sexta-feira, 6 de março de 2009

Willisauer Volksblatt — 14 de novembro de 1969: Grüezi wohl, Frau Wermelinger

Fonte primária · 14 de novembro de 1969 Originalquelle · 14. November 1969 Primary source · 14 November 1969 Willisauer Volksblatt Por M. L. · Coluna cronística do encontro Von M. L. · Chronik der Tagung By M. L. · Chronicle of the gathering
Tradução não-oficial Esta reportagem foi publicada originalmente em alemão no Willisauer Volksblatt, jornal local de Willisau, Cantão de Lucerna, Suíça, em sexta-feira, 14 de novembro de 1969 — duas semanas antes da cobertura paralela do Willisauer Bote sobre o mesmo evento. Autor: M. L. A tradução portuguesa apresentada aqui é arquivística, atribuída a Walter Wermelinger da Costa, e foi preservada exatamente como recebida, inclusive nos trechos que registram o tom racial-colonial da época. Em caso de divergência interpretativa, prevalece a versão original alemã.
Originalfassung Diese Reportage erschien im Willisauer Volksblatt, Lokalzeitung von Willisau im Kanton Luzern, Schweiz, am Freitag, 14. November 1969 — zwei Wochen vor der parallelen Berichterstattung des Willisauer Boten über dasselbe Ereignis. Verfasser: M. L. Der Originaltext wurde aus dem Zeitungsausschnitt 2026 transkribiert und hier in seiner ursprünglichen Form bewahrt, einschließlich der Passagen, die den rassenkolonialen Ton der Zeit dokumentieren.
Unofficial translation This article was originally published in German in the Willisauer Volksblatt, the local newspaper of Willisau in the Canton of Lucerne, Switzerland, on Friday, 14 November 1969 — two weeks before the parallel coverage of the Willisauer Bote on the same event. Author: M. L. This English translation is unofficial and was made by Tiago Torres Wermelinger from the German original (transcribed from the press clipping in 2026). Passages reflecting the racial-colonial tone of the period are preserved unchanged. In case of interpretive divergence, the German original prevails.

Sexta-feira, 14 de novembro de 1969 · Willisau Freitag, 14. November 1969 · Willisau Friday, 14 November 1969 · Willisau

Nossos cumprimentos cordiais, Senhora Wermelinger… Grüezi wohl, Frau Wermelinger… Cordial Greetings, Frau Wermelinger…

Assim soou no domingo à tarde próximo passado, repetidas vezes, no Salão Grande do Hotel Mohren em Willisau. Foi uma comemoração muito especial a que teve lugar neste local. As bandeiras de Willisau, do Brasil e da Suíça anunciavam a união do interior de Lucerna com o Brasil. O morno sol de novembro nos enviava seus raios inclementes, com benevolência, ao quente sol do Brasil, que nos resplandeceria no filme.

Otto Wermelinger-Ambühl, de Lucerna, e seu filho Walter foram os organizadores da tarde interessante. Pelo ano de 1820, Xaver Wermelinger, com outras famílias, teria emigrado para o Brasil. Ninguém sabia mais de seu paradeiro. Tanto maior foi a surpresa quando soubemos que lá ainda existiam tantas famílias que têm este nome. Somos gratos ao destino e à Embaixada da Suíça no Rio de Janeiro, que, sob o encargo do jovem advogado de nome Wermelinger, selecionou entre inúmeros endereços o de Otto Wermelinger. Com infindável idealismo, ele e seu filho teceram o fio, sacrificando muitas horas, obrando e criando. Quão grande alegria deve ter sido para os dois poder reunir tantos Wermelinger, amigos e conhecidos — foram mais de 300. Eles vieram de toda a Suíça, até de Graubünden.

Walter Wermelinger filmou, em várias viagens, a terra e as pessoas. Ele não tentou somente nos mostrar retratos interessantes, mas quis também nos familiarizar com a mentalidade deste país desconhecido, quis nos mostrar quão diferente é a vida da cidade e a do interior.

