravessou o Atlântico em 1819. Mas a forma abstrata não é curiosidade lateral: é o que o brasão brasileiro era antes de ganhar suas figuras. Reconhecer isso é reconhecer que a primeira identidade da família foi a abstração.
IV. A resposta de abril de 2026
Em abril de 2026, o Staatsarchiv des Kantons Luzern respondeu institucionalmente uma consulta deste arquivo familiar com uma expressão técnica: abstraktes Sippenzeichen[12]. É signo de clã abstrato. Não é dragão, nem flor estilizada, nem letra inicial, nem instrumento. É uma marca de pertencimento, deliberadamente não-figurativa, que serve para identificar a família em documentos, em propriedades, em sepulturas, sem comprometer-se com nenhuma figura concreta.
Esta resposta tem peso por duas razões. Vem do arquivo cantonal que custódia as fichas heráldicas da família, e não é opinião de heraldista, é descrição técnica de quem guarda a fonte. E usa um termo da disciplina alemã (Sippenzeichen = marca de clã) qualificado por abstrakt. O qualificador é deliberado: descarta as leituras figurativas. Não há dragão oculto. Não há serpente disfarçada. A marca foi feita para não ser uma coisa.
V. Por que a família escolheu não desenhar um dragão
A pergunta interessante não é por que o arquivo usa o termo em 2026, mas por que os Wermelinger, em algum momento, escolheram a abstração. A heráldica falante — aquela que decalca o nome em figura — estava disponível. Era a regra na Suíça tardo-medieval, e foi a regra em Wurmannsquick: Wurm no nome, dragão no escudo. Era uma opção legítima. E ela foi recusada.
Pode ter havido uma razão católica. A capela de 1575 era dedicada a Santo Erasmo, e Erasmo tem associação iconográfica problemática com a serpente: na lenda, suas entranhas são extraídas e enroladas num cabrestante, criando o efeito visual de uma serpente em torno de uma haste. Pode-se conjecturar que a família tenha querido proteger a capela do duplo signo. Pode ter havido razões civis, de afirmação de prestígio sem ostentação. Não sabemos a razão exata. O que sabemos é que a marca foi feita para não ser uma coisa: para identificar uma família como família, não como portadora de um animal heráldico ou de uma estirpe nobre. Foi feita como signo, não como imagem.
Hoje, num ramo brasileiro que se liga ao canteiro de Ruswil e à Willisau de Joseph 1693, a marca continua sendo o que sempre foi: o sinal de pertencimento de uma família, sem figura, sem dragão, sem história embelezada. A escolha heráldica mais antiga desta família foi não se dizer mais do que era. É uma escolha que dá o que pensar.
Haben Sie das Familienwappen schon einmal lange betrachtet und versucht zu erkennen, was es darstellt? Mir ging es genauso. Da ist eine schwarze Marke über drei grünen Bergen, in goldenem Feld, und darüber eine rote Lilie zwischen zwei Sternen. Keine dieser Figuren ist eindeutig ein Ding. Besonders die schwarze Marke wirkt wie der Versuch, etwas zu zeichnen — was genau? Ein Ruder? Einen Leuchter? Eine zusammengerollte Schlange?
Die Frage ist nicht nebensächlich. Im Althochdeutschen bedeutet wurm Schlange, Drache, kriechendes Wesen[1]. Der Familienname WERMELINGER trägt diese Wurzel. Und in der europäischen Heraldik gibt es einen berühmten, seit 1477 belegten Fall, in dem eine bayerische Gemeinde namens Wurmannsquick einen Lindwurm — einen flügellosen Drachen — in ihr Wappen aufnahm, als reine lautliche Anspielung: Der Name enthielt Wurm, und die Heraldik folgte dem Namen. Es war also plausibel zu erwarten, dass die Wermelinger dasselbe getan hätten. Jahrhundertelang blieb die Möglichkeit des Drachen offen, und es ist festzuhalten, dass keine der Etymologien des Namens gesichert ist. Bis im April 2026 ein Schweizer Kantonsarchiv eine Anfrage beantwortete, in einem Wort.
Dieser Beitrag eröffnet die Reihe Die Zeichen der Familie. Vor jedem brasilianischen Hof, Denkmal oder Grab muss verstanden werden, was die Marke ist und was sie nicht ist.
Zeitleiste des Wappens
- 14. Jh.die Form Wermoldingen ist für den Hof in Wolhusen dokumentiert.
- 1462die Form Wurmadinger ist in Willisau belegt (Sidler 1953).
- 1477ein Wermelinger erscheint laut Jahrzeitbuch als Feldbesitzer in Willisau.
- vor 1559der Name ist als Wermelinger stabilisiert.
- 1575Stiftung der Kapelle des heiligen Erasmus in Buholz, Gemeinde Ruswil.
- 15. Oktober 1576Weihe der Kapelle.
- ~1550–1612Konrad Wermelinger wirkt als Ammann von Ruswil; er stirbt in der Pest von 1612.
