Mostrando postagens com marcador Família Wermelinger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família Wermelinger. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Um pequeno anel, uma bonita história

Memória · Willisau · Ringli Erinnerung · Willisau · Ringli Memory · Willisau · Ringli

Os Willisauer Ringli e o elo entre duas pátrias Die Willisauer Ringli und das Band zwischen zwei Heimaten The Willisauer Ringli and the bond between two homelands

Existem coisas que valem mais pelo que representam do que pelo seu tamanho ou pelo seu valor material.

Na fotografia aparecem alguns “Willisauer Ringli”, os tradicionais biscoitos em forma de anel produzidos na cidade de Willisau, no Cantão de Lucerna, Suíça.

Willisau e seus tradicionais Willisauer Ringli — imagens que aproximam a cidade de origem e a memória familiar.

Conhecidos há séculos, são preparados segundo receitas tradicionais e distinguem-se pela forma circular, pelo delicado aroma de especiarias e pela característica textura firme e crocante.

Tornaram-se um dos símbolos gastronômicos de Willisau, nossa cidade de origem na Suíça.

Para muitos, são apenas um saboroso souvenir.

Para nós, porém, significam muito mais.

Foi de Willisau que, em 1819, partiram os nossos antepassados rumo ao Brasil, integrando a primeira imigração suíça organizada pelo Governo Português para a fundação da Colônia de Nova Friburgo.

Entre eles encontravam-se Xaver Wermelinger e Catharina Eggly Wermelinger que, trazendo os filhos pelas mãos, deram origem a uma numerosa descendência ao longo de mais de dois séculos.

Nós, seus descendentes, espalhamo-nos por Nova Friburgo, Duas Barras, Bom Jardim, Sumidouro, Carmo, Itaocara, terras da antiga Cantagalo e, posteriormente, por diversos rincões do Brasil.

Assim, esses pequenos anéis acabam por simbolizar um elo entre duas pátrias, duas histórias, inúmeras vidas vividas e gerações que continuam a crescer.

Às vezes, um simples biscoito desperta lembranças, aproxima famílias e recorda que a memória também tem sabor.

Es gibt Dinge, deren Bedeutung weit über ihre Grösse oder ihren materiellen Wert hinausgeht.

Auf der Fotografie sind einige „Willisauer Ringli“ zu sehen – ein traditionelles ringförmiges Gebäck aus dem Städtchen Willisau im Kanton Luzern, Schweiz.

Willisau und seine traditionellen Willisauer Ringli — Bilder, die den Herkunftsort und die Familienerinnerung miteinander verbinden.

Seit Jahrhunderten bekannt, werden sie nach überlieferten Rezepten hergestellt und zeichnen sich durch ihre runde Form, das feine Aroma von Gewürzen und ihre charakteristische feste, knusprige Beschaffenheit aus.

Sie wurden zu einem der gastronomischen Wahrzeichen von Willisau, unserer Herkunftsstadt in der Schweiz.

Für viele sind sie nur ein schmackhaftes Souvenir.

Für uns aber bedeuten sie weit mehr.

Von Willisau aus brachen 1819 unsere Vorfahren nach Brasilien auf, als Teil der ersten von der portugiesischen Regierung organisierten schweizerischen Auswanderung zur Gründung der Kolonie Nova Friburgo.

Unter ihnen befanden sich Xaver Wermelinger und Catharina Eggly Wermelinger, die, ihre Kinder an der Hand, den Grundstein für eine grosse Nachkommenschaft legten, die sich über mehr als zwei Jahrhunderte hinweg entwickelte.

Wir, ihre Nachkommen, liessen uns in Nova Friburgo, Duas Barras, Bom Jardim, Sumidouro, Carmo, Itaocara und in der ehemaligen Region Cantagalo nieder und später in vielen weiteren Teilen Brasiliens.

So werden diese kleinen Ringe zum Sinnbild eines Bandes zwischen zwei Heimaten, zwei Geschichten, unzähligen gelebten Leben und Generationen, die weiter wachsen.

Manchmal weckt ein einfaches Gebäck Erinnerungen, bringt Familien einander näher und erinnert uns daran, dass auch Erinnerung einen Geschmack hat.

There are things whose worth lies more in what they represent than in their size or material value.

The photograph shows some “Willisauer Ringli”, the traditional ring-shaped biscuits made in the town of Willisau, in the canton of Lucerne, Switzerland.

Willisau and its traditional Willisauer Ringli — images that connect the town of origin with family memory.

Known for centuries, they are prepared according to traditional recipes and are distinguished by their circular shape, their delicate aroma of spices and their characteristic firm, crisp texture.

They have become one of the gastronomic symbols of Willisau, our town of origin in Switzerland.

To many, they are merely a tasty souvenir.

To us, however, they mean far more.

It was from Willisau that, in 1819, our ancestors set out for Brazil, as part of the first organised Swiss emigration, promoted by the Portuguese Government for the founding of the Colony of Nova Friburgo.

Among them were Xaver Wermelinger and Catharina Eggly Wermelinger who, leading their children by the hand, became the ancestors of a large family line that has grown over more than two centuries.

We, their descendants, settled throughout Nova Friburgo, Duas Barras, Bom Jardim, Sumidouro, Carmo, Itaocara, the former region of Cantagalo and, later, many other parts of Brazil.

Thus, these little rings have come to symbolise a bond between two homelands, two histories, countless life stories and generations that continue to grow.

Sometimes a simple biscuit awakens memories, brings families closer and reminds us that memory, too, has a taste.

AWA/awa
Nova Friburgo – Duas Barras – Bom Jardim, 15 de julho de 2026.
Terra das Colônias e dos Vindos da Dispersão.
Nova Friburgo – Duas Barras – Bom Jardim, 15. Juli 2026.
Land der Kolonien und der aus der Zerstreuung Gekommenen.
Nova Friburgo – Duas Barras – Bom Jardim, 15 July 2026.
Land of the Colonies and of Those Who Came from the Diaspora.

Trilingue · PT · DE · EN Dreisprachig · PT · DE · EN Trilingual · PT · DE · EN

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O brasão que me corrigiu três vezes

Crônica · Heráldica · Willisau Chronik · Heraldik · Willisau Chronicle · Heraldry · Willisau

Duas tradições brasileiras, dez escudos suíços, e uma investigação que errou três vezes antes de acertar Zwei brasilianische Überlieferungen, zehn Schweizer Schilde, und eine Untersuchung, die dreimal irrte, bevor sie traf Two Brazilian traditions, ten Swiss shields, and an inquiry that erred three times before getting it right

„In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, beseitet von zwei achtstrahligen roten Sternen und überhöht von roter Lilie.“ „In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, beseitet von zwei achtstrahligen roten Sternen und überhöht von roter Lilie.“ „In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, beseitet von zwei achtstrahligen roten Sternen und überhöht von roter Lilie.“ Blasão da variante de Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen — coleção wappensammlung.ch, fonte: Staatsarchiv Luzern[2] Blasonierung der Variante Willisau-Land, Willisau-Stadt und Wolhusen — Sammlung wappensammlung.ch, Quelle: Staatsarchiv Luzern[2] Blazon of the Willisau-Land, Willisau-Stadt and Wolhusen variant — wappensammlung.ch collection, source: Staatsarchiv Luzern[2]

Nota de método Methodische Anmerkung Note on method

Esta crônica registra uma investigação, incluindo os erros dela. Não dá razão a nenhum dos lados de uma antiga divergência familiar; parte das duas tradições que se preservaram no Brasil e do que as fontes suíças permitem afirmar. Separa três camadas: fatos documentados (as dez fichas catalogadas, o levantamento de Häfliger de 1923, a resposta institucional do Staatsarchiv Luzern de 23 de abril de 2026); tradição e interpretação (as datas de 1575 e 1698, as atribuições da flor de lis e das estrelas a figuras familiares); e lacunas honestas (a datação de cada variante, a origem do sinal e a genealogia gráfica entre as marcas das comunas). Onde há prova, afirma. Onde há tradição, avisa. Onde a pesquisa segue aberta, deixa a porta aberta. Diese Chronik hält eine Untersuchung fest, einschliesslich ihrer Irrtümer. Sie gibt keiner Seite einer alten Familienmeinungsverschiedenheit recht; sie geht von den zwei in Brasilien bewahrten Überlieferungen aus und von dem, was die Schweizer Quellen zu sagen erlauben. Sie trennt drei Ebenen: dokumentierte Tatsachen (die zehn katalogisierten Karteikarten, Häfligers Zusammenstellung von 1923, die institutionelle Antwort des Staatsarchivs Luzern vom 23. April 2026); Überlieferung und Deutung (die Jahreszahlen 1575 und 1698, die Zuschreibung von Lilie und Sternen an Gestalten der Familientradition); und ehrliche Lücken (die Datierung der einzelnen Varianten, die Herkunft des Zeichens und die grafische Genealogie der Marken zwischen den Gemeinden). Wo Beleg besteht, wird behauptet. Wo Überlieferung vorliegt, wird gewarnt. Wo die Forschung offen ist, bleibt die Tür offen. This chronicle records an inquiry, including its errors. It sides with neither party of an old family disagreement; it starts from the two traditions preserved in Brazil and from what the Swiss sources allow to be stated. It separates three layers: documented facts (the ten catalogued cards, Häfliger's 1923 survey, the institutional reply of the Staatsarchiv Luzern of 23 April 2026); tradition and interpretation (the dates 1575 and 1698, the attribution of the fleur-de-lis and the stars to family figures); and honest gaps (the dating of each variant, the origin of the sign, and the graphic genealogy of the marks across the municipalities). Where there is proof, it states. Where there is tradition, it says so. Where research remains open, it leaves the door open.

Entre os descendentes brasileiros de Xaver Wermelinger, o torneiro de Willisau que embarcou em 1819, existe há décadas uma pergunta que divide mesas de almoço: qual é o verdadeiro brasão da família? Uma tradição defende a versão ornamentada, com flor de lis vermelha e duas estrelas, chegada ao Brasil no ano 2000 por cópia do arquivo de Lucerna[8]. Outra guarda uma versão simples, sem flor e sem estrelas, trazida da Suíça em mãos por volta de 1968[9]. Cada lado tem a sua peça, a sua data e a sua certeza.

Eu entrei nessa história querendo dar o veredito. Saí dela corrigido três vezes. E como cada correção me aproximou mais da verdade do que a resposta que eu procurava, conto a investigação como ela foi: pelos erros.

Primeiro erro: achar que eram dois

Minha primeira convicção era a mesma da família: que havia dois brasões em disputa, e que um deles tinha de ser o certo. Bastou abrir a coleção de brasões familiares suíços para essa moldura ruir. Os Wermelinger não figuram lá com um escudo, nem com dois. Figuram com nove fichas na coleção do Staatsarchiv de Lucerna, uma para cada grupo de comunas onde a família se enraizou: Willisau e Wolhusen; Alberswil e Hergiswil; Ruswil e Sempach; Buttisholz; Schenkon, Sursee e Triengen; Entlebuch e suas vizinhas; Ebersecken, Nebikon e Reiden; Egolzwil; Gelfingen, Kriens e Horw. E ainda uma décima entrada, de Wolhusen, registrada numa outra fonte, de 1955[1]. A cor do campo muda de região para região: ouro, vermelho, verde, azul. O monte de três cimos aparece na maioria, falta em algumas. As estrelas surgem em umas, não em outras.

A disputa brasileira, que parecia um duelo, era na verdade um fragmento minúsculo de uma constelação. Não havia trono para dois pretendentes. Havia um cantão inteiro de variantes, e nenhuma delas se apresentava como a matriz das outras.

Segundo erro: achar que a marca era uma só

Corrigido o número, agarrei-me a um padrão que parecia salvar a ideia de unidade: em todas as variantes havia, no centro, uma marca preta. Escrevi, com a pressa de quem encontra o que procurava, que essa marca era idêntica em todas, o elo de tudo, o mesmo traço repetido nove vezes.

Não é. Foi preciso pôr as fichas lado a lado, e foi um olhar mais paciente que o meu que notou primeiro: o sinal central muda de desenho conforme a comuna. Na variante de Buttisholz, a que reproduz a pintura da capela de Soppensee, o que se vê é uma figura de braços alargados que qualquer um leria como uma cruz[4]. Na variante de Willisau, a nossa, o sinal é um traço geométrico, anguloso, sem leitura de cruz nenhuma. Não é um carimbo repetido. São desenhos diferentes.