Aí dançam as moças cor de café ao ritmo do samba1; aí a estátua de Cristo no morro do Corcovado distribui sua bênção; aí o carro de bois passa aos solavancos sobre a terra vermelha, como nos velhos tempos; aí surge o caldo de cana esmagada, é consumido, e é preparado o melado.

Qual seria o gosto de um café de Lucerna adoçado com este açúcar marrom-amarelado, não refinado? E aquecido com aguardente de cana-de-açúcar feita em casa, chamada cachaça. Esta aguardente é vendida principalmente a negros1.

No Brasil há pessoas de todas as cores, desde o branco claro até o marrom escuro. A estirpe Wermelinger se esforça muito para conservar a cor clara, o que é quase um predicado de nobreza1. Com quanto gosto nos aprofundaríamos nos retratos dos mais idosos da tribo, para pesquisar os seus traços marcantes, formados por privações, trabalhos pesados, orgulho e calma estoica.

O fato de que as famílias Wermelinger continuam a prosperar pode ser constatado pela alegre, risonha e bem nutrida juventude. Se a viagem não fosse tão longa e cara, certamente um Wermelinger solteiro iria procurar, entre as lindas jovens, sua futura mulherzinha! Isto seria uma sugestão para unir-se mais com esta turma do além-mar.

Se porventura um Wermelinger brasileiro vier visitar a Suíça, gostaríamos de ser convidados novamente. Quem, até lá, saberá falar português? No fim deste mês, Walter Wermelinger voará novamente para o Rio, para passar lá suas férias. Ao mesmo tempo, como embaixador, ele entregará todas as assinaturas feitas no Salão do Hotel Mohren, como prova de nosso interesse e gratidão.

Com palavras simpáticas, o senhor Wermelinger agradeceu o oferecimento da BBC de Baden2, entendendo que um leigo não pode dispor de toda a aparelhagem técnica. Infelizmente, o orador não foi ouvido com muita nitidez, mas isto foi suprido pelo extraordinário fundo musical.

1 Nota editorial sobre o tom da época. Os trechos referentes à cor da pele — “moças cor de café”, “vendida principalmente a negros”, “conservar a cor clara… predicado de nobreza” — constam no original alemão de M. L. (1969) e foram preservados nesta tradução pelo princípio de fidelidade documental. Eles registram a mentalidade racial-colonial dominante na Suíça e no Brasil daquele momento histórico, e não devem ser lidos como endosso editorial deste arquivo. A preservação documental do tom de uma fonte histórica é distinta de sua aprovação. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.

2 BBC Baden. Refere-se a Brown, Boveri & Cie., empresa suíça de eletromecânica fundada em Baden (Argóvia) em 1891, na época grande fornecedora de equipamento técnico de gravação e projeção. Não confundir com a BBC britânica.

So tönte es am letzten Sonntagnachmittag immer wieder im großen Mohrensaal in Willisau. Es war eine Festgemeinde ganz besonderer Art, die sich da eingefunden hatte. Die Fahnen von Willisau, von Brasilien und der Schweiz kündeten von weltweiter Verbundenheit, das Luzerner Hinterland mit Brasilien. Die warme Novembersonne strahlte mit barmherzig-warmem Anteil zugunsten der heißen Sonne von Brasilien, die uns im Film entgegenleuchten sollte.

Otto Wermelinger-Ambühl, Luzern, und sein Sohn Walter waren die Initianten des interessanten Nachmittags. Um das Jahr 1820 soll Xaver Wermelinger mit andern Familien nach Brasilien ausgewandert sein. Niemand wußte mehr davon. Um so größer war die Überraschung, daß es dort drüben noch so viele Familien gibt, die diesen Namen tragen. Wir sind dem Schicksal dankbar, daß die Schweizer Botschaft in Rio de Janeiro im Auftrag eines jungen Advokaten mit Namen Wermelinger unter zahlreichen Adressen diejenige von Otto Wermelinger ausgesucht hat. Mit unsäglichem Idealismus haben er und sein Sohn den Faden weitergesponnen, gewirkt und geschaffen, viele Stunden geopfert. Wie muß es für die beiden eine große Freude gewesen sein, so viele Wermelinger und deren Freunde und Bekannte versammeln zu können. Es waren ca. 300.