- 1620Caspar Wermelinger wird in Ruswil geboren.
- 24. Januar 1656Erster Villmergerkrieg; Caspar erbeutet eine Fahne von Lausanne.
- 24. Oktober 1656Luzern belohnt ihn mit einem silbernen Trinkgeschirr.
- 1693Joseph Wermelinger wird geboren, Großvater des Auswanderers von 1819; die Familie ist mit Willisau verbunden.
- 1698Jahr, das in der Beschriftung eines Archivblattes erscheint, verbunden mit Joducus Wermelinger, Weibel zu Wolhusen.
- Dezember 1819die Marke überquert mit Franz Xaver Wermelinger den Atlantik.
- 24. April 2013das Wappen erscheint auf der Praça do Suspiro in Nova Friburgo wieder, an einem Denkmal für die Opfer der Katastrophe von 2011.
- 20. Jh.das Kantonsarchiv zeichnet die Wappenkarten der Familie: eine bestätigte Form (WH 1/1101.9) und eine zweite, noch zu bestätigende (WH 1/1101.1).
- 23. April 2026institutionelle Antwort des Staatsarchivs des Kantons Luzern: abstraktes Sippenzeichen.
I. Die Marke vor dem Ruhm — Buholz, 1575
Vor der Fahne, vor dem Silber, vor dem Wort Held stand der Entschluss, eine Kapelle zu errichten. Der Ort war Buholz, ein Weiler der Gemeinde Ruswil, einige Kilometer nördlich von Wolhusen — dort, wo der Familienname selbst im 14. Jahrhundert als Ortsname unter der Form Wermoldingen entstanden war[2]. Die Überlieferung schreibt die Stiftung von 1575 einem Ammann der Familie zu. Hier besteht bereits ein Quellenkonflikt, den das Archiv offen festhält: die Anton Zihlmann-Krebs zugeschriebene Monografie, von einem ehemaligen Gemeindeschreiber von Hergiswil und noch nicht unabhängig überprüft, nennt Hans Wermelinger, Ammann zu Ruswil[3]; eine andere genealogische Kompilation nennt die Form Jost. Wir wählen nicht stillschweigend zwischen beiden; wir halten die Abweichung fest. Die Weihe erfolgte ein Jahr später, am 15. Oktober 1576, mit der in der deutschen Quelle überlieferten Formulierung:
Der Unterschied zwischen 1575 und 1576 ist kein Widerspruch. Es ist der Abstand zwischen Entscheidung und Zeremonie. Der Bau wurde um 1575 beschlossen; die Kapelle wurde 1576 geweiht.
An diese Kapelle knüpft die Überlieferung das erste Erscheinen der Familienmarke: eine abstrakte schwarze Figur, eine Hausmarke, auf einem grünen Dreiberg, in goldenem Feld. Es gab noch keine Blume, keinen Stern, keines der späteren Elemente. Doch eine Einschränkung ist nötig, und die neuere Forschung gebietet sie: die abstrakte Marke ist älter als die Kapelle. Sie erscheint nach der kanonischen brasilianischen Rezeption (Monnerat, bei Lima Abib 2000) bereits im 15. Jahrhundert, in einem Streifen von Gemeinden westlich von Luzern. Wo „1575“ auf Wappenobjekten erscheint, etwa auf der Tafel, die die Familie aufbewahrt, ist es spätere Konvention, nicht das Entstehungsjahr der Marke.
Die abstrakte Form lässt sich genau beschreiben: eine schwarze Hausmarke über einem grünen Dreiberg, in goldenem Feld, ohne Blume, ohne Stern, ohne Helm, ohne naturalistische Figur. Das Kantonsarchiv bewahrt sie auf einem im 20. Jahrhundert gezeichneten Blatt — jenem, dem die Signatur WH 1/1101.1 zugeschrieben wird, für Alberswil und Hergiswil, im Katalog noch zu bestätigen[11] —, und die Zihlmann-Krebs zugeschriebene Monografie gibt dieselbe Form wieder. Diese Seite beschreibt diese Blätter, statt sie zu reproduzieren: Es sind Zeichnungen des Archivars G. Bachmann aus den 1940er- und 1950er-Jahren, nicht die ursprüngliche Marke.
Wichtig ist, darauf zu achten, was in dieser Marke nicht steht. Nicht der Drache, den die Etymologie hätte herbeirufen können. Kein Tier. Keine lesbare Figur. Die älteste heraldische Entscheidung der Familie war die Abstraktion. Diese Tatsache wird bis zum Ende dieser Geschichte Gewicht haben.