Aqui a investigação podia ter se despedaçado, porque se nem a marca é a mesma, o que sobra de comum? Duas coisas a recompuseram. A primeira veio do próprio catálogo: a coleção descreve o sinal de Buttisholz, o de aparência de cruz, com a mesma palavra que usa para todos os outros, Hauszeichen, marca de casa. Para o arquivo, as dez entradas portam um só tipo de sinal, ainda que desenhado de dez maneiras[1]. A segunda veio da teoria heráldica, e com elegância: uma marca de casa organiza-se em torno de uma haste vertical, à qual se somam travessas, escoras e remates, e pode, sim, assumir forma de cruz sem por isso ser um símbolo religioso. Mais revelador ainda: acrescentar ou suprimir um único traço era, historicamente, o modo de diferenciar a mesma marca entre ramos e localidades[7]. Um genealogista suíço, comparando as fichas, observou exatamente isso: a variante de Buttisholz é a de Ruswil com um traço a menos[6]. O que parecia refutar a unidade era, afinal, o próprio mecanismo dela. As marcas não são idênticas porque nunca precisaram ser: cada casa, cada aldeia, riscava a sua diferença sobre o fundo comum.

Terceiro erro: quase coroar a forma simples

A essa altura, confesso, eu me inclinava para um veredito. A forma simples, sem flor e sem estrelas, a da peça de 1968, parecia a vencedora moral da história: mais próxima da marca nua, mais antiga em espírito, mais fiel a uma família que, ao que indicam as fontes, era de ofício e de terra, não de nobreza titulada. Cheguei a escrever que o brasão verdadeiro era ela.

A coleção me corrigiu pela terceira vez. Entre todas as variantes catalogadas, a flor de lis aparece exclusivamente no grupo de Willisau e Wolhusen. Vermelha, na ficha do Staatsarchiv para Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen. Azul, na entrada de Wolhusen registrada na fonte de 1955[3]. As duas únicas flores de lis conhecidas em toda a constelação Wermelinger pertencem, ambas, ao nosso grupo de comunas. A flor de lis, que eu estava prestes a descartar como enfeite tardio, não é um adorno genérico nem uma invenção brasileira: é, segundo as fontes, o sinal que distingue o ramo de Willisau e Wolhusen de todos os outros. Precisamente a nossa origem. Para a nossa linhagem, ela tem nome e endereço.

A surpresa que desarmou tudo

Restava um último lance, e ele veio de onde eu menos esperava: da releitura da própria fonte brasileira do lado ornamentado. O capítulo heráldico que acompanha a obra de referência da família, publicada em 2000, diz com todas as letras que a versão primitiva da armaria, usada desde o século XV em Ebersecken, Egolzwil, Entlebuch, Gelfingen, Hasle, Hergiswil, Ruswil, Triengen e Willisau-Land, limitava-se à marca familiar preta sobre o monte verde, em campo dourado, e que a flor de lis e as estrelas foram acrescentadas muitos anos depois, em honra de figuras da tradição familiar[8].

Leia de novo, devagar. A fonte que sustenta o brasão ornamentado afirma, ela mesma, que a forma simples é a primitiva e comum a várias comunas, e que os ornamentos são posteriores. Ou seja: as duas tradições brasileiras, lidas com cuidado, já concordavam desde sempre na estrutura. Uma guardava a raiz que a outra descrevia como ponto de partida; a outra guardava a variante específica que a primeira portava sem saber o quanto era nossa. A briga durou décadas não porque as teses fossem incompatíveis, mas porque cada lado tomava a sua camada pelo todo, sem ler até o fim o que o outro tinha nas mãos.

O que se provou, e o que segue aberto

Para que ninguém tome esta crônica por mais do que ela é, deixo a contabilidade à vista.

Sobre as variantes: são dez as catalogadas, não duas. E a flor de lis é exclusiva do grupo Willisau-Wolhusen[1].

Sobre o catálogo: todos os sinais centrais são classificados como Hauszeichen, ainda que os desenhos variem. A coleção de Lucerna é obra do século XX, redesenhada por um arquivista. A própria ficha traz a ressalva ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung, sem garantia, sem registro oficial. E a página do Staatsarchiv apresenta a maioria dos brasões lucernenses como criações dos séculos XIX e XX[5].

Sobre as pessoas e as datas: a legenda Weibel zu Wolhusen, 1698 remete a alguém concreto, Joducus Wermelinger, oficial de justiça em Wolhusen naquele ano. Não a uma concessão heráldica[5]. E o próprio Staatsarchiv, em resposta institucional de 23 de abril de 2026, definiu o sinal como abstraktes Sippenzeichen, signo de clã abstrato, e confirmou as Heimatgemeinden da nossa linha: Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen[10].

Sobre as cartas de armas: o levantamento clássico de Häfliger reúne vinte e oito, em quatro séculos, todas concedidas por soberanos estrangeiros, quase sempre a patrícios da cidade e a militares de projeção. De Willisau, somente a família Herport recebeu uma. Nenhum Wermelinger aparece. Até onde a documentação hoje conhecida permite afirmar, não existe carta de armas que tenha concedido oficialmente brasão algum a esta família[11].

E segue aberto o resto, dito com todas as letras. As datas que circulam no Brasil, 1575 de um lado, 1698 de outro, não aparecem nas fontes como datas de concessão; a de 1575 refere-se, ao que tudo indica, a uma capela, e a de 1698 é legenda manuscrita num desenho do século XX[12]. A origem do sinal, a datação de cada variante e a genealogia gráfica exata entre as marcas das diferentes comunas seguem em investigação junto ao Staatsarchiv de Lucerna e a genealogistas suíços. Quando as respostas chegarem, esta crônica será atualizada, e se for preciso errar uma quarta vez e corrigir de novo, será corrigida.

O que fica

Fica a lição que os três erros ensinaram, cada um a sua parte.

O primeiro erro ensinou que a pergunta „qual dos dois" já nascia errada: a história não guardou um brasão, guardou uma dispersão. O segundo ensinou que a unidade da família não está num desenho idêntico, porque nem o desenho é idêntico: está na categoria comum do sinal e no costume, partilhado por todas as casas, de riscar uma marca e chamá-la de sua. O terceiro ensinou que nenhuma das duas tradições brasileiras errou: as duas carregaram, por meio século, camadas verdadeiras e complementares da mesma herança, uma a variante do nosso grupo de comunas, com a flor de lis que só existe ali, a outra a marca do tronco. E a releitura das fontes ensinou o arremate: os dois lados já concordavam, por escrito, sem que ninguém tivesse notado.

Os Wermelinger não têm um brasão que um rei lhes deu. Têm algo que precisa de rei nenhum: uma marca que cada aldeia desenhou à sua maneira, que uma capela guardou numa parede, que um arquivo redesenhou num século apressado, que um parente atravessou o oceano para entregar em mãos, e que um livro de família imprimiu com flor e estrelas. Formas diferentes, gesto igual. O gesto de uma gente que, onde quer que fincasse casa, fazia questão de assinar: estivemos aqui. Viemos de algum lugar. E não nos deixamos apagar.

Unter den brasilianischen Nachkommen von Xaver Wermelinger, dem Drechsler aus Willisau, der 1819 auswanderte, gibt es seit Jahrzehnten eine Frage, die Mittagstische spaltet: Welches ist das wahre Wappen der Familie? Eine Überlieferung verteidigt die geschmückte Fassung mit roter Lilie und zwei Sternen, die im Jahr 2000 als Kopie aus dem Luzerner Archiv nach Brasilien kam[8]. Eine andere bewahrt eine schlichte Fassung, ohne Lilie und ohne Sterne, die um 1968 von Hand aus der Schweiz überbracht wurde[9]. Jede Seite hat ihr Stück, ihr Datum und ihre Gewissheit.

Ich bin in diese Geschichte eingetreten, um das Urteil zu fällen. Ich kam dreimal korrigiert heraus. Und da jede Korrektur mich der Wahrheit näher brachte als die Antwort, die ich suchte, erzähle ich die Untersuchung, wie sie war: entlang der Irrtümer.

Erster Irrtum: zu glauben, es seien zwei

Meine erste Überzeugung war dieselbe wie die der Familie: dass zwei Wappen im Streit lagen und eines davon das richtige sein müsse. Es genügte, die Sammlung der Schweizer Familienwappen zu öffnen, damit dieser Rahmen zerfiel. Die Wermelinger erscheinen dort nicht mit einem Schild, auch nicht mit zweien. Sie erscheinen mit neun Karteikarten in der Sammlung des Staatsarchivs Luzern, eine für jede Gruppe von Gemeinden, in der die Familie Wurzeln schlug: Willisau und Wolhusen; Alberswil und Hergiswil; Ruswil und Sempach; Buttisholz; Schenkon, Sursee und Triengen; Entlebuch und seine Nachbarn; Ebersecken, Nebikon und Reiden; Egolzwil; Gelfingen, Kriens und Horw. Und dazu ein zehnter Eintrag, von Wolhusen, verzeichnet in einer anderen Quelle von 1955[1]. Die Schildfarbe wechselt von Region zu Region: Gold, Rot, Grün, Blau. Der Dreiberg erscheint in den meisten, fehlt in einigen. Die Sterne tauchen in manchen auf, in anderen nicht.

Der brasilianische Streit, der wie ein Duell aussah, war in Wahrheit ein winziges Fragment einer Konstellation. Es gab keinen Thron für zwei Anwärter. Es gab einen ganzen Kanton voller Varianten, und keine davon gab sich als Matrix der anderen aus.

Zweiter Irrtum: zu glauben, die Marke sei ein und dieselbe

Nachdem die Zahl berichtigt war, klammerte ich mich an ein Muster, das den Gedanken der Einheit zu retten schien: In allen Varianten stand im Zentrum eine schwarze Marke. Ich schrieb, mit der Eile dessen, der findet, was er sucht, diese Marke sei in allen identisch, das Bindeglied von allem, derselbe Strich, neunmal wiederholt.

Sie ist es nicht. Man musste die Karteikarten nebeneinanderlegen, und es war ein geduldigerer Blick als der meine, der es zuerst bemerkte: das zentrale Zeichen ändert seine Zeichnung je nach Gemeinde. In der Variante von Buttisholz, die das Bild der Soppensee-Kapelle wiedergibt, sieht man eine Figur mit verbreiterten Armen, die jeder als Kreuz lesen würde[4]. In der Willisauer Variante, der unseren, ist das Zeichen ein geometrischer, winkliger Strich, ohne jede Kreuzlesart. Kein wiederholter Stempel. Verschiedene Zeichnungen.

Hier hätte die Untersuchung zerbrechen können: Wenn nicht einmal die Marke dieselbe ist, was bleibt dann gemeinsam? Zwei Dinge fügten sie wieder zusammen. Das erste kam aus dem Katalog selbst: Die Sammlung beschreibt das Zeichen von Buttisholz, das kreuzähnliche, mit demselben Wort wie alle anderen, Hauszeichen. Für das Archiv tragen die zehn Einträge einen einzigen Zeichentyp, wenn auch auf zehn Arten gezeichnet[1]. Das zweite kam aus der heraldischen Theorie, und zwar mit Eleganz: Eine Hausmarke organisiert sich um einen senkrechten Schaft, dem sich Sprossen, Streben und Abschlüsse anfügen, und sie kann durchaus Kreuzform annehmen, ohne deshalb ein religiöses Symbol zu sein. Noch aufschlussreicher: einen einzigen Strich hinzuzufügen oder wegzulassen war historisch die Art, dieselbe Marke zwischen Zweigen und Ortschaften zu unterscheiden[7]. Ein Schweizer Genealoge, der die Karten verglich, beobachtete genau dies: Die Buttisholzer Variante ist die Ruswiler mit einem Strich weniger[6]. Was die Einheit zu widerlegen schien, war am Ende ihr eigener Mechanismus. Die Marken sind nicht identisch, weil sie es nie sein mussten: Jedes Haus, jedes Dorf ritzte seinen Unterschied auf den gemeinsamen Grund.

Dritter Irrtum: beinahe die schlichte Form zu krönen

An diesem Punkt, ich gestehe es, neigte ich zu einem Urteil. Die schlichte Form, ohne Lilie und ohne Sterne, die des Stücks von 1968, schien die moralische Siegerin der Geschichte: näher an der blossen Marke, älter im Geist, treuer einer Familie, die, soweit die Quellen es anzeigen, dem Handwerk und dem Land angehörte, nicht dem titulierten Adel. Ich schrieb bereits, das wahre Wappen sei sie.

Die Sammlung korrigierte mich zum dritten Mal. Unter allen katalogisierten Varianten erscheint die Lilie ausschliesslich in der Gruppe Willisau und Wolhusen. Rot, auf der Karteikarte des Staatsarchivs für Willisau-Land, Willisau-Stadt und Wolhusen. Blau, im Wolhusener Eintrag der Quelle von 1955[3]. Die zwei einzigen bekannten Lilien der ganzen Wermelinger-Konstellation gehören beide zu unserer Gemeindegruppe. Die Lilie, die ich als späten Zierrat beinahe verworfen hätte, ist kein beliebiges Ornament und keine brasilianische Erfindung: Sie ist, den Quellen nach, das Zeichen, das den Zweig von Willisau und Wolhusen von allen anderen unterscheidet. Genau unsere Herkunft. Für unsere Linie hat sie Namen und Adresse.