Aus der ganzen Schweiz sind sie gekommen, sogar aus Graubünden!

Walter Wermelinger hat auf mehreren Reisen Land und Leute gefilmt. Er hatte nicht nur uns interessante Bilder zu zeigen, sondern wollte uns auch mit der Mentalität dieses fremden Landes vertraut machen, wollte uns zeigen, wie unterschiedlich das Leben in der Stadt oder auf dem Land ist.

Da tanzen kaffeebraune Girls1 zu heißen Sambarhythmen, da segnet die Christusstatue auf dem Zuckerhut ihren Segen, da holpert der von Ochsengespann gezogene Karren über die rote Erde wie zu Urzeiten, da quillt der Saft aus dem zerquetschten Zuckerrohr, wird eingekocht, eingedickt zur Melasse. Wie schmeckt wohl ein Luzerner Kaffi mit diesem beigebraunen unraffinierten Zucker gesüßt? Und aufgekocht mit selbstgebranntem Zuckerrohrschnaps, genannt Cachaça. Dieser Schnaps wird in erster Linie an Neger1 verkauft.

In Brasilien gibt es Menschen jeder Hautschattierung, von hellem Weiß bis zum dunklen Braun. Die Wermelinger-Sippe ist sehr bemüht, ihre helle Hautfarbe zu bewahren, was fast ein bißchen einem Adelsprädikat gleichkommt1. Wie gerne hätte man sich länger in den Porträts des ältesten Stammes vertieft, um in seinen markanten Gesichtszügen Entbehrung, harter Arbeit, Stolz und stoischer Ruhe zu forschen.

Daß die Wermelinger Familien weiter gedeihen, das hat das muntere, wohlgenährte Jungvolk bewiesen. Wäre die Reise nicht so weit und teuer, sicher würde ein lediger Wermelinger unter diesen bildhübschen Maitschli sein zukünftiges Frauli suchen! Dies wäre ein konkreter Vorschlag, die Bande mit drüben enger zu knüpfen.

Sollte je ein Brasilien-Wermelinger die Schweiz besuchen, so möchten wir wieder eingeladen werden. Wer kann bis dann Portugiesisch? Am Ende dieses Monats wird Walter Wermelinger wieder nach Rio fliegen, um dort seinen Urlaub zu verbringen. Gleichsam als Botschafter wird er alle im Mohrensaal gegebenen Unterschriften überbringen zum Beweis unseres Interesses und unserer Dankbarkeit.

Mit sympathischen Worten verdankt Herr Wermelinger von der BBC Baden2 die Darbietung, denn ein Laie kann nicht über die vollkommene technische Ausrüstung verfügen. Leider war der Sprecher nicht gut zu verstehen, dafür entschädigt aber die ausgezeichnete Untermalung mit Musik.

1 Anmerkung der Redaktion zum Zeitton. Die Passagen zur Hautfarbe — „kaffeebraune Girls“, „an Neger verkauft“, „helle Hautfarbe… Adelsprädikat“ — stehen so im Originaltext von M. L. (1969) und werden hier nach dem Grundsatz der Quellentreue unverändert bewahrt. Sie dokumentieren die rassenkoloniale Mentalität jener Zeit in der Schweiz und in Brasilien und sollen nicht als redaktionelle Billigung dieses Archivs gelesen werden. Die dokumentarische Bewahrung des Tons einer historischen Quelle ist von ihrer Zustimmung zu unterscheiden. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.

2 BBC Baden. Bezeichnet die Brown, Boveri & Cie., schweizerisches Elektrotechnikunternehmen, 1891 in Baden (Aargau) gegründet, damals führender Hersteller von Aufnahme- und Projektionstechnik. Nicht zu verwechseln mit der britischen BBC.

Thus it sounded again and again last Sunday afternoon in the great Mohren Hall of Willisau. It was a festive gathering of a most particular kind that had assembled there. The flags of Willisau, of Brazil, and of Switzerland proclaimed a worldwide kinship: the Lucerne hinterland with Brazil. The warm November sun shone with a mercifully warm share, in honour of the hot Brazilian sun that would beam upon us from the film.