II. Der Ruhm — Villmergen, 1656
Achtzig Jahre nach jenem Tag in Buholz durchquerte am 24. Januar 1656 ein Enkel aus Ruswil namens Caspar Wermelinger ein Schlachtfeld in Villmergen. Er war sechsunddreißig Jahre alt. Er war Enkel von Konrad Wermelinger, Ammann der Gemeinde bis zu seinem Tod in der Pest von 1612, und Sohn von Alexander Wermelinger, Schreiber und Lehrer. Von Beruf war er Steinmetz. Im Lauf seines Lebens übte er außerdem, nach der im Trienger Zweig dokumentierten genealogischen Tradition, Tätigkeiten als Theaterspieler, Richter im örtlichen Zwing zwischen 1664 und 1682, Feuerschauer und Brunnenmeister aus[5]. Der Beruf des Steinmetzen mag bescheiden klingen, doch in der Wirtschaft der Schweizer Pfarreien des 17. Jahrhunderts trug er Ansehen: Er war ein registrierter Beruf, verbunden mit aktiver Bürgerschaft.
An jenem Tag besiegte das katholische Heer von Luzern und der Freien Ämter die protestantischen Kräfte Berns im Ersten Villmergerkrieg. Die Fahnen der Verlierer wurden zu Trophäen. Caspar erbeutete eine. Es war die Fahne der Stadt Lausanne[6]: weißes Feld mit durchgehendem rotem Kreuz, in der Mitte das goldene Motto DIEU CONDUIT NOZ ALEZE. Die genaue Zahl der von Wermelingern erbeuteten Fahnen schwankt je nach Quelle: Das Manuskript 428 der Stiftsbibliothek Engelberg nennt namentlich eine; die Urkunde vom 24. Oktober 1656 spricht von zwei; die brasilianische Tradition erwähnt sogar drei. Statt eine Zahl zu wählen, hält dieser Beitrag die Abweichung fest.
Der Rat von Luzern dankte ihm am 24. Oktober desselben Jahres mit einem silbernen Trinkgeschirr und einer Urkunde, deren in der Zihlmann-Krebs zugeschriebenen Monografie überlieferte Formulierung den Protagonisten so beschreibt:
Der Text ist in zwei Punkten genauer, als es die brasilianische Tradition überlieferte. Caspar wird in der deutschen Quelle genau als das bezeichnet, was er war: Steinmetz Caspar Wermelinger in Ruswil — der Steinmetz Caspar Wermelinger aus Ruswil. Er wird nicht Sergeant genannt und auch nicht als aus Wolhusen bezeichnet; solche Ausschmückungen erscheinen in späteren brasilianischen Quellen und werden von den deutschen Quellen nicht gestützt. Caspar war aus Ruswil, er war Steinmetz, und er wurde als solcher anerkannt.
III. Das Wappen von 1698 und was das Blatt wirklich ist
Das Wappen, das die Familie heute kennt, das 1819 nach Brasilien gelangte und heute auf der Praça do Suspiro in Nova Friburgo steht, wird gewöhnlich „Fassung von 1698“ genannt. Man muss sorgfältig sagen, was das bedeutet. 1698 ist keine förmliche Neugestaltung und kein offizieller heraldischer Eintrag. Es ist das Jahr, das in der handschriftlichen Beschriftung eines Archivblattes erscheint, der Karteikarte 2216, Signatur WH 1/1101.9: „Wermelinger, Weibel zu Wolhusen, 1698“. Dieses Blatt wurde, wie die ganze Familienwappensammlung des Staatsarchivs, vom Archivar G. Bachmann in den 1940er- und 1950er-Jahren gezeichnet und trägt den Vorbehalt „ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung“[8]. Die Zahl 1698 ist die Beschriftung einer Zeichnung des 20. Jahrhunderts, kein heraldischer Akt jenes Jahres.
Die Beschriftung knüpft an eine konkrete Person an. Joducus Wermelinger, kurz Jost, wurde 1659 geboren, heiratete 1684 Margaritha Süöss aus Buholz und bekleidete 1698 das Amt eines Weibels, eines Gerichtsdieners, in Wolhusen[9]. Hier ist eine Unterscheidung nötig, die die brasilianische Tradition durcheinandergebracht hat: die Inschrift „Wolhusen, 1698“ bezieht sich auf Joducus, nicht auf Caspar. Caspar war aus Ruswil, und die Urkunde von 1656 nennt ihn ausdrücklich so. Joducus war zweiundvierzig Jahre später in Wolhusen. Zwei Personen, zwei Orte, zwei Daten. Der genaue Verwandtschaftsgrad zwischen beiden ist nicht bestätigt, und dieses Archiv behauptet ihn nicht.
Das Wappen von 1698 ist jenes, das die Familie kennt: die schwarze Hausmarke, der grüne Dreiberg und das goldene Feld der alten Form, dazu die Zusätze, welche die Tradition als Ruhm liest, eine rote Lilie und zwei rote achtzackige Sterne. Die Bedeutungen, die die Familie diesen Elementen zuschreibt — die Lilie als Anspielung auf die Kapelle von 1575, die Sterne als Anspielung auf Caspars Tat von 1656 —, sind Tradition und Deutung, keine dokumentierten Tatsachen. Die Sterne haben acht Spitzen, nicht sechs, wie die kanonische brasilianische Tradition bei Lima Abib (2000) und die Arbeit von Walter Wermelinger (2013) festhalten[10].