Die Überraschung, die alles entwaffnete

Ein letzter Zug blieb, und er kam von dort, wo ich ihn am wenigsten erwartete: aus der Wiederlektüre der brasilianischen Quelle der geschmückten Seite. Das heraldische Kapitel des Referenzwerks der Familie, erschienen im Jahr 2000, sagt in aller Deutlichkeit, dass die ursprüngliche Fassung des Wappens, seit dem 15. Jahrhundert in Ebersecken, Egolzwil, Entlebuch, Gelfingen, Hasle, Hergiswil, Ruswil, Triengen und Willisau-Land gebraucht, sich auf die schwarze Familienmarke über dem grünen Berg in goldenem Feld beschränkte, und dass Lilie und Sterne viele Jahre später hinzukamen, zu Ehren von Gestalten der Familientradition[8].

Man lese es noch einmal, langsam. Die Quelle, die das geschmückte Wappen stützt, erklärt selbst, die schlichte Form sei die ursprüngliche und mehreren Gemeinden gemeinsame, die Ornamente kämen später. Das heisst: Die zwei brasilianischen Überlieferungen stimmten, genau gelesen, in der Struktur seit jeher überein. Die eine bewahrte die Wurzel, welche die andere als Ausgangspunkt beschrieb; die andere bewahrte die spezifische Variante, welche die erste trug, ohne zu wissen, wie sehr sie die unsere war. Der Streit dauerte Jahrzehnte, nicht weil die Thesen unvereinbar waren, sondern weil jede Seite ihre Schicht für das Ganze nahm, ohne zu Ende zu lesen, was die andere in den Händen hielt.

Was bewiesen ist, und was offen bleibt

Damit niemand diese Chronik für mehr nimmt, als sie ist, lege ich die Bilanz offen.

Zu den Varianten: Katalogisiert sind zehn, nicht zwei. Und die Lilie ist der Gruppe Willisau-Wolhusen vorbehalten[1].

Zum Katalog: Alle zentralen Zeichen werden als Hauszeichen klassifiziert, auch wenn die Zeichnungen variieren. Die Luzerner Sammlung ist ein Werk des 20. Jahrhunderts, neu gezeichnet von einem Archivar. Die Karteikarte selbst trägt den Vorbehalt ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung. Und die Seite des Staatsarchivs stellt die meisten Luzerner Familienwappen als Schöpfungen des 19. und 20. Jahrhunderts dar[5].

Zu den Personen und Daten: Die Legende Weibel zu Wolhusen, 1698 verweist auf jemanden Konkreten, Joducus Wermelinger, in jenem Jahr Weibel in Wolhusen. Nicht auf eine heraldische Verleihung[5]. Und das Staatsarchiv selbst hat in einer institutionellen Antwort vom 23. April 2026 das Zeichen als abstraktes Sippenzeichen bestimmt und die Heimatgemeinden unserer Linie bestätigt: Willisau-Land, Willisau-Stadt und Wolhusen[10].

Zu den Wappenbriefen: Häfligers klassische Zusammenstellung umfasst achtundzwanzig, über vier Jahrhunderte, alle von ausländischen Fürsten verliehen, fast immer an Patrizier der Stadt und an Militärs von Rang. Aus Willisau erhielt einzig die Familie Herport einen. Kein Wermelinger erscheint. Soweit die heute bekannte Dokumentation zu sagen erlaubt, existiert kein Wappenbrief, der dieser Familie je offiziell ein Wappen verliehen hätte[11].

Und offen bleibt der Rest, in aller Deutlichkeit gesagt. Die in Brasilien kursierenden Jahreszahlen, 1575 auf der einen, 1698 auf der anderen Seite, erscheinen in den Quellen nicht als Verleihungsdaten; 1575 bezieht sich allem Anschein nach auf eine Kapelle, und 1698 ist eine handschriftliche Legende auf einer Zeichnung des 20. Jahrhunderts[12]. Die Herkunft des Zeichens, die Datierung jeder Variante und die genaue grafische Genealogie zwischen den Marken der Gemeinden werden weiter beim Staatsarchiv Luzern und bei Schweizer Genealogen untersucht. Wenn die Antworten eintreffen, wird diese Chronik aktualisiert, und sollte ein viertes Mal geirrt und erneut korrigiert werden müssen, so wird korrigiert.

Was bleibt

Es bleibt die Lehre, die die drei Irrtümer erteilten, jeder seinen Teil.

Der erste Irrtum lehrte, dass die Frage „welches von beiden" schon falsch geboren war: Die Geschichte bewahrte kein Wappen, sie bewahrte eine Streuung. Der zweite lehrte, dass die Einheit der Familie nicht in einer identischen Zeichnung liegt, denn nicht einmal die Zeichnung ist identisch: Sie liegt in der gemeinsamen Kategorie des Zeichens und im Brauch, den alle Häuser teilten, eine Marke zu ritzen und sie die ihre zu nennen. Der dritte lehrte, dass keine der zwei brasilianischen Überlieferungen irrte: Beide trugen ein halbes Jahrhundert lang wahre und einander ergänzende Schichten desselben Erbes, die eine die Variante unserer Gemeindegruppe mit der Lilie, die es nur dort gibt, die andere die Marke des Stammes. Und die Wiederlektüre der Quellen lehrte den Schlussstein: Beide Seiten stimmten schriftlich überein, ohne dass es jemand bemerkt hätte.

Die Wermelinger haben kein Wappen, das ein König ihnen gab. Sie haben etwas, das keinen König braucht: eine Marke, die jedes Dorf auf seine Weise zeichnete, die eine Kapelle an einer Wand bewahrte, die ein Archiv in einem eiligen Jahrhundert neu zeichnete, die ein Verwandter über den Ozean trug, um sie von Hand zu übergeben, und die ein Familienbuch mit Lilie und Sternen druckte. Verschiedene Formen, gleiche Geste. Die Geste von Leuten, die, wo immer sie Haus fassten, darauf bestanden zu unterschreiben: Wir waren hier. Wir kommen von irgendwoher. Und wir haben uns nicht auslöschen lassen.

Among the Brazilian descendants of Xaver Wermelinger, the turner from Willisau who set sail in 1819, there has been for decades a question that divides lunch tables: which is the true coat of arms of the family? One tradition defends the ornamented version, with a red fleur-de-lis and two stars, which reached Brazil in the year 2000 as a copy from the Lucerne archive[8]. Another keeps a plain version, without lily and without stars, carried by hand from Switzerland around 1968[9]. Each side has its piece, its date and its certainty.

I entered this story meaning to deliver the verdict. I came out of it corrected three times. And since each correction brought me closer to the truth than the answer I was looking for, I tell the inquiry as it was: by its errors.

First error: thinking there were two

My first conviction was the same as the family's: that two coats of arms were in dispute, and that one of them had to be the right one. It took no more than opening the collection of Swiss family arms for that frame to collapse. The Wermelingers do not figure there with one shield, nor with two. They figure with nine cards in the collection of the Staatsarchiv of Lucerne, one for each group of municipalities where the family took root: Willisau and Wolhusen; Alberswil and Hergiswil; Ruswil and Sempach; Buttisholz; Schenkon, Sursee and Triengen; Entlebuch and its neighbours; Ebersecken, Nebikon and Reiden; Egolzwil; Gelfingen, Kriens and Horw. And a tenth entry besides, from Wolhusen, recorded in another source, of 1955[1]. The field colour changes from region to region: gold, red, green, blue. The three-peaked mount appears in most, is missing in some. The stars turn up in some, not in others.

The Brazilian dispute, which looked like a duel, was in truth a tiny fragment of a constellation. There was no throne for two pretenders. There was a whole canton of variants, and none of them presented itself as the matrix of the others.

Second error: thinking the mark was one and the same

With the number corrected, I clung to a pattern that seemed to rescue the idea of unity: in all the variants there was, at the centre, a black mark. I wrote, with the haste of one who finds what he was seeking, that this mark was identical in all, the link of everything, the same stroke repeated nine times.

It is not. It took laying the cards side by side, and it was a more patient eye than mine that noticed it first: the central sign changes its drawing from one municipality to the next. In the Buttisholz variant, the one reproducing the painting in the Soppensee chapel, what one sees is a figure with widened arms that anyone would read as a cross[4]. In the Willisau variant, ours, the sign is a geometric, angular stroke, with no cross reading at all. Not a repeated stamp. Different drawings.

Here the inquiry could have fallen to pieces, for if not even the mark is the same, what remains in common? Two things put it back together. The first came from the catalogue itself: the collection describes the Buttisholz sign, the cross-looking one, with the same word it uses for all the others, Hauszeichen, house mark. For the archive, the ten entries bear a single type of sign, though drawn in ten ways[1]. The second came from heraldic theory, and with elegance: a house mark organises itself around a vertical shaft, to which crossbars, struts and finials are added, and it may indeed take the form of a cross without thereby being a religious symbol. More revealing still: adding or removing a single stroke was, historically, the way of differentiating the same mark between branches and localities[7]. A Swiss genealogist, comparing the cards, observed exactly this: the Buttisholz variant is the Ruswil one with one stroke fewer[6]. What seemed to refute the unity was, after all, its very mechanism. The marks are not identical because they never needed to be: each house, each village, scored its difference upon the common ground.

Third error: almost crowning the plain form

By this point, I confess, I was leaning towards a verdict. The plain form, without lily and without stars, that of the 1968 piece, seemed the moral winner of the story: closer to the bare mark, older in spirit, truer to a family that, as far as the sources indicate, belonged to craft and land, not to titled nobility. I had already written that the true coat of arms was this one.

The collection corrected me for the third time. Among all the catalogued variants, the fleur-de-lis appears exclusively in the Willisau and Wolhusen group. Red, on the Staatsarchiv card for Willisau-Land, Willisau-Stadt and Wolhusen. Blue, in the Wolhusen entry recorded in the source of 1955[3]. The only two fleurs-de-lis known in the whole Wermelinger constellation both belong to our group of municipalities. The lily, which I was about to discard as a late embellishment, is neither a generic ornament nor a Brazilian invention: it is, according to the sources, the sign that distinguishes the Willisau and Wolhusen branch from all others. Precisely our origin. For our line, it has a name and an address.

The surprise that disarmed everything

One last move remained, and it came from where I least expected it: from rereading the Brazilian source of the ornamented side itself. The heraldic chapter accompanying the family's work of reference, published in 2000, states in so many words that the primitive version of the arms, used since the fifteenth century in Ebersecken, Egolzwil, Entlebuch, Gelfingen, Hasle, Hergiswil, Ruswil, Triengen and Willisau-Land, was limited to the black family mark above the green mount, in a golden field, and that the fleur-de-lis and the stars were added many years later, in honour of figures of family tradition[8].

Read it again, slowly. The source that upholds the ornamented coat of arms itself affirms that the plain form is the primitive one, common to several municipalities, and that the ornaments came later. That is: the two Brazilian traditions, read with care, had agreed on the structure all along. One kept the root that the other described as the starting point; the other kept the specific variant that the first carried without knowing how much it was ours. The quarrel lasted decades not because the theses were incompatible, but because each side took its layer for the whole, without reading to the end what the other held in its hands.

What is proven, and what remains open

So that no one takes this chronicle for more than it is, I lay the accounting in plain view.

On the variants: ten are catalogued, not two. And the fleur-de-lis is exclusive to the Willisau-Wolhusen group[1].

On the catalogue: all the central signs are classified as Hauszeichen, though the drawings vary. The Lucerne collection is a work of the twentieth century, redrawn by an archivist. The card itself bears the caveat ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung, without guarantee, no official registration. And the Staatsarchiv's page presents most Lucerne family arms as creations of the nineteenth and twentieth centuries[5].

On the people and the dates: the caption Weibel zu Wolhusen, 1698 refers to someone concrete, Joducus Wermelinger, officer of justice in Wolhusen in that year. Not to a heraldic grant[5]. And the Staatsarchiv itself, in an institutional reply of 23 April 2026, defined the sign as an abstraktes Sippenzeichen, an abstract clan sign, and confirmed the home municipalities of our line: Willisau-Land, Willisau-Stadt and Wolhusen[10].

On the grants of arms: Häfliger's classic survey gathers twenty-eight, across four centuries, all conferred by foreign sovereigns, almost always upon city patricians and soldiers of standing. From Willisau, only the Herport family received one. No Wermelinger appears. As far as the documentation known today allows one to state, no letter of arms exists that ever officially granted a coat of arms to this family[11].

And the rest remains open, said in so many words. The dates circulating in Brazil, 1575 on one side, 1698 on the other, do not appear in the sources as dates of a grant; 1575 refers, by every indication, to a chapel, and 1698 is a handwritten caption on a twentieth-century drawing[12]. The origin of the sign, the dating of each variant and the exact graphic genealogy between the marks of the different municipalities remain under investigation with the Staatsarchiv of Lucerne and with Swiss genealogists. When the answers arrive, this chronicle will be updated, and should it be necessary to err a fourth time and correct again, corrected it will be.