Otto Wermelinger-Ambühl, of Lucerne, and his son Walter were the initiators of this remarkable afternoon. Around the year 1820, Xaver Wermelinger is said to have emigrated to Brazil with other families. Nothing more was known of them. The greater therefore was the surprise that over there so many families still bear this name. We are grateful to fate that the Swiss Embassy in Rio de Janeiro, on behalf of a young lawyer by the name of Wermelinger, selected from numerous addresses that of Otto Wermelinger. With unspeakable idealism, he and his son spun the thread further, working and creating, sacrificing many hours. What a great joy it must have been for the two of them to gather so many Wermelingers and their friends and acquaintances together — about 300 of them.

From the whole of Switzerland they had come — even from Graubünden!

Walter Wermelinger filmed land and people on several journeys. He had not only interesting images to show us, but also wished to acquaint us with the mentality of this foreign land, to show us how different life is in the city as opposed to the countryside.

There, coffee-coloured girls1 dance to hot samba rhythms; there, the statue of Christ on Sugarloaf Mountain bestows its blessing; there, the ox-drawn cart jolts over the red earth as in olden times; there, the juice flows from the crushed sugarcane, is boiled down, thickened into molasses. How would a Lucerne coffee taste, sweetened with this beige-brown unrefined sugar? And brewed with home-distilled cane spirit, called cachaça. This spirit is sold chiefly to negroes1.

In Brazil there are people of every shade of skin, from light white to dark brown. The Wermelinger lineage strives hard to preserve its light skin colour, which almost approaches a kind of mark of nobility1. How gladly one would have lingered longer over the portraits of the eldest of the line, to study in their striking features the marks of privation, hard labour, pride, and stoic calm.

That the Wermelinger families continue to thrive was proven by the cheerful, well-fed young folk. Were the journey not so long and costly, surely a single Wermelinger would seek out among these picture-pretty Maitschli his future Frauli! This would be a concrete proposal, to draw the bond with those abroad more tightly.

Should ever a Brazilian Wermelinger visit Switzerland, we wish to be invited again. Who by then will speak Portuguese? At the end of this month, Walter Wermelinger will fly again to Rio to spend his holiday there. As if an ambassador, he will deliver all the signatures given in the Mohren Hall, in proof of our interest and gratitude.

With sympathetic words, Mr. Wermelinger thanked the BBC of Baden2 for the presentation, since a layman cannot command such complete technical equipment. Unfortunately, the speaker was not easily understood, but this was made up for by the excellent musical accompaniment.

1 Editorial note on the tone of the period. The passages referring to skin colour — “coffee-coloured girls”, “sold chiefly to negroes”, “preserve its light skin colour… mark of nobility” — appear in the German original by M. L. (1969) and are preserved here under the principle of source fidelity. They document the racial-colonial mentality dominant in Switzerland and Brazil at that historical moment, and should not be read as editorial endorsement by this archive. Documentary preservation of a historical source's tone is distinct from its approval. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.

2 BBC Baden. Refers to Brown, Boveri & Cie., Swiss electrical-engineering firm founded in Baden (Aargau) in 1891, then a leading supplier of recording and projection equipment. Not to be confused with the British BBC.

Recorte do Willisauer Volksblatt de 14 de novembro de 1969

Recorte do Willisauer Volksblatt, 14 de novembro de 1969 Ausschnitt aus dem Willisauer Volksblatt, 14. November 1969 Clipping from the Willisauer Volksblatt, 14 November 1969