Die Tafel, die die Familie selbst aufbewahrt, mit der schwarzen Marke über dem Dreiberg in goldenem Feld. Es ist die Fassung der Familie, nicht das Archivblatt. Das „1575“, das auf diesem Objekt erscheint, ist spätere Konvention der Familienerinnerung, nicht das belegte Datum des Schildes. Die Blätter des Staatsarchivs (Karteikarten 2216 und 2208) werden im Text beschrieben, nicht reproduziert.
Das Kantonsarchiv bewahrt eine bestätigte Karte für dieses Wappen, die WH 1/1101.9 (Eintrag 1626208), mit den Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt und Wolhusen. Es gibt Hinweise auf eine zweite Karte, der die Signatur WH 1/1101.1 zugeschrieben wird, für Alberswil und Hergiswil, mit der abstrakten Form ohne Lilie und Sterne. Diese zweite Karte ist im Katalog noch nicht bestätigt und erscheint hier als Hinweis, nicht als Tatsache. Und eine größere Vorsicht: zwei im 20. Jahrhundert gezeichnete Karten beweisen keine Zweigentscheidung des 17. Jahrhunderts. Sie zeigen, dass die abstrakte und die zusammengesetzte Form im Archiv nebeneinander bestehen, nicht dass sich die Familie zu einem Zeitpunkt „heraldisch verzweigt“ hat. Was sich sicher sagen lässt, ist einfacher und solider: die abstrakte Form ist älter, und die zusammengesetzte Form bewahrt sie im Zentrum.
Für die Wermelinger in Brasilien ist die Linie Franz Xavers mit Willisau verbunden, und es ist die zusammengesetzte Form, die 1819 den Atlantik überquerte. Doch die abstrakte Form ist keine Randkuriosität: Sie ist das, was das brasilianische Wappen war, bevor es seine Figuren erhielt. Dies anzuerkennen heißt anzuerkennen, dass die erste Identität der Familie die Abstraktion war.
IV. Die Antwort vom April 2026
Im April 2026 beantwortete das Staatsarchiv des Kantons Luzern eine Anfrage dieses Familienarchivs mit einem technischen Ausdruck: abstraktes Sippenzeichen[12]. Es ist ein abstraktes Sippenzeichen. Kein Drache, keine stilisierte Blume, kein Anfangsbuchstabe, kein Gerät. Es ist eine Zugehörigkeitsmarke, bewusst nicht-figurativ, die die Familie in Dokumenten, auf Besitz, auf Gräbern identifiziert, ohne sich auf eine konkrete Figur festzulegen.
Diese Antwort hat aus zwei Gründen Gewicht. Sie kommt vom Kantonsarchiv, das die heraldischen Karten der Familie verwahrt, und ist keine Meinung eines Heraldikers, sondern die technische Beschreibung der Institution, die die Quelle hütet. Und sie verwendet einen Begriff der deutschen Heraldik (Sippenzeichen) qualifiziert durch abstrakt. Der Zusatz ist bewusst: Er verwirft die figurativen Lesarten. Es gibt keinen verborgenen Drachen. Keine verkleidete Schlange. Die Marke wurde absichtlich gegenständlich offen gehalten.
V. Warum die Familie keinen Drachen zeichnete
Die interessante Frage ist nicht, warum das Archiv 2026 den Begriff verwendet, sondern warum die Wermelinger sich irgendwann für die Abstraktion entschieden. Die sprechende Heraldik — jene, die den Namen in eine Figur überträgt — stand zur Verfügung. Sie war im spätmittelalterlichen Schweizer Raum üblich, und sie war die Regel in Wurmannsquick: Wurm im Namen, Drache im Schild. Es war eine legitime Möglichkeit. Und sie wurde verweigert.
Es kann einen katholischen Grund gegeben haben. Die Kapelle von 1575 war dem heiligen Erasmus geweiht, und Erasmus besitzt eine problematische ikonografische Verbindung zur Schlange: In der Legende werden seine Eingeweide herausgezogen und um eine Winde gewickelt, wodurch das Bild einer Schlange um eine Stange entsteht. Man kann vermuten, dass die Familie die Kapelle vor diesem doppelten Zeichen schützen wollte. Es kann auch zivile Gründe gegeben haben, die Behauptung von Ansehen ohne Prunk. Den genauen Grund kennen wir nicht. Was wir wissen: Die Marke wurde absichtlich gegenständlich offen gehalten. Sie wurde gemacht, um eine Familie als Familie zu identifizieren, nicht als Träger eines heraldischen Tieres oder eines Adelsgeschlechts. Sie wurde als Zeichen gemacht, nicht als Bild.
Heute, in einem brasilianischen Zweig, der mit dem Steinmetz aus Ruswil und mit der Willisau Josephs von 1693 verbunden ist, bleibt die Marke, was sie immer war: das Zugehörigkeitszeichen einer Familie, ohne Figur, ohne Drachen, ohne ausgeschmückte Geschichte. Die älteste heraldische Entscheidung dieser Familie war, nicht mehr über sich zu sagen, als sie war. Das gibt zu denken.