What remains

What remains is the lesson the three errors taught, each its part.

The first error taught that the question "which of the two" was born wrong: history did not keep one coat of arms, it kept a dispersion. The second taught that the family's unity does not lie in an identical drawing, for not even the drawing is identical: it lies in the common category of the sign and in the custom, shared by all the houses, of scoring a mark and calling it their own. The third taught that neither of the two Brazilian traditions was wrong: both carried, for half a century, true and complementary layers of the same inheritance, one the variant of our group of municipalities, with the fleur-de-lis that exists only there, the other the mark of the trunk. And the rereading of the sources taught the capstone: the two sides had agreed, in writing, without anyone having noticed.

The Wermelingers have no coat of arms that a king gave them. They have something that needs no king: a mark that each village drew in its own way, that a chapel kept on a wall, that an archive redrew in a hurried century, that a relative carried across the ocean to hand over in person, and that a family book printed with lily and stars. Different forms, the same gesture. The gesture of a people who, wherever they made a home, insisted on signing: we were here. We came from somewhere. And we did not let ourselves be erased.

As dez variantes, lado a lado Die zehn Varianten im Vergleich The ten variants, side by side

Wappen Wermelinger von Alberswil und Hergiswil
Alberswil · Hergiswil Em ouro, sobre monte de três cimos verde, Hauszeichen preto. In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen. In gold, over a green three-peaked mount, a black Hauszeichen.
Wappen Wermelinger von Buttisholz
Buttisholz Em vermelho, Hauszeichen preto. Imagem da capela de Soppensee. In Rot schwarzes Hauszeichen. Familienbild in der Kapelle Soppensee. In red, a black Hauszeichen. Family image in the Soppensee chapel.
Wappen Wermelinger von Ebersecken, Nebikon und Reiden
Ebersecken · Nebikon · Reiden Em ouro, monte verde, Hauszeichen preto e duas estrelas vermelhas de oito pontas. In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, beseitet von zwei achtstrahligen roten Sternen. In gold, green mount, black Hauszeichen and two red eight-pointed stars.
Wappen Wermelinger von Egolzwil
Egolzwil Em ouro, monte verde, Hauszeichen preto acompanhado de duas estrelas vermelhas. In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, begleitet von zwei roten Sternen. In gold, green mount, black Hauszeichen accompanied by two red stars.
Wappen Wermelinger von Entlebuch, Hasle, Littau, Malters, Romoos und Schwarzenberg
Entlebuch · Hasle · Littau · Malters · Romoos · Schwarzenberg Em verde, Hauszeichen preto. In Grün schwarzes Hauszeichen. In green, a black Hauszeichen.
Wappen Wermelinger von Gelfingen, Kriens und Horw
Gelfingen · Kriens · Horw Em azul, monte verde, Hauszeichen preto e duas estrelas vermelhas. In Blau über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, beseitet von zwei roten Sternen. In blue, green mount, black Hauszeichen and two red stars.
Wappen Wermelinger von Ruswil und Sempach
Ruswil · Sempach Em vermelho, monte verde, Hauszeichen preto. Apontada por um genealogista como candidata a matriz. In Rot über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen. Von einem Genealogen als mögliche Urform genannt. In red, green mount, black Hauszeichen. Named by a genealogist as a candidate original form.
Wappen Wermelinger von Schenkon, Sursee, Triengen und Wilihof
Schenkon · Sursee · Triengen · Wilihof Em vermelho, monte verde, Hauszeichen preto e duas estrelas de prata. In Rot über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen, begleitet von zwei silbernen Sternen. In red, green mount, black Hauszeichen and two silver stars.
Wappen Wermelinger von Willisau-Land, Willisau-Stadt und Wolhusen
Willisau-Land · Willisau-Stadt · Wolhusen A variante da nossa linha: ouro, monte verde, Hauszeichen preto, duas estrelas vermelhas e a flor de lis vermelha. A única das nove fichas com a flor de lis. Die Variante unserer Linie: Gold, Dreiberg, schwarzes Hauszeichen, zwei rote Sterne und die rote Lilie. Die einzige der neun Karteikarten mit der Lilie. The variant of our line: gold, green mount, black Hauszeichen, two red stars and the red fleur-de-lis. The only one of the nine cards with the lily.
Wappen Wermelinger von Wolhusen, Quelle 1955
Wolhusen (1955) Décima variante: ouro, monte verde, Hauszeichen preto, duas estrelas de seis pontas e flor de lis azul. Também do nosso grupo de comunas. Zehnte Variante: Gold, Dreiberg, schwarzes Hauszeichen, zwei sechsstrahlige Sterne und blaue Lilie. Ebenfalls aus unserer Gemeindegruppe. Tenth variant: gold, green mount, black Hauszeichen, two six-pointed stars and a blue fleur-de-lis. Also from our group of municipalities.

Crédito e condição das imagens Bildnachweis und Vorbehalt Image credit and condition

Escudos incorporados de wappensammlung.ch, que indica como fontes o Staatsarchiv Luzern e a obra Wappen im Entlebuch (1955). As fichas originais do Staatsarchiv trazem a ressalva ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung. A exibição depende da disponibilidade do servidor de origem; a autorização de reprodução junto a wappensammlung.ch encontra-se em curso. Schilde eingebunden von wappensammlung.ch, mit Quellenangabe Staatsarchiv Luzern und Wappen im Entlebuch (1955). Die Originalkarteikarten des Staatsarchivs tragen den Vorbehalt ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung. Die Anzeige hängt von der Verfügbarkeit des Ursprungsservers ab; die Reproduktionsgenehmigung bei wappensammlung.ch ist angefragt. Shields embedded from wappensammlung.ch, which cites as sources the Staatsarchiv Luzern and Wappen im Entlebuch (1955). The original Staatsarchiv cards bear the caveat ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung. Display depends on the availability of the origin server; reproduction permission from wappensammlung.ch is being sought.

Notas e fontes Anmerkungen und Quellen Notes and sources

  1. Coleção de brasões familiares suíços, wappensammlung.ch, verbete Wermelinger: nove entradas com fonte no Staatsarchiv Luzern e uma décima de Wolhusen com fonte em Wappen im Entlebuch (1955). Página do verbete: wappensammlung.ch, Wehrli-Widmann, p. 7. Páginas de fonte do catálogo: Luzern, Staatsarchiv Luzern e Wappen im Entlebuch, 1955. Todos os sinais centrais são ali descritos como Hauszeichen.
  2. Blasão da variante de Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen, conforme o verbete citado na nota 1: In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen beseitet von zwei achtstrahligen, roten Sternen und überhöht von roten Lilie. Fonte indicada: Staatsarchiv Luzern.
  3. Entrada Wermelinger von Wolhusen, fonte Wappen im Entlebuch (1955): In Gold über grünem Dreiberg schwarzes Hauszeichen begleitet von zwei sechsstrahligen, roten Sternen und überhöht von blauen Lilie. As duas únicas flores de lis do conjunto pertencem, portanto, ao grupo Willisau-Wolhusen.
  4. Staatsarchiv Luzern, ficha WH 1/1101.2 (Karteikarte 2209), Familienwappen Wermelinger, Heimatgemeinde Buttisholz, datada 20. Jh. (ca.), com a legenda manuscrita Familienbild in der Kapelle Soppensee. Registro no Digitaler Lesesaal: dls.staatsarchiv.lu.ch/records/1626201.
  5. Staatsarchiv Luzern, ficha WH 1/1101.9 (Karteikarte 2216), Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt, Wolhusen, datada 20. Jh. (ca.), legenda Wermelinger, Weibel zu Wolhusen, 1698. A coleção WH 1 foi compilada por J. Gauch e P. X. Weber e desenhada pelo arquivista G. Bachmann nos anos 1940 e 1950; a ficha traz ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung. A legenda remete a Joducus (Jost) Wermelinger, nascido em 1659, Weibel em Wolhusen em 1698 (dados em Vorfahren, compilação do ramo Trienger). Registro: dls.staatsarchiv.lu.ch/records/1626208.
  6. Observação de genealogista no Geneal-Forum (SiWe, junho de 2026): a forma de Ruswil e Sempach como candidata a forma original, e a variante de Buttisholz como a mesma marca com um traço a menos. Fio público: geneal-forum.com, tópico Wermelinger von Willisau.
  7. Sobre a estrutura das marcas de casa (haste, travessas, escoras; possibilidade de forma cruciforme; o traço acrescentado ou suprimido como mecanismo de diferenciação entre ramos): HOMEYER, Carl Gustav, Die Haus- und Hofmarken, Berlim, 1870, digitalizado na Bayerische Staatsbibliothek; e verbete Hausmarke (Wikipedia em alemão, consultado em 2026). Fundamentação conceitual geral, sem referência específica aos Wermelinger.
  8. MONNERAT SÓLON DE PONTES, Elio. „O Brasão da Família Wermelinger". In: LIMA ABIB, Alberto. A Família Wermelinger. Nova Friburgo, 2000, cap. II. Descreve a versão primitiva, do século XV, como a marca familiar preta sobre o monte verde em campo dourado, comum às comunas listadas, com flor de lis e estrelas como acréscimos posteriores; registra a cópia do Staatsarchiv obtida por ofício de 16 de maio de 2000 (Dr. Stefan Jäggi) e a pintura pelo ateliê M. Liebich, Einsiedeln. As atribuições da flor a Hans Wermelinger (Ruswil, capela de Buholz) e das estrelas a Caspar Wermelinger (Villmergen, 1656) são tradição narrada nessa fonte, não dado documental.
  9. A versão simples, sem flor e sem estrelas, foi trazida da Suíça por volta de 1968, no contexto do reencontro familiar iniciado em 1962 por correspondência via Embaixada da Suíça (registros do blog da família, 2009; e WERMELINGER, Walter, „Brasão da família Wermelinger em Nova Friburgo, na Praça do Suspiro", afamiliawermelinger.blogspot.com, 24 de abril de 2013). Proveniência escrita mais antiga da peça: pendente.
  10. Staatsarchiv des Kantons Luzern, resposta institucional de 23 de abril de 2026: o sinal é um abstraktes Sippenzeichen; Heimatgemeinden da linha: Willisau-Land, Willisau-Stadt e Wolhusen. Correspondência no acervo do Arquivo Wermelinger.
  11. HÄFLIGER, Josef Anton. „Luzerner Wappen- und Adelsbriefe". Schweizerisches Archiv für Heraldik, vol. 37 (1923), pp. 14-22. DOI 10.5169/seals-745008; texto integral em e-periodica.ch. As 28 cartas e seus emissores estrangeiros: p. 16; a distribuição por localidade, com Willisau representada somente pela família Herport: p. 18.
  12. Sobre 1575 como data da fundação da capela de Santo Erasmo em Buholz (consagrada em 15 de outubro de 1576), e não de uma concessão heráldica, e sobre 1698 como legenda de desenho do século XX: auditoria fato-a-fato do Arquivo Wermelinger (FASE 5, junho de 2026) e o post „O que o brasão não desenha" (1 de maio de 2026, revisado em junho de 2026), nesta mesma trilha.

Fontes primárias e de catálogo Primär- und Katalogquellen Primary and catalogue sources

  • Staatsarchiv Luzern, Familienwappensammlung, Bestand WH 1: fichas WH 1/1101.2 (Buttisholz, Karteikarte 2209) e WH 1/1101.9 (Willisau/Wolhusen, Karteikarte 2216). Desenhos do século XX (Bachmann), ohne Gewähr, keine amtliche Registrierung.
  • Staatsarchiv des Kantons Luzern, resposta institucional de 23 de abril de 2026 (abstraktes Sippenzeichen; Heimatgemeinden Willisau-Land, Willisau-Stadt, Wolhusen). Acervo do Arquivo Wermelinger.
  • wappensammlung.ch, verbete Wermelinger (dez entradas), com fontes no Staatsarchiv Luzern e em Wappen im Entlebuch (1955).

Fontes secundárias densas Dichte Sekundärquellen Dense secondary sources

  • HÄFLIGER, Josef Anton. „Luzerner Wappen- und Adelsbriefe". Schweizerisches Archiv für Heraldik 37 (1923), pp. 14-22. DOI 10.5169/seals-745008.
  • HOMEYER, Carl Gustav. Die Haus- und Hofmarken. Berlim, 1870.
  • SIDLER, Franz. Geschlechter-Buch von Willisau. Heimatkunde des Wiggertals, 1953. DOI 10.5169/seals-718397.

Recepção brasileira Brasilianische Rezeption Brazilian reception

  • MONNERAT SÓLON DE PONTES, Elio. „O Brasão da Família Wermelinger". In: LIMA ABIB, Alberto. A Família Wermelinger. Nova Friburgo, 2000, cap. II.
  • WERMELINGER, Walter. „Brasão da família Wermelinger em Nova Friburgo, na Praça do Suspiro". afamiliawermelinger.blogspot.com, 24 de abril de 2013.