Cobertura paralela · reportagem irmã Duas semanas após esta crônica de M. L. no Willisauer Volksblatt, o concorrente Willisauer Bote publicou em 28 de novembro de 1969 sua própria cobertura do Wermelinger-Tag, em tom mais histórico-genealógico, assinada por H. K. Os dois textos são complementares: o Volksblatt registra a vivência da tarde — danças, filmes, atmosfera, “mais de 300 reunidos” —, enquanto o Bote aprofunda a investigação genealógica — “1819, partida com cinco filhos”, hipóteses sobre origem (Ebersecken, Ruswil, Hergiswil), perspectiva da continuidade futura. Ler ambos é ler o evento por dois olhares jornalísticos da mesma semana.
Parallelberichterstattung · Schwesterartikel Zwei Wochen nach dieser Chronik von M. L. im Willisauer Volksblatt veröffentlichte der konkurrierende Willisauer Bote am 28. November 1969 seine eigene Berichterstattung über die Wermelinger-Tagung, in stärker historisch-genealogischem Ton, signiert von H. K. Beide Texte ergänzen sich: das Volksblatt hält das Erleben des Nachmittags fest — Tänze, Filme, Atmosphäre, „über 300 Versammelte“ —, während der Bote die genealogische Untersuchung vertieft — „Auswanderung 1819 mit fünf Kindern“, Herkunftshypothesen (Ebersecken, Ruswil, Hergiswil), Ausblick auf die Zukunft. Beide zu lesen heißt, das Ereignis durch zwei journalistische Blicke derselben Woche zu sehen.
Parallel coverage · sister article Two weeks after this chronicle by M. L. in the Willisauer Volksblatt, the competing Willisauer Bote published on 28 November 1969 its own coverage of the Wermelinger Gathering, in a more historical-genealogical tone, signed by H. K. The two texts complement each other: the Volksblatt records the experience of the afternoon — dances, films, atmosphere, “over 300 gathered” —, while the Bote deepens the genealogical inquiry — “departure in 1819 with five children”, hypotheses of origin (Ebersecken, Ruswil, Hergiswil), outlook on continuity. To read both is to see the event through two journalistic gazes of the same week.

Originalfassung em alemão · Willisauer Volksblatt, 14.11.1969 · M. L.
Tradução portuguesa: Walter Wermelinger da Costa, Niterói
Tradução inglesa · Transcrição do alemão: Tiago Torres Wermelinger, 2026
Arquivo · Duas Barras · 2026
Originalfassung · Willisauer Volksblatt, 14.11.1969 · M. L.
Portugiesische Übersetzung: Walter Wermelinger da Costa, Niterói
Englische Übersetzung · Transkription aus dem Deutschen: Tiago Torres Wermelinger, 2026
Archiv · Duas Barras · 2026
German original · Willisauer Volksblatt, 14.11.1969 · M. L.
Portuguese translation: Walter Wermelinger da Costa, Niterói
English translation · transcription from German: Tiago Torres Wermelinger, 2026
Archive · Duas Barras · 2026

Você já sabia que...

Tradução do texto anterior

Bem longe daqui, no Sul do Brasil, ainda vivem muitos membros da família Wermelinger? São algumas centenas nas baías do Rio de Janeiro, em Niterói, e em especial na província, nas montanhas no Estado do Rio de Janeiro. O primeiro membro, Xaver Wermelinger, teria emigrado juntamente com outras famílias suíças e especialmente com famílias de Freiburgo, antes de 1820, para a América do Sul. Nessa ocasião, o Brasil doava gratuitamente terras a estes emigrantes. A parcela era determinada por sorteio. O início deve ter sido muito difícil. Outras emigrações se seguiram, mas nem todos conseguiram sobreviver à longa e difícil viagem de navio. Os de Freiburgo fundaram mais tarde a cidade de Nova Friburgo; os Wermelinger, a de Duas Barras, no Estado do Rio de Janeiro, esta menor. Certamente, o conhecimento sobre a existência de colônias suíças no além-mar ou em outras partes do mundo não é novo. Mas nova foi a notícia, para muitos, de que no Brasil há tantos membros das famílias Wermelinger.

E isto sucedeu assim. No ano de 1961, recebi uma carta de Niterói de um jovem que também possuía o sobrenome Wermelinger. Ele se interessava pela origem e procedência de seus ascendentes na Suíça. Esse jovem obteve o meu endereço na Embaixada do Rio de Janeiro, supondo que tivéssemos um parentesco comum. Não foi fácil afirmar essa suposição; entretanto, comparações posteriores de fotografias e retratos permitiram confirmá-la. Os primeiros membros da família Wermelinger deviam ser oriundos do interior (Hinterland) de Lucerna. Formou-se, então, uma interessante troca de correspondência, que no Rio tinha de ser traduzida do português para o alemão, ou vice-versa. Em 1967, meu filho Walter resolveu visitar o autor das cartas e sua família em Niterói. Sua recepção no Aeroporto do Galeão foi espontânea e cordial.