Have you ever looked carefully at the family coat of arms and tried to see what it draws? So have I. There is a black mark above three green mounts, on a golden field, and above it a red fleur-de-lis between two stars. None of the figures is obviously a thing. The black mark, especially, looks like someone’s attempt to draw — what, exactly? A rudder? A candelabrum? A coiled serpent?
The question is not idle. In Old High German, wurm means serpent, dragon, crawling creature[1]. The surname WERMELINGER carries that root. And in European heraldry there is a famous case, attested since 1477, in which a Bavarian town called Wurmannsquick adopted a Lindwurm — a wingless dragon — in its coat of arms by pure phonetic analogy: the name contained Wurm, and heraldry obeyed the name. It was therefore plausible to expect the Wermelinger to have done the same. For centuries the possibility of the dragon remained open, and it must be said that none of the etymologies of the name is settled. Until, in April 2026, a Swiss cantonal archive answered an inquiry, in a single word.
This post opens the series The signs of the family. Before any Brazilian courtyard, monument, or grave, one must understand what the mark is, and what it is not.
Timeline of the coat of arms
- 14th c.the form Wermoldingen is documented for the Hof in Wolhusen.
- 1462the form Wurmadinger is attested in Willisau (Sidler 1953).
- 1477a Wermelinger appears as a field owner in Willisau, according to the Jahrzeitbuch.
- before 1559the name is stabilized as Wermelinger.
- 1575founding of the chapel of Saint Erasmus in Buholz, municipality of Ruswil.
- 15 October 1576consecration of the chapel.
- ~1550–1612Konrad Wermelinger serves as Ammann of Ruswil; he dies in the plague of 1612.
- 1620Caspar Wermelinger is born in Ruswil.
- 24 January 1656First War of Villmergen; Caspar captures a banner from Lausanne.
- 24 October 1656Lucerne rewards him with a silver drinking vessel.
- 1693Joseph Wermelinger is born, grandfather of the emigrant of 1819; the family is linked to Willisau.
- 1698year appearing in the legend of an archive card, associated with Joducus Wermelinger, Weibel zu Wolhusen.
- December 1819the mark crosses the Atlantic with Franz Xaver Wermelinger.
- 24 April 2013the coat of arms reappears at Praça do Suspiro, Nova Friburgo, in a monument to the victims of the 2011 catastrophe.
- 20th c.the cantonal archive draws the family’s arms cards: one confirmed form (WH 1/1101.9) and a second, to be confirmed (WH 1/1101.1).
- 23 April 2026institutional answer from the Staatsarchiv des Kantons Luzern: abstraktes Sippenzeichen.
I. The mark before the glory — Buholz, 1575
Before the banner, before the silver, before the word hero, there was the decision to build a chapel. The place was Buholz, a hamlet in the municipality of Ruswil, a few kilometres north of Wolhusen — where the family name itself had arisen as a toponym in the fourteenth century, under the form Wermoldingen[2]. Tradition attributes the founding, in 1575, to an Ammann of the family. Here there is already a conflict of sources that the archive records openly: the monograph attributed to Anton Zihlmann-Krebs, by a former municipal clerk of Hergiswil and not yet independently verified, names Hans Wermelinger, Ammann zu Ruswil[3]; another genealogical compilation gives the form Jost. We do not choose silently between the two; we record the divergence. The consecration came one year later, on 15 October 1576, with the wording preserved in the German source:
The difference between 1575 and 1576 is not a contradiction. It is the distance between the decision and the ceremony. The work was decided around 1575; the chapel was consecrated in 1576.
It is to this chapel that tradition links the first appearance of the family’s mark: an abstract black figure, a Hausmarke, on a green triple mount, on a golden field. There was as yet no flower, no star, none of the elements that would come later. But a qualification is needed, and recent research imposes it: the abstract mark is older than the chapel. It appears, according to the canonical Brazilian reception (Monnerat, in Lima Abib 2000), as early as the fifteenth century, in a strip of communes west of Lucerne. Where “1575” appears stamped on objects of the coat of arms, such as the plaque the family keeps, it is later convention, not the date on which the mark was created.
The abstract form can be described precisely: a black Hausmarke over a green triple mount, on a golden field, without flower, without star, without helmet, without any naturalistic figure. The cantonal archive keeps it on a card drawn in the twentieth century — the one to which the shelfmark WH 1/1101.1 is attributed, for Alberswil and Hergiswil, still to be confirmed in the catalogue[11] — and the monograph attributed to Zihlmann-Krebs reproduces the same form. This page describes these cards rather than reproducing them: they are drawings by the archivist G. Bachmann from the 1940s and 1950s, not the original mark.
It is important to notice what is not present in this mark. Not the dragon that etymology might have summoned. Not any animal. Not any legible figure. The family’s oldest heraldic choice was abstraction. This fact will matter until the end of this story.