Pendentes Ausstehend Pending

  • Datação das variantes e origem do Hauszeichen: consulta em curso ao Staatsarchiv Luzern. em investigação
  • Proveniência escrita da peça de 1968 (remetente suíço; correspondência de 1962 em diante). pesquisa pendente
  • Autorização de reprodução das imagens junto a wappensammlung.ch. solicitação em curso
Esta crônica passou por auditoria cruzada antes da publicação: cada afirmação tem fonte rastreável na coleção wappensammlung.ch, nas fichas do Staatsarchiv Luzern, no levantamento de Häfliger (1923), na obra de referência da família (2000) ou na resposta institucional do arquivo de abril de 2026. A investigação errou três vezes e registrou os três erros, em vez de escondê-los. Quando as respostas pendentes chegarem, do Staatsarchiv e dos genealogistas suíços, esta versão será substituída por uma revisada, e a correção consignada em nota explícita. É assim que este arquivo trabalha: a história é verificada, não repetida. Diese Chronik durchlief vor der Veröffentlichung eine Kreuzprüfung: jede Aussage ist auf die Sammlung wappensammlung.ch, die Karteikarten des Staatsarchivs Luzern, Häfligers Zusammenstellung (1923), das Referenzwerk der Familie (2000) oder die institutionelle Antwort des Archivs vom April 2026 rückverfolgbar. Die Untersuchung irrte dreimal und verzeichnete die drei Irrtümer, statt sie zu verbergen. Sobald die ausstehenden Antworten eintreffen, vom Staatsarchiv und von Schweizer Genealogen, wird diese Fassung durch eine revidierte ersetzt und die Korrektur ausdrücklich vermerkt. So arbeitet dieses Archiv: Geschichte wird geprüft, nicht wiederholt. This chronicle underwent cross-audit before publication: every statement is traceable to the wappensammlung.ch collection, the cards of the Staatsarchiv Luzern, Häfliger's survey (1923), the family's work of reference (2000), or the archive's institutional reply of April 2026. The inquiry erred three times and recorded the three errors instead of hiding them. When the pending answers arrive, from the Staatsarchiv and from Swiss genealogists, this version will be replaced by a revised one, and the correction expressly noted. That is how this archive works: history is verified, not repeated.
Tiago Torres Wermelinger
Duas Barras, Rio de Janeiro · 1 de julho de 2026
Crônica · Os signos da família
Arquivo Wermelinger — onde a história é verificada, não repetida
Duas Barras, Rio de Janeiro · 1. Juli 2026
Chronik · Die Zeichen der Familie
Wermelinger-Archiv — wo Geschichte geprüft wird, nicht wiederholt
Duas Barras, Rio de Janeiro · 1 July 2026
Chronicle · The signs of the family
Wermelinger Archive — where history is verified, not repeated

Trilingue · PT · DE · EN Dreisprachig · PT · DE · EN Trilingual · PT · DE · EN

sábado, 9 de maio de 2026

O escriba do Gugerfluck

Crônica · Ruswil · 1780 Chronik · Ruswil · 1780 Chronicle · Ruswil · 1780

Um Wermelinger copiou Guilherme Tell em 1780, antes de Schiller Ein Wermelinger kopierte Wilhelm Tell 1780, vor Schiller A Wermelinger copied William Tell in 1780, before Schiller

“Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh.” „Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh.“ “Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh.” Leontzi Wermenlinger, na própria mão, ao final do Wilhelm Tell — manuscrito de 1780 Leontzi Wermenlinger, in eigener Handschrift am Ende des Wilhelm Tell — Manuskript von 1780 Leontzi Wermenlinger, in his own hand at the end of Wilhelm Tell — 1780 manuscript

Nota de método Methodische Anmerkung Note on method

Esta crônica separa três camadas: fatos documentados (a transcrição de Rolf T. Hallauer em 2015, o artigo de Werner Wandeler no Anzeiger vom Rottal em 2024, e o próprio manuscrito de 1780); hipóteses defendidas em fonte secundária (a encomenda de Bläsi Stöckhli a Leontzy Wermenlinger, sustentada por Wandeler 2024); e lacunas honestas (a identificação exata de qual Leontzy Wermenlinger de Ruswil escreveu o caderno permanece em aberto, e a possível ligação entre os Wermelinger de Ruswil e os de Willisau, segundo Wandeler em correspondência de 2026, recua provavelmente ao século XVII e ainda não foi comprovada). Onde a fonte não foi consultada diretamente, este arquivo registra a lacuna em vez de fingir certeza. Diese Chronik unterscheidet drei Ebenen: dokumentierte Tatsachen (die Transkription von Rolf T. Hallauer von 2015, der Beitrag von Werner Wandeler im Anzeiger vom Rottal von 2024 und das Manuskript von 1780 selbst); in Sekundärquellen vertretene Hypothesen (der Auftrag von Bläsi Stöckhli an Leontzy Wermenlinger, gestützt von Wandeler 2024); und ehrliche Lücken (die genaue Identität des Kopisten Leontzy Wermenlinger ist offen, und die mögliche Verbindung zwischen den Ruswiler und den Willisauer Wermelinger reicht laut Wandeler in Korrespondenz von 2026 wahrscheinlich ins 17. Jahrhundert zurück und ist noch nicht belegt). Wo die Quelle nicht direkt konsultiert wurde, hält dieses Archiv die Lücke fest, anstatt Gewissheit vorzutäuschen. This chronicle separates three layers: documented facts (Rolf T. Hallauer's 2015 transcription, Werner Wandeler's 2024 article in the Anzeiger vom Rottal, and the 1780 manuscript itself); hypotheses argued in secondary sources (the commission from Bläsi Stöckhli to Leontzy Wermenlinger, defended by Wandeler 2024); and honest gaps (the exact identity of which Leontzy Wermenlinger of Ruswil wrote the notebook remains open, and the possible connection between the Ruswil and Willisau Wermelinger, according to Wandeler in 2026 correspondence, probably reaches back to the seventeenth century and has not yet been proven). Where the source has not been consulted directly, this archive records the gap rather than feign certainty.

Conta-se que Guilherme Tell, arqueiro de Uri, recusou-se a saudar o chapéu de um governador austríaco fincado na praça de Altdorf, no início do século XIV. Como castigo, foi obrigado a atirar uma flecha numa maçã pousada sobre a cabeça do próprio filho. Acertou a maçã. Depois, segundo a tradição, matou o tirano e entrou para a memória suíça como símbolo de resistência ao poder injusto.

A historiografia moderna trata Guilherme Tell como figura lendária. Mas lendas também deixam rastros. No fim do século XV, alguém em Uri transformou essa matéria em teatro: o Urner Tellenspiel, a primeira dramatização conhecida do tema. Foi essa peça — não o Tell de Schiller — que Leontzy Wermenlinger copiou em 1780, no Gugerfluck[16].

Gravura da edição impressa do Urner Tellenspiel de 1657 mostrando Guilherme Tell atirando uma flecha numa maçã sobre a cabeça do filho amarrado a uma árvore, com paisagem alpina ao fundo
A cena da maçã. Gravura da edição impressa do Urner Tellenspiel, 1657. A mesma peça que Leontzy Wermenlinger copiaria à mão em 1780, no Gugerfluck. Die Apfelschussszene. Stich aus der Druckversion des Urner Tellenspiels, 1657. Dasselbe Stück, das Leontzy Wermenlinger 1780 im Gugerfluck mit der Hand abschreiben sollte. The apple shot. Engraving from the printed edition of the Urner Tellenspiel, 1657. The same play that Leontzy Wermenlinger would copy by hand in 1780, at Gugerfluck. Imagem histórica em domínio público, reproduzida no artigo de Werner Wandeler no Anzeiger vom Rottal, 25 de julho de 2024. Historisches Bild gemeinfrei, abgedruckt in Werner Wandelers Beitrag im Anzeiger vom Rottal, 25. Juli 2024. Historical image in the public domain, reproduced in Werner Wandeler's article in the Anzeiger vom Rottal, 25 July 2024.

Sei que em 1780 Leontzy Wermenlinger ainda escrevia. Ele mesmo registrou, no caderno: Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh[1]. “Escrito por mim, Leontzi Wermenlinger, ora morador no Gugerfluck.”

Página de abertura do Wilhelm Tell no manuscrito de 1780, com primeiros versos copiados e assinatura Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780
Página de abertura do Wilhelm Tell no caderno de 1780. Sob os primeiros quatro versos, em letra mais firme: Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780. Eingangsseite des Wilhelm Tell im Heft von 1780. Unter den ersten vier Versen, in fester Schrift: Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780. Opening page of Wilhelm Tell in the 1780 notebook. Below the first four verses, in a firmer hand: Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780. Foto: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Reprodução autorizada por correspondência eletrônica de 9 de maio de 2026. Foto: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Wiedergabe genehmigt per E-Mail vom 9. Mai 2026. Photograph: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Reproduction authorised by electronic correspondence of 9 May 2026.

Gugerfluck é um nome que sumiu dos índices oficiais. Não consta no Schweizerisches Ortsverzeichnis de 1904[2]. Era o nome de um Hof, uma fazenda, no flanco do Ruswilerberg, no cantão de Lucerna. Hoje a propriedade ainda existe, mas chama-se simplesmente “Fluck”. Um nome encurtado, como se a história tivesse perdido a paciência com a primeira sílaba.

Leontzy, ao que tudo indica, não escrevia para si.

Ele escrevia para um vizinho, Bläsi Stöckhli, do Oberholz. Bläsi (1747-1797) é o nome que aparece como proprietário do livro, na primeira folha: Dieses Buoch gehört dem Bläsi Stöckhli ob d(em) Holz, 1780[3]. “Este livro pertence a Bläsi Stöckhli, acima da floresta, 1780.” A hipótese, defendida por Werner Wandeler em artigo recente, é que Leontzy fez a cópia a pedido dele[4].

E o que Leontzy começou a copiar, naquele caderno, é uma das coisas mais estranhas que já passaram pelas minhas mãos digitais.

Em primeiro lugar, esse Tellenspiel inteiro: 770 versos[5]. Não o Tell de Schiller, que só publicaria seu drama em 1804, vinte e quatro anos depois de Leontzy. Versos rústicos, com um filho mais aflito que o Walther de Schiller[6]:

Ach Vater, liebster Vater mein,
ich hab gmeint dyr allzyt lieb zu sein.
Warumb wilt mich dan schiessen zdodt?
“Pai, paizinho meu, eu pensei que sempre te fui caro. Por que então queres me matar?”
Página final do Wilhelm Tell mostrando o registro dos 770 versos, o nome do proprietário Bläsi Stöckhli, e a assinatura Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh
Página final do Wilhelm Tell: o registro dos 770 versos da peça, o nome do proprietário Bläsi Stöckhli, e a assinatura Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh. Schlussseite des Wilhelm Tell: Vermerk der 770 Verse, Name des Eigentümers Bläsi Stöckhli und Signatur Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh. Closing page of Wilhelm Tell: notation of the play's 770 verses, owner Bläsi Stöckhli's name, and signature Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh. Foto: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Reprodução autorizada por correspondência eletrônica de 9 de maio de 2026. Foto: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Wiedergabe genehmigt per E-Mail vom 9. Mai 2026. Photograph: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Reproduction authorised by electronic correspondence of 9 May 2026.

Em segundo lugar, dentro do mesmo caderno, vem o Tagebuch zur Pilgerreise in Heilige Land: o diário de uma peregrinação a Jerusalém feita em 1603 por Ulrich Meier, mestre-escola de Ruswil[7]. Saíram em 14 de abril, vinte peregrinos e três mulheres. Cruzaram o Splügen, passaram por Como, Verona, Veneza, Chipre. Visitaram Jerusalém e Belém, e em 21 de agosto zarparam de volta de Jaffa. Chegaram em Lucerna em 3 de janeiro de 1604. Dois deles morreram no caminho de volta e foram entregues ao mar. Da warff man in ins Meer, registra o diário sobre Heinrich Walder, cônego de Lucerna, falecido em 28 de outubro de 1603[8].

Em terceiro lugar, o relato de um cirurgião naval, Johan Jacob Bossert, que entre 1695 e 1701 atravessou o Cabo da Boa Esperança, foi feito prisioneiro durante uma operação naval dos holandeses contra os chineses, levou no pescoço uma cangue de 60 a 80 libras durante quase três anos, e foi libertado pelo imperador Kangxi depois de arrancar-lhe um dente dolorido à primeira tentativa[9].

Há ainda, no caderno, versos avulsos, receitas de alma, sabedorias, e, em outra letra, uma canção sobre a Primeira Batalha de Villmergen, em 1656.

Uma só encadernação. Mais de quatro séculos.