Novas amizades adquiridas e parentes mostraram-lhe as redondezas. Deve ser assinalado que a hospitalidade nesse país é escrita com a letra maiúscula.

O destino quis que meu filho pôde tomar parte em uma grande festa comemorativa em Duas Barras. Os jornais de Niterói publicaram artigos com grandes títulos: "150 ANOS DAS FAMÍLIAS WERMELINGER". Entre outras coisas, foi mencionado que meu filho Walter é o primeiro a visitar essas famílias, e as homenagens não estiveram ausentes.

Como é de sua profissão, meu filho trouxe filmes valiosos e interessantes de duas viagens ao Brasil para casa, que ele ornamentou com comentários e músicas adequados.

Estes poderão ser vistos:
Domingo, dia 16 de novembro, às 14h30,
no salão grande do Hotel Mohren, em Willisau,
a metrópole do interior de Lucerna.

Não será cobrada entrada, mas o hospedeiro aguarda uma taxa de consumação.

O filme será apresentado pelo meu filho como agradecimento às famílias Wermelinger do Brasil e amigos, pela demonstração de tão grande hospitalidade, com o encargo de trazer sinceras saudações das famílias Wermelinger do Brasil às de Lucerna.

Ele expressa suas boas-vindas a todos em Willisau.

Família Otto Wermelinger – Ambühl
6000 Lucerna – St. Karlistr. 68

E, em especial, o produtor dos filmes — Walter Wermelinger.

Cartão postal emitido por Otto Wermelinger

Cartão postal emitido por Otto

Wussten sie schon...

Dass in weiter Ferne, im Süden Brasiliens, noch viele Wermelinger leben? Es sind einige hundert in den Buchten von Rio de Janeiro, in Niterói und speziell in der Landschaft in den Bergen ob Rio im Estado do Rio de Janeiro.

Der erste Xaver Wermelinger soll mit anderen Schweizerfamilien und speziell auch mit Freiburgerfamilien vor dem Jahre 1820 nach Südamerika ausgewandert sein. Der Staat Brasilien teilte diesen Einwanderern Land gratis zur Bewirtschaftung zu. Die Parzelle wurde durch das Los bestimmt. Der Anfang muss ausserordentlich schwer gewesen sein. Weitere Siedler folgten nach, aber nicht alle überlebten die lange, beschwerliche Seereise.

Die Freiburger gründeten später die Stadt Neu-Freiburg; die Wermelinger die kleinere Stadt Duas Barras im Staate Rio de Janeiro. Gewiss ist das Wissen um die Existenz von Schweizerkolonien in Übersee und sonstwo in der ganzen Welt gar nicht neu. Aber neu war die Nachricht für viele, dass es in Brasilien so viele Wermelinger-Familien gibt.

Der Zufall wollte es, dass mein Sohn in Duas Barras ein grosses Erinnerungsfest mitfeiern durfte. Eine Niteroier Zeitung brachte einen Artikel mit grossen Schlagzeilen: "150 Jahre Familien Wermelinger". Unter anderem wurde darauf hingewiesen, dass mein Sohn Walter der erste sei, der diese Familien besuche, und sie liessen es an Huldigungen nicht fehlen.

Als Mann vom Fach brachte mein Sohn Walter von zwei Brasilienreisen reichliches und interessantes Filmmaterial nach Hause, das er dann mit Kommentar und passender Musik vertonte.

Der Film ist zu sehen:
Sonntag, den 16. November
nachmittags 14.30 Uhr
im grossen Saale des Hotel Mohren in Willisau,
der Metropole des Luzerner Hinterlandes.

Es wird kein Eintrittsgeld erhoben, aber der Gastwirt erwartet eine Konsumation.