II. The glory — Villmergen, 1656
Eighty years after that day in Buholz, on 24 January 1656, a grandson from Ruswil named Caspar Wermelinger crossed a battlefield at Villmergen. He was thirty-six years old. He was the grandson of Konrad Wermelinger, Ammann of the commune until he died in the plague of 1612, and the son of Alexander Wermelinger, clerk and teacher. By trade he was a Steinmetz — a stonemason. During his life he also held, according to the genealogical tradition documented in the Trienger branch, functions as Theaterspieler (theatre actor), judge in the local Zwing between 1664 and 1682, Feuerschauer (fire inspector), and Brunnenmeister (master of fountains)[5]. The stonemason’s trade may sound humble, but it carried prestige in the economy of seventeenth-century Swiss parishes: it was a registered profession, with active citizenship.
That day, the Catholic army of Lucerne and the Free Offices defeated the Protestant forces of Bern in the First War of Villmergen. The losers’ banners became trophies. Caspar captured one. It was the banner of the city of Lausanne[6]: a white field with a red cross throughout, and in the centre the golden motto DIEU CONDUIT NOZ ALEZE. The exact number of banners captured by the Wermelinger varies by source: Manuscript 428 of the Stiftsbibliothek of Engelberg identifies one by name; the urkunde of 24 October 1656 speaks of two; the Brazilian tradition even mentions three. Rather than choose a number, this post records the divergence.
The Council of Lucerne thanked him on 24 October of that year with a silver drinking vessel and an urkunde, whose wording, transmitted in the monograph attributed to Zihlmann-Krebs, describes the protagonist as follows:
The text is specific in two dimensions that the Brazilian tradition filtered. Caspar is called, in the German source, exactly what he was: Steinmetz Caspar Wermelinger in Ruswil — the stonemason Caspar Wermelinger of Ruswil. He is not called a sergeant, nor a man of Wolhusen, embellishments that appear in later Brazilian sources and that the German sources do not support. Caspar was from Ruswil, he was a stonemason, and he was recognized as such.
III. The 1698 coat of arms and what the card really is
The coat of arms the family knows today, the one that came to Brazil in 1819 and stands today at Praça do Suspiro in Nova Friburgo, is usually called the “1698 version.” One must say carefully what that means. 1698 is not a formal redesign, nor an official heraldic record. It is the year appearing in the handwritten legend of a cantonal archive card, Karteikarte 2216, shelfmark WH 1/1101.9: “Wermelinger, Weibel zu Wolhusen, 1698.” That card, like the whole family-arms collection of the Staatsarchiv, was drawn by the archivist G. Bachmann in the 1940s and 1950s, and it carries the very disclaimer “ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung”, without warranty, no official registration[8]. The number 1698 is the legend of a twentieth-century drawing, not a heraldic act of that year.
The legend anchors itself in a concrete person. Joducus Wermelinger, Jost in the short form, was born in 1659, married Margaritha Süöss of Buholz in 1684, and in 1698 held the office of Weibel, court officer, in Wolhusen[9]. Here a distinction must be drawn that the Brazilian tradition has blurred: the inscription “Wolhusen, 1698” refers to Joducus, not to Caspar. Caspar was from Ruswil, and the urkunde of 1656 names him as such. Joducus was of Wolhusen forty-two years later. Two people, two places, two dates. The exact kinship between the two is not confirmed, and this archive does not assert it.
The 1698 coat of arms is the one the family recognizes: the black Hausmarke, the green triple mount, and the golden field of the old form, plus the additions that tradition reads as glory, a red fleur-de-lis and two red eight-pointed stars. The meanings the family attributes to these elements — the flower as an allusion to the chapel of 1575, the stars as an allusion to Caspar’s deed of 1656 — are tradition and interpretation, not documented facts. The stars are eight-pointed, not six, as recorded by the canonical Brazilian tradition in Lima Abib (2000) and the work of Walter Wermelinger (2013)[10].
The plaque the family itself keeps, with the black mark over the triple mount on a golden field. It is the family’s own version, not the archive card. The “1575” that appears on this object is later convention of family memory, not the documented date of the shield. The Staatsarchiv cards (Karteikarten 2216 and 2208) are described in the text, not reproduced.
The cantonal archive keeps one confirmed card for this coat of arms, WH 1/1101.9 (record 1626208), with the Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt, and Wolhusen. There is notice of a second card, to which the shelfmark WH 1/1101.1 is attributed, for Alberswil and Hergiswil, showing the abstract form without flower or star. That second card has not yet been confirmed in the catalogue, and enters here as a lead, not as a fact. And a greater caution: two cards drawn in the twentieth century do not prove a seventeenth-century branch decision. They show that the abstract and the composed forms coexist in the archive, not that the family “branched heraldically” on a date. What can be said with certainty is simpler and more solid: the abstract form is older, and the composed form preserves it at its centre.
For the Wermelinger of Brazil, the line of Franz Xaver is linked to Willisau, and it is the composed form that crossed the Atlantic in 1819. But the abstract form is not a side curiosity: it is what the Brazilian coat of arms was before it gained its figures. To recognize this is to recognize that the family’s first identity was abstraction.