Quem era Leontzy, eu não sei

Werner Wandeler é o arquivista atual da comuna e da paróquia de Ruswil. Cuida dos Tauf-, Ehe-, Sterbe-, Jahrzeitbücher: livros de batismo, casamento, óbito, aniversários de morte. Cuida dos Zwingprotokolle desde 1600. Cuida de metros lineares de protocolos. Estudou o Tellenspiel para um artigo no Anzeiger vom Rottal em 2024, e também ele, com toda a documentação à mão, não conseguiu identificar com certeza qual dos vários Wermelinger de Ruswil foi Leontzy. In der Region leben zu dieser Zeit mehrere Träger dieses Namens. Vários portadores do nome viviam na região naquele tempo[10].

A linha que ligaria Leontzy a mim, a linha que ligaria os Wermelinger de Ruswil aos Wermelinger de Willisau, de onde meu antepassado direto François Xavier embarcou em 1819 para o Brasil, é, segundo Werner, durchaus möglich: certamente possível. E provavelmente recua ao século XVII. Mas comprová-la, segundo ele, exigiria meses de trabalho em arquivos manuscritos[11]. Está enterrada em algum Teilungsprotokoll de Ruswil, em alguma escritura de compra, em alguma menção paroquial que ninguém ainda foi catar.

Por enquanto, Leontzy é meu xará distante e incerto. Pode ser parente, pode não ser. O que é certo é que carregava o sobrenome.

A jornada do caderno

Bläsi, o proprietário, morreu em 1797. Depois disso, o caderno se perde de vista. Em 1864 e 1865, partes do conteúdo aparecem em série no Unterhaltungsblatt da Luzerner Zeitung: o diário do peregrino e a aventura do cirurgião[12]. O jornal só dizia que o original “se encontra numa casa de campo em Ruswil”. Segundo Wandeler, o proprietário da época deve ter cedido o material à redação. Décadas se passam. Em algum momento, o caderno deixa Ruswil.

Reaparece num antiquário de Lenzburg. Em 2014, um pesquisador genealógico de Basileia o compra. No ano seguinte, os Geschichtsfreunde Ruswil, os Amigos da História de Ruswil, descobrem por acaso a existência do livro e conseguem adquiri-lo[13]. O caderno volta para casa depois de não se sabe quanto tempo fora.

Naquele mesmo dezembro de 2015, Rolf T. Hallauer, em Büsserach, transcreve as mais de cem páginas do manuscrito em letra moderna: cerca de 52 páginas de Tellenspiel, 57 de peregrinação, 20 do cirurgião viajante, mais o resto. Põe nome, endereço, telefone na capa, e nota de direito autoral pedindo só citação correta e uso não comercial[14].

E em 19 de abril de 2026, Werner Wandeler me envia a transcrição em anexo de e-mail, com fotografias das duas páginas em que Leontzy se identifica como copista. Eu abro o PDF aqui em Duas Barras, no interior do Rio de Janeiro.

O que sobrevive

É a parte que mais me ocupa.

Os Wermelinger de Ruswil ainda não me transmitiram nada por sangue, até onde a documentação atual permite afirmar. Minha linha vem de Willisau, ali ao lado, e atravessa o Atlântico em 1819 num navio chamado Heureux Voyage. Se há um nó comum entre nós e Leontzy, segundo o que Werner indica, ele recua ao século XVII e ainda não foi encontrado.

E mesmo assim Leontzy chegou.

Não pela linha óbvia. Chegou porque alguém, em algum momento, não jogou o caderno fora. Chegou porque, em 2014, um antiquário em Lenzburg vendeu o livro a um pesquisador da Basileia, e em 2015 uma associação de história local o trouxe de volta a Ruswil. Chegou porque um homem chamado Hallauer transcreveu as mais de cem páginas e um homem chamado Wandeler responde a e-mails de brasileiros desconhecidos.

Há um trecho que aparece quase no fim do diário do peregrino, antes do começo do relato do cirurgião, citando o Salmo 107:

Sie schreien zu dem Herren in der Noth, und er führet sie aus ihren Aengsten. “Eles clamam ao Senhor em sua aflição, e Ele os tira de seus medos.”[15]

Talvez o que sobrevive não seja a linhagem. Talvez seja o caderno.

Pesquisa pendente

A identificação exata de qual Leontzy Wermenlinger escreveu o caderno em 1780 permanece em aberto. Werner Wandeler oferece, em correspondência, sua compilação das menções Wermelinger nos Kirchenbücher de Ruswil. O cruzamento dessa lista com os homônimos vivos no Cantão de Lucerna em 1780 é o próximo passo desta investigação. A possível ligação entre os Wermelinger de Ruswil e os de Willisau, segundo Wandeler, recua ao século XVII e exigiria pesquisa direta nos protocolos de partilha, escrituras de compra e menções paroquiais cantonais.

Es heisst, Wilhelm Tell, der Bogenschütze aus Uri, habe sich Anfang des 14. Jahrhunderts geweigert, den Hut eines österreichischen Vogts zu grüssen, den dieser auf dem Marktplatz von Altdorf aufgepflanzt hatte. Zur Strafe musste er einen Pfeil auf einen Apfel schiessen, der auf dem Kopf seines eigenen Sohnes lag. Er traf den Apfel. Danach, so will es die Überlieferung, tötete er den Tyrannen und ging als Sinnbild des Widerstands gegen ungerechte Macht ins schweizerische Gedächtnis ein.

Die moderne Geschichtsschreibung behandelt Wilhelm Tell als legendäre Gestalt. Doch auch Legenden hinterlassen Spuren. Ende des 15. Jahrhunderts verarbeitete jemand in Uri diesen Stoff zu einem Theaterstück: das Urner Tellenspiel, die erste bekannte Dramatisierung des Themas. Es war dieses Stück — nicht Schillers Tell —, das Leontzy Wermenlinger 1780 im Gugerfluck abschrieb[16].

Stich aus der Druckausgabe des Urner Tellenspiels von 1657, der Wilhelm Tell zeigt, wie er einen Pfeil auf einen Apfel auf dem Kopf seines an einen Baum gebundenen Sohnes schiesst, mit Alpenlandschaft im Hintergrund
Die Apfelschussszene. Stich aus der Druckversion des Urner Tellenspiels, 1657. Dasselbe Stück, das Leontzy Wermenlinger 1780 im Gugerfluck mit der Hand abschreiben sollte. Historisches Bild gemeinfrei, abgedruckt in Werner Wandelers Beitrag im Anzeiger vom Rottal, 25. Juli 2024.

Ich weiss, dass Leontzy Wermenlinger 1780 noch schrieb. Er selbst hielt es im Heft fest: Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh[1].

Eingangsseite des Wilhelm Tell im Manuskript von 1780, mit den ersten kopierten Versen und der Signatur Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780
Eingangsseite des Wilhelm Tell im Heft von 1780. Unter den ersten vier Versen, in fester Schrift: Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780. Foto: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Wiedergabe genehmigt per E-Mail vom 9. Mai 2026.

Gugerfluck ist ein Name, der aus den amtlichen Verzeichnissen verschwunden ist. Im Schweizerischen Ortsverzeichnis von 1904 erscheint er nicht[2]. Es war der Name eines Hofes an der Flanke des Ruswilerbergs im Kanton Luzern. Das Anwesen besteht heute noch, heisst aber nur noch „Fluck“. Ein verkürzter Name, als hätte die Geschichte die Geduld mit der ersten Silbe verloren.

Leontzy schrieb, allem Anschein nach, nicht für sich selbst.

Er schrieb für einen Nachbarn, Bläsi Stöckhli vom Oberholz. Bläsi (1747-1797) ist der Name, der auf dem ersten Blatt als Eigentümer des Buches erscheint: Dieses Buoch gehört dem Bläsi Stöckhli ob d(em) Holz, 1780[3]. Die These, die Werner Wandeler in einem jüngst erschienenen Artikel vertritt, lautet: Leontzy fertigte die Abschrift in dessen Auftrag[4].

Und was Leontzy in jenem Heft zu kopieren begann, gehört zu den sonderbarsten Dingen, die je durch meine digitalen Hände gegangen sind.

Erstens dieses ganze Tellenspiel: 770 Verse[5]. Nicht Schillers Tell: Schiller sollte sein Drama erst 1804 veröffentlichen, vierundzwanzig Jahre nach Leontzy. Raue, volkstümliche Verse, mit einem Sohn, der ängstlicher wirkt als Schillers Walther[6]:

Ach Vater, liebster Vater mein,
ich hab gmeint dyr allzyt lieb zu sein.
Warumb wilt mich dan schiessen zdodt?
Sinngemäss: „Ach Vater, liebster Vater mein, ich meinte, dir immer lieb gewesen zu sein. Warum willst du mich denn totschiessen?“
Schlussseite des Wilhelm Tell mit dem Vermerk der 770 Verse, dem Namen des Eigentümers Bläsi Stöckhli und der Signatur Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh
Schlussseite des Wilhelm Tell: Vermerk der 770 Verse, Name des Eigentümers Bläsi Stöckhli und Signatur Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh. Foto: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Wiedergabe genehmigt per E-Mail vom 9. Mai 2026.

Zweitens findet sich im selben Heft das Tagebuch zur Pilgerreise in Heilige Land: das Tagebuch einer Wallfahrt nach Jerusalem, die 1603 von Ulrich Meier, dem Schulmeister von Ruswil, unternommen wurde[7]. Sie brachen am 14. April auf, zwanzig Pilger und drei Frauen. Sie überquerten den Splügen, kamen über Como, Verona, Venedig, Zypern. Sie besuchten Jerusalem und Bethlehem und stachen am 21. August von Jaffa aus wieder in See. Am 3. Januar 1604 erreichten sie Luzern. Zwei von ihnen starben auf dem Rückweg und wurden dem Meer übergeben. Da warff man in ins Meer, vermerkt das Tagebuch über Heinrich Walder, den Chorherrn von Luzern, gestorben am 28. Oktober 1603[8].

Drittens der Bericht eines Schiffschirurgen, Johan Jacob Bossert, der zwischen 1695 und 1701 das Kap der Guten Hoffnung umrundete, bei einem Seegefecht der Holländer gegen die Chinesen gefangen genommen wurde, fast drei Jahre lang eine Cangue von sechzig bis achtzig Pfund am Hals trug und vom Kaiser Kangxi freigelassen wurde, nachdem er ihm beim ersten Versuch einen schmerzenden Zahn gezogen hatte[9].

Im Heft finden sich überdies einzelne Verse, Seelenrezepte, Weisheiten, und, in anderer Hand, ein Lied über den Ersten Villmergerkrieg von 1656.

Ein einziger Einband. Mehr als vier Jahrhunderte.

Wer Leontzy war, weiss ich nicht

Werner Wandeler ist der heutige Archivar der Gemeinde und der Pfarrei Ruswil. Er hütet die Tauf-, Ehe-, Sterbe- und Jahrzeitbücher. Er hütet die Zwingprotokolle ab 1600. Er betreut meterweise Protokollbände. Für einen Artikel im Anzeiger vom Rottal von 2024 hat er sich mit dem Tellenspiel befasst, und auch er konnte, mit der ganzen Überlieferung in Reichweite, nicht mit Sicherheit bestimmen, welcher der mehreren Ruswiler Wermelinger Leontzy war. In der Region leben zu dieser Zeit mehrere Träger dieses Namens.[10]

Die Linie, die Leontzy mit mir verbinden würde, die Linie, die die Wermelinger von Ruswil mit denen von Willisau verbinden würde — von wo mein direkter Vorfahre François Xavier 1819 nach Brasilien aufbrach —, ist nach Werner durchaus möglich. Und sie reicht wahrscheinlich ins 17. Jahrhundert zurück. Sie zu beweisen, sagt er, würde Monate Arbeit in handschriftlichen Archiven erfordern[11]. Sie liegt vergraben in irgendeinem Teilungsprotokoll von Ruswil, in irgendeiner Kaufurkunde, in irgendeinem Pfarreintrag, den noch niemand aufgesucht hat.

Vorerst ist Leontzy ein ferner, ungewisser Träger meines Familiennamens. Er mag verwandt sein, er mag es nicht sein. Sicher ist, dass er den Familiennamen trug.

Die Reise des Heftes

Bläsi, der Eigentümer, starb 1797. Danach verliert sich die Spur des Heftes. 1864 und 1865 erscheinen Teile des Inhalts in Folge im Unterhaltungsblatt der Luzerner Zeitung: das Pilgertagebuch und das Abenteuer des Chirurgen[12]. Die Zeitung schrieb nur, das Original „befindet sich in einem Landhaus zu Ruswil“. Nach Wandeler dürfte der damalige Besitzer der Redaktion das Material zur Verfügung gestellt haben. Jahrzehnte vergehen. Irgendwann verlässt das Heft Ruswil.

Es taucht in einem Antiquariat in Lenzburg wieder auf. 2014 kauft es ein Familienforscher aus Basel. Im Jahr darauf erfahren die Geschichtsfreunde Ruswil zufällig von der Existenz des Buches und können es erwerben[13]. Das Heft kehrt heim, nach einer unbekannt langen Abwesenheit.