IV. The answer of April 2026
In April 2026, the Staatsarchiv des Kantons Luzern answered an inquiry from this family archive with a technical expression: abstraktes Sippenzeichen[12]. It is an abstract clan sign. It is not a dragon, nor a stylized flower, nor an initial letter, nor an instrument. It is a mark of belonging, deliberately non-figurative, serving to identify the family in documents, on property, on graves, without committing itself to any concrete figure.
This answer carries weight for two reasons. It comes from the cantonal archive that keeps the family’s heraldic cards, and it is not a heraldist’s opinion but the technical description of the institution that holds the source. And it uses a term from German heraldic discipline (Sippenzeichen = clan sign) qualified by abstrakt. The qualifier is deliberate: it dismisses the figurative readings. There is no hidden dragon. No disguised serpent. The mark was deliberately kept non-figurative.
V. Why the family chose not to draw a dragon
The interesting question is not why the archive uses the term in 2026, but why the Wermelinger, at some point, chose abstraction. Canting heraldry — the kind that translates a name into an image — was available. It was the rule in late-medieval Switzerland, and it was the rule in Wurmannsquick: Wurm in the name, dragon on the shield. It was a legitimate option. And it was refused.
There may have been a Catholic reason. The chapel of 1575 was dedicated to Saint Erasmus, and Erasmus has a problematic iconographic association with the serpent: in legend, his entrails are drawn out and wound around a windlass, creating the visual effect of a serpent around a shaft. One may conjecture that the family wanted to protect the chapel from the double sign. There may also have been civic reasons, asserting prestige without ostentation. We do not know the exact reason. What we do know is that the mark was made not to be a thing: to identify a family as family, not as the bearer of a heraldic animal or of a noble lineage. It was made as a sign, not as an image.
Today, in a Brazilian branch linked to the stonemason of Ruswil and to the Willisau of Joseph 1693, the mark remains what it always was: the sign of belonging of a family, without figure, without dragon, without embellished history. The oldest heraldic choice of this family was not to say more about itself than it was. That is a choice worth thinking about.
Notas e fontes Anmerkungen und Quellen Notes and sources
- Sobre wurm em alto alemão antigo (serpente, dragão) e a heráldica falante de Wurmannsquick (1477): registros do Haus der Bayerischen Geschichte e da Heraldry Wiki. Usado aqui como hipótese tentadora que o arquivo desmente; nenhuma etimologia do nome é definitiva.
- Forma Wermoldingen documentada para o Hof em Wolhusen no século XIV (Jahrzeitbücher de Ruswil; memória do projeto registra Urbar de 1306). Também em Toni Wermelinger (Vorfahren) e Simon Wermelinger (comunicação pessoal, 12 de abril de 2026).
- Atribuída a ZIHLMANN-KREBS, Anton, Familien Wermelinger (monografia genealógica, trad. parcial de Walter Wermelinger): “Ein Hans Wermelinger, der Ammann zu Ruswil war, liess 1575 die dem hl. Erasmus geweihte Kapelle im Weiler Buholz bauen”. Fonte secundária não verificada de forma independente. A forma Jost aparece em outra compilação; o conflito fica registrado em aberto.
- Consagração em 15 de outubro de 1576, citação transmitida na mesma monografia (nota 3). Tradução aproximada: “Em 15 de outubro de 1576 foi consagrada a capela de Santo Erasmo, em Ruswil, recém-construída em Buchholz pelo Ammann Wermellinger, com dois altares e um sino”.
- Ofícios de Caspar (Steinmetz, Theaterspieler, juiz no Zwing 1664-1682, Feuerschauer, Brunnenmeister) e a cadeia Konrad → Alexander → Caspar: SIDLER, Franz, Geschlechter-Buch von Willisau (1953), e S. Wermelinger, comunicação pessoal, 12 de abril de 2026, baseada nos Kirchenbücher de Ruswil.
- Atribuição da Bandeira de Lausanne a Caspar na Primeira Guerra de Villmergen, 24 de janeiro de 1656: HARTMANN, P. Plazidus, “Das Villmerger Fahnenbüchlein im Stift Engelberg”, Archivum Heraldicum 75, caderno 4, 1961, DOI 10.5169/seals-746320, analisando o Manuscrito 428 da Stiftsbibliothek de Engelberg.
- Urkunde de 24 de outubro de 1656, citada na monografia atribuída a Zihlmann-Krebs (nota 3). O original arquival no Staatsarchiv des Kantons Luzern permanece pendente de leitura.
- Ficha WH 1/1101.9 (registro 1626208), Karteikarte 2216, Familienwappen Wermelinger, Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt, Wolhusen; datada 20. Jh. (ca.). A coleção WH 1 foi compilada por J. Gauch e P. X. Weber e desenhada pelo arquivista G. Bachmann nos anos 1940 e 1950; a própria ficha traz “ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung”. Catálogo: query-staatsarchiv.lu.ch.