Im selben Dezember 2015 überträgt Rolf T. Hallauer in Büsserach die mehr als hundert Seiten des Manuskripts in moderne Schrift: rund 52 Seiten Tellenspiel, 57 Seiten Pilgerreise, 20 Seiten des reisenden Chirurgen, dazu der Rest. Er setzt Name, Adresse und Telefonnummer auf den Umschlag und einen urheberrechtlichen Hinweis, der nur korrekte Zitierung und nichtkommerziellen Gebrauch verlangt[14].

Und am 19. April 2026 sendet mir Werner Wandeler die Transkription als E-Mail-Anhang, mit Fotografien der zwei Seiten, auf denen Leontzy sich als Kopist zu erkennen gibt. Ich öffne das PDF hier in Duas Barras, im Landesinneren des Bundesstaates Rio de Janeiro.

Was überlebt

Das ist der Teil, der mich am meisten beschäftigt.

Die Wermelinger von Ruswil haben mir, soweit die heutige Quellenlage es zu sagen erlaubt, noch nichts durchs Blut weitergegeben. Meine Linie kommt aus dem benachbarten Willisau und überquert 1819 auf einem Schiff namens Heureux Voyage den Atlantik. Wenn es einen gemeinsamen Knoten zwischen uns und Leontzy gibt, so reicht er nach Werners Hinweis ins 17. Jahrhundert zurück und ist noch nicht aufgefunden.

Und dennoch ist Leontzy angekommen.

Nicht auf der offensichtlichen Linie. Er ist angekommen, weil irgendjemand das Heft irgendwann nicht weggeworfen hat. Er ist angekommen, weil 2014 ein Antiquariat in Lenzburg das Buch an einen Basler Forscher verkaufte, und weil 2015 ein Geschichtsverein das Buch nach Ruswil zurückbrachte. Er ist angekommen, weil ein Mann namens Hallauer die mehr als hundert Seiten transkribierte und ein Mann namens Wandeler E-Mails von unbekannten Brasilianern beantwortet.

Es gibt eine Stelle gegen Ende des Pilgertagebuchs, kurz vor dem Beginn des Chirurgenberichts, die den Psalm 107 anführt:

Sie schreien zu dem Herren in der Noth, und er führet sie aus ihren Aengsten.[15]

Vielleicht ist es nicht die genealogische Linie, die überlebt. Vielleicht ist es das Heft.

Offene Forschungsfragen

Welcher Leontzy Wermenlinger 1780 das Heft schrieb, lässt sich noch nicht bestimmen. Werner Wandeler stellt in seiner Korrespondenz seine Zusammenstellung der Wermelinger-Einträge in den Kirchenbüchern von Ruswil zur Verfügung. Der Abgleich dieser Liste mit den 1780 im Kanton Luzern lebenden Namensträgern ist der nächste Schritt dieser Untersuchung. Die mögliche Verbindung zwischen den Ruswiler und den Willisauer Wermelinger reicht nach Wandeler ins 17. Jahrhundert zurück und würde Recherchen direkt in den Teilungsprotokollen, Kaufurkunden und kantonalen Pfarreintragungen verlangen.

According to legend, Wilhelm Tell, the archer from Uri, refused early in the fourteenth century to salute the hat of an Austrian bailiff that had been set up in the square at Altdorf. As punishment he was made to shoot an arrow at an apple resting on his own son's head. He hit the apple. Then, so the tradition runs, he killed the tyrant and entered Swiss memory as a symbol of resistance to unjust power.

Modern historiography treats Wilhelm Tell as a legendary figure. But legends, too, leave their traces. At the close of the fifteenth century, someone in Uri turned this story into a play: the Urner Tellenspiel, the earliest known dramatisation of the subject. It was this play — not Schiller's Tell — that Leontzy Wermenlinger copied in 1780, at Gugerfluck[16].

Engraving from the printed edition of the Urner Tellenspiel of 1657, showing Wilhelm Tell shooting an arrow at an apple resting on the head of his son tied to a tree, with an Alpine landscape in the background
The apple shot. Engraving from the printed edition of the Urner Tellenspiel, 1657. The same play that Leontzy Wermenlinger would copy by hand in 1780, at Gugerfluck. Historical image in the public domain, reproduced in Werner Wandeler's article in the Anzeiger vom Rottal, 25 July 2024.

I know that in 1780 Leontzy Wermenlinger was still writing. He himself recorded it in the notebook: Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh[1]. “Written by me, Leontzi Wermenlinger, currently dwelling at Gugerfluck.”

Opening page of Wilhelm Tell in the 1780 manuscript, with the first verses copied and the signature Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780
Opening page of Wilhelm Tell in the 1780 notebook. Below the first four verses, in a firmer hand: Ex Libris von mir geschriben Leontžÿ Wermenlinger 1780. Photograph: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Reproduction authorised by electronic correspondence of 9 May 2026.

Gugerfluck is a name that has vanished from the official indexes. It does not appear in the Schweizerisches Ortsverzeichnis of 1904[2]. It was the name of a Hof, a farm, on the flank of the Ruswilerberg, in the canton of Lucerne. The property still stands today, but it is now simply called “Fluck”. A shortened name, as though history had lost its patience with the first syllable.

Leontzy, by every indication, was not writing for himself.

He was writing for a neighbour, Bläsi Stöckhli of the Oberholz. Bläsi (1747-1797) is the name that appears as the book's owner on the first leaf: Dieses Buoch gehört dem Bläsi Stöckhli ob d(em) Holz, 1780[3]. “This book belongs to Bläsi Stöckhli ob dem Holz, 1780.” The hypothesis, defended by Werner Wandeler in a recent article, is that Leontzy made the copy at Bläsi's request[4].

And what Leontzy began to copy into that notebook is among the strangest things that have ever passed through my digital hands.

First, this whole Tellenspiel: 770 verses[5]. Not Schiller's Tell: Schiller did not publish his drama until 1804, twenty-four years after Leontzy. Rough, popular verses, with a son who seems more frightened than Schiller's Walther[6]:

Ach Vater, liebster Vater mein,
ich hab gmeint dyr allzyt lieb zu sein.
Warumb wilt mich dan schiessen zdodt?
“Oh father, dearest father mine, I had thought I was ever dear to thee. Why then wouldst thou shoot me dead?”
Closing page of Wilhelm Tell, with the notation of 770 verses, the owner Bläsi Stöckhli's name, and the signature Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh
Closing page of Wilhelm Tell: notation of the play's 770 verses, owner Bläsi Stöckhli's name, and signature Von mÿr geschriben Leontzi Wermenlinger, der Zeit wohnhafft Jm Gugerfluckh. Photograph: Werner Wandeler / Geschichtsforum Ruswil, 2026. Reproduction authorised by electronic correspondence of 9 May 2026.

Second, within the same notebook, comes the Tagebuch zur Pilgerreise in Heilige Land: the diary of a pilgrimage to Jerusalem made in 1603 by Ulrich Meier, schoolmaster of Ruswil[7]. They set out on 14 April, twenty pilgrims and three women. They crossed the Splügen, passed through Como, Verona, Venice, Cyprus. They visited Jerusalem and Bethlehem, and on 21 August set sail from Jaffa for the return. They reached Lucerne on 3 January 1604. Two of them died on the way back and were committed to the sea. Da warff man in ins Meer, the diary notes of Heinrich Walder, canon of Lucerne, who died on 28 October 1603[8].

Third, the account of a naval surgeon, Johan Jacob Bossert, who between 1695 and 1701 rounded the Cape of Good Hope, was taken prisoner during a naval engagement of the Dutch against the Chinese, wore around his neck a cangue of sixty to eighty pounds for nearly three years, and was set free by Emperor Kangxi after pulling out a painful tooth on the first attempt[9].

In the notebook there are also scattered verses, recipes for the soul, sayings, and, in another hand, a song about the First Battle of Villmergen, in 1656.

A single binding. More than four centuries.

Who Leontzy was, I do not know

Werner Wandeler is the present-day archivist of the municipality and parish of Ruswil. He keeps the Tauf-, Ehe-, Sterbe-, Jahrzeitbücher: books of baptism, marriage, death, anniversaries of death. He keeps the Zwingprotokolle from 1600 onwards. He is responsible for metres of archival protocol books. He studied the Tellenspiel for an article in the Anzeiger vom Rottal in 2024, and even he, with all the documentation at his fingertips, could not identify with certainty which of the several Ruswil Wermelingers was Leontzy. In der Region leben zu dieser Zeit mehrere Träger dieses Namens. Several bearers of the name lived in the region at that time[10].

The line that would link Leontzy to me, the line that would link the Wermelingers of Ruswil to those of Willisau — from where my direct ancestor François Xavier sailed for Brazil in 1819 — is, according to Werner, durchaus möglich: entirely possible. And it likely reaches back to the seventeenth century. But proving it, he says, would require months of work in manuscript archives[11]. It lies buried in some Teilungsprotokoll of Ruswil, in some deed of purchase, in some parish mention that no one has yet gone looking for.

For now, Leontzy is a distant and uncertain bearer of my surname. He may be a relative, he may not. What is certain is that he carried the surname.

The notebook's journey

Bläsi, the owner, died in 1797. After that, the notebook drops out of sight. In 1864 and 1865, parts of its contents appear serialised in the Unterhaltungsblatt of the Luzerner Zeitung: the pilgrim's diary and the surgeon's adventure[12]. The newspaper said only that the original “is to be found in a country house in Ruswil”. According to Wandeler, the owner at the time must have made the material available to the editorial office. Decades go by. At some point the notebook leaves Ruswil.

It resurfaces with an antiquarian dealer in Lenzburg. In 2014 a genealogical researcher from Basel buys it. The following year the Geschichtsfreunde Ruswil — the Friends of the History of Ruswil — chance upon the existence of the book and manage to acquire it[13]. The notebook comes home after no one knows how long away.

That same December of 2015, Rolf T. Hallauer, in Büsserach, transcribes the more than one hundred pages of the manuscript in modern script: roughly 52 pages of Tellenspiel, 57 of pilgrimage, 20 of the travelling surgeon, plus the rest. He puts his name, address, telephone number on the cover, along with a copyright notice asking only for correct citation and non-commercial use[14].

And on 19 April 2026, Werner Wandeler sends me the transcription as an e-mail attachment, with photographs of the two pages on which Leontzy identifies himself as the copyist. I open the PDF here in Duas Barras, in the interior of Rio de Janeiro state.

What survives

This is the part that occupies me most.

No blood connection between the Ruswil Wermelingers and my line has yet been documented. My line comes from Willisau, just next door, and crosses the Atlantic in 1819 on a ship called Heureux Voyage. If there is a common genealogical link between us and Leontzy, as Werner indicates, it reaches back to the seventeenth century and has not yet been found.

And yet Leontzy arrived all the same.

Not by the obvious line. He arrived because someone, at some point, did not throw the notebook away. He arrived because in 2014 an antiquarian dealer in Lenzburg sold the book to a researcher from Basel, and in 2015 a local history society brought it back to Ruswil. He arrived because a man named Hallauer transcribed the more than one hundred pages and a man named Wandeler answers e-mails from unknown Brazilians.

There is a passage that appears near the end of the pilgrim's diary, just before the surgeon's account begins, citing Psalm 107:

Sie schreien zu dem Herren in der Noth, und er führet sie aus ihren Aengsten. “They cry unto the Lord in their trouble, and He bringeth them out of their distresses.”[15]

Perhaps what survives is not the lineage. Perhaps it is the notebook.

Pending research

Exactly which Leontzy Wermenlinger wrote the notebook in 1780 remains an open question. Werner Wandeler offers, in correspondence, his compilation of Wermelinger mentions in the Kirchenbücher of Ruswil. Cross-referencing that list with the Wermelingers living in the canton of Lucerne in 1780 is the next step of this inquiry. The possible link between the Ruswil and the Willisau Wermelingers, according to Wandeler, reaches back to the seventeenth century and would require direct research in inheritance partition records, deeds of purchase, and cantonal parish entries.