- Joducus Wermelinger (*1659), casado em 1684 com Margaritha Süöss de Buholz, Weibel zu Wolhusen: dados em Vorfahren (Toni Wermelinger). O parentesco com Caspar não está confirmado.
- Estrelas de oito pontas: recepção brasileira canônica em LIMA ABIB, Alberto, A família Wermelinger (Nova Friburgo, 2000), cap. II, por Elio Monnerat Sólon de Pontes; e Walter Wermelinger, blog, 24 de abril de 2013.
- Segunda ficha, a que se atribui a cota WH 1/1101.1 (forma abstrata, Alberswil e Hergiswil): a busca no catálogo não confirmou o registro a ela atribuído (1626200); só entra como afirmação quando verificada. A mesma forma abstrata é reproduzida na monografia atribuída a Zihlmann-Krebs, como corroboração secundária, ainda não verificada.
- Staatsarchiv des Kantons Luzern, resposta institucional de 23 de abril de 2026, confirmando abstraktes Sippenzeichen e as Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen.
Fontes primárias e de catálogo Primär- und Katalogquellen Primary and catalogue sources
- Staatsarchiv des Kantons Luzern, WH 1/1101.9 — Familienwappen Wermelinger. Heimatgemeinden: Willisau-Land, Willisau-Stadt, Wolhusen. Karteikarte 2216, desenho do século XX (Bachmann), “keine amtliche Registrierung”. Descrita no texto, não reproduzida.
- Staatsarchiv des Kantons Luzern, WH 1/1101.1 (atribuída), Alberswil e Hergiswil, forma abstrata. registro a confirmar — a busca não confirmou o número 1626200.
- Manuscrito 428, Stiftsbibliothek de Engelberg — lista das bandeiras tomadas em Villmergen, 24 de janeiro de 1656; contém a Bandeira de Lausanne atribuída a Caspar Wermelinger.
- Urkunde vom 24. Oktober 1656 — honra por Schultheiss e Rat de Lucerna pelo feito de Villmergen. Staatsarchiv des Kantons Luzern. verificação física pendente
- Staatsarchiv des Kantons Luzern, AKT 113/2265 (Fach 13 Personalien, processos do Amt Ruswil, 1607-1687, com menção a um Kaspar Wermelinger). Por proximidade arquival, corrobora, não confirma, a vinculação de Caspar ao Amt Ruswil. Registro DLS. conteúdo pendente de leitura
- Staatsarchiv des Kantons Luzern, AKT 213/5378 (Wendelin Wilhelm Xaver, 1819-1845), candidato pendente para o registro cantonal da emigração; o nome diverge de Franz Xaver. Registro DLS. conteúdo pendente de leitura
Fontes secundárias densas Dichte Sekundärquellen Dense secondary sources
- HARTMANN, P. Plazidus. “Das Villmerger Fahnenbüchlein im Stift Engelberg”. Archivum Heraldicum 75, caderno 4, 1961. DOI 10.5169/seals-746320.
- SIDLER, Franz. Geschlechter-Buch von Willisau. Heimatkunde des Wiggertals 14, 1953. DOI 10.5169/seals-718397.
- WERMELINGER, Simon. Die Trienger Wermelinger Familie. Comunicação pessoal, 12 de abril de 2026.
- Vorfahren. Compilação genealógica do ramo Trienger, wertech.ch/pdf/vorfahren.pdf.
- ZIHLMANN-KREBS, Anton (atribuída). Familien Wermelinger. não verificada — sustenta o nome do fundador (Hans) e as citações alemãs; verificar existência e teor antes de uso definitivo.
Recepção brasileira Brasilianische Rezeption Brazilian reception
- LIMA ABIB, Alberto. A família Wermelinger. Nova Friburgo, 2000. Cap. II, “O brasão da família Wermelinger”, por Elio Monnerat Sólon de Pontes. Fonte canônica da recepção brasileira; comparativa, não prova dos fatos suíços.
- Wermelinger, Walter. “Brasão da família Wermelinger em Nova Friburgo, na Praça do Suspiro”. afamiliawermelinger.blogspot.com, 24 de abril de 2013.
Trilha Os signos da família · Post 1 de 5
Arquivo Wermelinger — onde a história é verificada, não repetida Duas Barras, Rio de Janeiro · 1. Mai 2026, revidiert im Juni 2026
Reihe Die Zeichen der Familie · Beitrag 1 von 5
Wermelinger-Archiv — wo Geschichte geprüft wird, nicht wiederholt Duas Barras, Rio de Janeiro · 1 May 2026, revised June 2026
Series The signs of the family · Post 1 of 5
Wermelinger Archive — where history is verified, not repeated
PT canônico · DE & EN traduções, revisão alemã pendente de Simon Wermelinger PT kanonisch · DE & EN Übersetzungen, deutsche Revision durch Simon Wermelinger ausstehend PT canonical · DE & EN translations, German revision pending from Simon Wermelinger
Nenhum comentário:
Postar um comentário