Linha do tempo do caderno Zeitachse des Heftes Timeline of the notebook

  • fim do séc. XV Ende des 15. Jh. late 15th c. Urner Tellenspiel escrito em Uri. Urner Tellenspiel in Uri verfasst. Urner Tellenspiel written in Uri.
  • 1603-1604 peregrinação de Ulrich Meier de Ruswil a Jerusalém. Pilgerreise von Ulrich Meier aus Ruswil nach Jerusalem. pilgrimage of Ulrich Meier of Ruswil to Jerusalem.
  • 1656 Primeira Batalha de Villmergen. Erster Villmergerkrieg. First Battle of Villmergen.
  • 1657 edição impressa do Tellenspiel, com a gravura da Apfelschuss. Druckausgabe des Tellenspiels mit dem Stich der Apfelschussszene. printed edition of the Tellenspiel, with the Apfelschuss engraving.
  • 1695-1701 Johan Jacob Bossert na Companhia das Índias Holandesas e cativeiro em Pequim. Johan Jacob Bossert in der Niederländischen Ostindien-Kompanie und Gefangenschaft in Peking. Johan Jacob Bossert in the Dutch East India Company and captivity in Beijing.
  • 1747-1797 vida de Bläsi Stöckhli, do Oberholz. Lebenszeit von Bläsi Stöckhli vom Oberholz. lifetime of Bläsi Stöckhli, of the Oberholz.
  • 1780 Leontzy Wermenlinger copia o caderno no Gugerfluck. Leontzy Wermenlinger kopiert das Heft im Gugerfluck. Leontzy Wermenlinger copies the notebook at Gugerfluck.
  • 1864-1865 trechos publicados em série na Luzerner Zeitung. Auszüge in Folge in der Luzerner Zeitung gedruckt. excerpts serialised in the Luzerner Zeitung.
  • 2014 caderno comprado num antiquário de Lenzburg. Heft in einem Antiquariat in Lenzburg gekauft. notebook bought from an antiques dealer in Lenzburg.
  • 2015 Geschichtsfreunde Ruswil readquirem; Hallauer transcreve em Büsserach. Geschichtsfreunde Ruswil erwerben es zurück; Hallauer transkribiert in Büsserach. Geschichtsfreunde Ruswil reacquire it; Hallauer transcribes in Büsserach.
  • 25 de julho de 2024 25. Juli 2024 25 July 2024 Wandeler escreve sobre o caderno no Anzeiger vom Rottal. Wandeler schreibt über das Heft im Anzeiger vom Rottal. Wandeler writes about the notebook in the Anzeiger vom Rottal.
  • 19 de abril de 2026 19. April 2026 19 April 2026 Wandeler envia a transcrição e as fotos a Duas Barras. Wandeler sendet die Transkription und die Fotos nach Duas Barras. Wandeler sends the transcription and the photographs to Duas Barras.
  • 8 de maio de 2026 8. Mai 2026 8 May 2026 primeira publicação desta crônica, em Duas Barras. Erstveröffentlichung dieser Chronik, in Duas Barras. first publication of this chronicle, in Duas Barras.

Notas e fontes Anmerkungen und Quellen Notes and sources

  1. Assinatura ao final do Wilhelm Tell, manuscrito de 1780. Transcrita em HALLAUER, Rolf T. Inhalt und ehemaliger Besitzer des Buches von 1780. Büsserach, dezembro de 2015 (versão revisada em 2018), p. 8.
  2. Hallauer 2015, p. 3: “Der Name Gugerflück ist im Schweizerischen Ortsverzeichnis von 1904 nicht enthalten.” A propriedade hoje aparece nos mapas de Ruswil/LU como “Fluck”.
  3. Inscrição do ex libris na primeira folha do livro: Dieses Buoch gehört dem Bläsi Stöckhli ob d(em) Holz, 1780. Transcrita em Hallauer 2015, p. 6, com fotografia da capa original.
  4. WANDELER, Werner. “Auch Ruswil hat seinen Nationalhelden: Der »Willhelm Thell« vom Fluck”. Anzeiger vom Rottal, n. 30, 25 de julho de 2024. Wandeler atribui a cópia ao agricultor Bläsi Stöckhli (1747-1797), do Oberholz: “Wermelinger wird die Abschrift im Auftrag des Landwirts Blasius Stöckli vom Oberholz erstellt haben”.
  5. “Jn diesem Spill sind Vers 770”. Hallauer 2015, p. 8 (transcrição do explicit do Tellenspiel).
  6. Wandeler 2024 (op. cit.): “Dem »Ruswiler« Tell diente das alte Urner Tellenspiel, das vor über 500 Jahren verfasst wurde, als Vorlage und damit die älteste Dramatisierung der Tellensage.”
  7. Hallauer 2015, p. 5: “Der ursprüngliche Verfasser dieses Reiseberichtes war der Pilger Ulrich Meier (†1619), Schulmeister in Ruswil im Kanton Luzern.”
  8. Sobre a morte de Heinrich Walder, cônego de Lucerna no Hof, em 28 de outubro de 1603 e seu sepultamento no mar (Seebestattung), Hallauer 2015, p. 32. A frase Da warff man in ins Meer está transcrita literalmente. O segundo peregrino falecido na viagem de retorno foi Jost Heini im Will, na véspera de Todos os Santos.
  9. Relato de Johan Jacob Bossert, cirurgião em serviço da Companhia das Índias Holandesas. Hallauer 2015, p. 37-45. A cangue (Conqua, 60 a 80 libras) e a quase três anos de prisão em Pêquim estão em p. 41-42; a extração do dente do imperador Kangxi (Chammhi), em p. 42-43; o decreto imperial de libertação, datado do 39º ano do reinado de Kangxi (1700), em p. 44-45.
  10. Wandeler 2024 (op. cit.): “In der Region leben zu dieser Zeit mehrere Träger dieses Namens.”
  11. WANDELER, Werner. Correspondência eletrônica com Tiago Torres Wermelinger, 19 de abril de 2026: “Eine Verbindung zwischen den Ruswiler und den Willisauer Wermelinger ist durchaus möglich und geht wahrscheinlich ins 17. Jahrhundert zurück. Recherchen, die aufwändig sein dürften.” Wandeler enumera ainda as fontes provavelmente relevantes: Tauf-, Ehe-, Sterbe-, Jahrzeitbücher (Arquivo Paroquial), Rats-, Teilungs- und Kaufprotokolle (Arquivo Municipal), Zwingprotokolle a partir de 1600 (Arquivo da Corporação).
  12. Wandeler 2024 (op. cit.): “dass im Jahre 1864 (Nr. 146 und Nr. 153) und 1865 (Nr. 195) sowohl die Jerusalemreise wie auch die abenteuerlichen Erlebnisse des Schiffarztes im Unterhaltungsblatt der Luzerner Zeitung abgedruckt wurden.” A indicação vaga de proveniência (“einem Landhause in Ruswil”) também está em Wandeler 2024.
  13. Wandeler 2024 (op. cit.): aquisição em 2014 por um pesquisador genealógico (Familienforscher) da Basileia em um antiquário de Lenzburg; descoberta casual e compra pelos Geschichtsfreunde Ruswil em 2015.
  14. Hallauer 2015, p. 1: dados de contato e nota de direito autoral. A versão de trabalho atual é a revisada em 19 de agosto de 2018.
  15. Hallauer 2015, p. 36. O trecho aparece como colôfon entre o final do diário de Ulrich Meier e o início do relato de Bossert, sob a epígrafe explicitamente identificada como Salmo 107 (versos 23 e seguintes). Tradução portuguesa diretamente do alemão do manuscrito.
  16. A grafia “Gugerfluck” segue indicação de Werner Wandeler em correspondência de 9 de maio de 2026: o sinal diacrítico sobre o “u” no manuscrito de 1780 não é trema (Umlaut), e sim um U-Haken, marca paleográfica usada na escrita gótica e Kurrent para distinguir o “u” do “n”. Por isso, na transcrição de Hallauer 2015, o topônimo aparece como “Gugerflück”, com trema; a leitura paleograficamente fiel do nome local, segundo Wandeler, é “Gugerfluck”.

Fontes primárias Primärquellen Primary sources

  • WERMENLINGER, Leontzi (copista). Manuscrito de 1780: cópia do Wilhelm Tell (Urner Tellenspiel, 770 versos), do Tagebuch zur Pilgerreise in Heilige Land de Ulrich Meier (1603-1604), do relato de Johan Jacob Bossert (1695-1701), versos avulsos, e (em outra letra) canção sobre a Primeira Batalha de Villmergen (1656). Encadernado em couro, ex libris de Bläsi Stöckhli ob dem Holz. Acervo dos Geschichtsfreunde Ruswil desde 2015.
  • WANDELER, Werner. Correspondência eletrônica com o autor: 16 e 19 de abril de 2026. Inclui fotografias do ex libris e da página final do Tellenspiel; compilação das menções Wermelinger nos Kirchenbücher de Ruswil; passagem inédita sobre os Wermelinger no teatro barroco rural de Ruswil.
  • WANDELER, Werner. Correspondência eletrônica com o autor: 9 de maio de 2026. Autoriza explicitamente o uso das fotografias do manuscrito no Arquivo Wermelinger (“Selbstverständlich können Sie die Fotos verwenden”) e esclarece, em pós-escrito paleográfico, que a grafia correta do topônimo é Gugerfluck, não Gugerflück: o sinal sobre o “u” não é trema, mas U-Haken, gancho diacrítico que distinguia o u do n na escrita gótica.

Fontes secundárias densas Dichte Sekundärquellen Dense secondary sources

  • HALLAUER, Rolf T. Inhalt und ehemaliger Besitzer des Buches von 1780. Büsserach, dezembro de 2015 (versão revisada em 19 de agosto de 2018). Transcrição integral do manuscrito em letra moderna, com cerca de 130 páginas (52 do Tellenspiel, 57 da peregrinação, 20 do cirurgião, mais versos e a canção de Villmergen). Uso não comercial autorizado mediante citação correta.
  • WANDELER, Werner. “Auch Ruswil hat seinen Nationalhelden: Der »Willhelm Thell« vom Fluck”. Anzeiger vom Rottal, n. 30, 25 de julho de 2024. Reportagem histórica que situa o Tellenspiel de 1780 no contexto do teatro suíço pré-Schiller e identifica Leontzy Wermenlinger como copista a serviço de Bläsi Stöckhli.
  • SIDLER, Franz. Geschlechter-Buch von Willisau. Heimatkunde des Wiggertals, 1953. DOI: 10.5169/seals-718397. Referência genealógica para a linhagem Willisau dos Wermelinger.

Fontes pendentes de consulta direta Quellen, die noch direkt zu konsultieren sind Sources pending direct consultation

  • Pfarrarchiv Ruswil: Tauf-, Ehe-, Sterbe-, Jahrzeitbücher; Zinsrodel. Curador: Werner Wandeler, Sonnebergli 32, 6017 Ruswil. consulta pendente
  • Gemeindearchiv Ruswil: Rats-, Teilungs- und Kaufprotokolle. consulta pendente
  • Korporationsarchiv Ruswil: Zwingprotokolle desde 1600. consulta pendente
  • Luzerner Zeitung, edições de 1864 (n. 146 e n. 153) e 1865 (n. 195): publicação em série do diário do peregrino e do relato do cirurgião. leitura pendente
Esta crônica passou por revisão factual antes da publicação: cada afirmação tem fonte rastreável em Hallauer (2015), Wandeler (2024) ou na correspondência direta com Werner Wandeler em abril de 2026. Onde havia tentação de adicionar textura inventada (cor da tinta, disposição do interior, hipóteses sobre identidade), o texto foi reescrito para registrar a lacuna. Quando a pesquisa nos arquivos de Ruswil avançar e a inscrição exata de Leontzy Wermenlinger for localizada, esta versão será substituída por uma versão revisada e a correção consignada em nota explícita. Diese Chronik wurde vor der Veröffentlichung einer faktischen Revision unterzogen: jede Aussage ist auf Hallauer (2015), Wandeler (2024) oder die direkte Korrespondenz mit Werner Wandeler im April 2026 rückverfolgbar. Wo die Versuchung bestand, erfundene Textur hinzuzufügen (Tintenfarbe, Innenraum, Identitätsannahmen), wurde der Text umgeschrieben, um die Lücke einzutragen. Sobald die Recherche in den Ruswiler Archiven fortgeschritten und die genaue Eintragung Leontzy Wermenlingers ermittelt ist, wird diese Fassung durch eine revidierte ersetzt und die Korrektur ausdrücklich vermerkt. This chronicle underwent factual revision before publication: every statement is traceable to Hallauer (2015), Wandeler (2024), or direct correspondence with Werner Wandeler in April 2026. Where there was a temptation to add invented texture (ink color, interior arrangement, hypotheses about identity), the text was rewritten to record the gap. Once research in the Ruswil archives advances and Leontzy Wermenlinger's exact registration is located, this version will be replaced by a revised one and the correction expressly noted.
Tiago Torres Wermelinger
Duas Barras, Rio de Janeiro · 8 de maio de 2026
Crônica avulsa · Trilha Ruswil
Arquivo Wermelinger — onde a história é verificada, não repetida
Duas Barras, Rio de Janeiro · 8. Mai 2026
Einzelchronik · Reihe Ruswil
Wermelinger-Archiv — wo Geschichte geprüft wird, nicht wiederholt
Duas Barras, Rio de Janeiro · 8 May 2026
Standalone chronicle · Ruswil track
Wermelinger Archive — where history is verified, not repeated

Trilingue · PT · DE · EN Dreisprachig · PT · DE · EN Trilingual · PT · DE · EN