Und das kam so. Im Jahre 1961 erhielt ich einen Brief aus Niterói von einem jungen Manne, der auch den Namen Wermelinger trug. Er interessierte sich über Herkunft und Abstammung seiner Vorfahren in der Schweiz. Meine Adresse erhielt dieser Mann vom Konsul in Rio de Janeiro, der vermutete, dass ich mit ihm verwandt sein könnte. Nun, dieser Beweis liess sich schwer erbringen, jedoch spätere Vergleiche von alten Fotos und Porträts liessen diese Vermutung bekräftigen. Die ersten Wermelinger mussten also aus dem Luzerner Hinterland stammen. Es bahnte sich dann ein gegenseitiger interessanter Briefwechsel an, der in Rio vom Portugiesischen ins Deutsche oder umgekehrt übersetzt werden musste. Im Jahre 1967 entschloss sich mein Sohn Walter, dem Briefschreiber und seiner Familie in Niterói einen Besuch abzustatten. Sein Empfang im Flughafen von Galeão bei Rio war spontan und herzlich.

Neu gewonnene Freunde und vielleicht auch Verwandte zeigten ihm die nähere und weitere Umgebung. Es muss dazu bemerkt werden, dass Gastfreundschaft in diesen Landen gross geschrieben wird.

Der Film wird von meinem Sohne vorgeführt aus Dankbarkeit an die Brasilien-Wermelinger und Freunde, für die ihm so grosszügig erwiesene Gastfreundschaft: mit dem Auftrag, die aufrichtigen Grüsse zu überbringen von den Brasilien-Wermelinger an alle Luzerner Wermelinger.

Er heisst alle willkommen in Willisau;

Familie Otto Wermelinger-Ambühl
6000 Luzern, St. Karlistr. 68

Und speziell der Filmproduzent Walter Wermelinger.

N.B. Wir bitten Sie höflich, die beiliegende Postkarte für Ihre Anmeldung zu benützen. Tragen Sie die Anzahl der teilnehmenden Personen ein und senden Sie sie bis anfangs November an obige Adresse. Bringen Sie Freunde und Bekannte mit.

Wermelinger

O nome provém da Quinta de Wermelingen (quinta ao norte de Wolhusen).

O local denomina-se em antigos documentos sempre Wermoldingen, com exceção de Johannes Von Wernboldingen, o qual, no século XIV (1300), pagava impostos ao Mosteiro Munster: essa foi provavelmente a causa da formação primitiva do nome (segundo Branchstetter, do nome Marinbald).

O registro anual de Ruswil indica (cerca do século XIV — 1300) Hans Von Wermoldinger, Janni Von Wermoldingen, Johannes Von Wermoldingen, Adelheit — sua patroa — e Noli Von Wermoldingen.

O registro anual de Willisau indica a doação anual de Rutschmann Sprengjssen e Nesa Wermelinger, sua filha.

No dia 15 de outubro de 1576 foi abençoada a capela de Stº Erasmo (Ruswil), em Buchholz, reconstruída pelo Ammann Wermelinger, com 2 altares e 1 sino.

Por certificado de 24 de outubro de 1656, o prefeito e conselheiro de Lucerna gratificou com um jogo de bebida em prata o escultor Gaspar Wermelinger, em Ruswil, o qual — com muita coragem e sem temor — penetrou na batalha de Villmergen num numeroso grupo de inimigos, dos quais conseguiu arrebatar as bandeiras, entregando-as à cidade.

quarta-feira, 4 de março de 2009

CF recebe visita de ilustre cidadão Suíço

Continuação de 150 anos depois

Esteve em visita no Correio Fluminense o Sr Walter Wermelinger que desde o dia 5 encontra-se no Brasil, e visita alguns parentes.
O Sr Wermelinger é o responsável pelo setor de reprodução fotográfica da Swissair na região de Zurich-Kloten, é considerado um dos melhores profissionais de sua terra.Residindo em Lucerna na suíça de onde é natural.

A Origem dos Wermelinger

A família Wermelinger é originária dos Distritos de Sursee e Willisau em Lucerna. E suas raízes remotam a um passado bem remoto.

O nome segundo antigos documentos, provém da “Quinta de Wermelinger”( ao norte de Wolhnses), e era originariamente Wermolaingen.Constando dos registros officiais de Ruswill (data ano de 1300 os nomes de Hans Von Wermoldingen e da sua Noll Von Wermoldingen .
No registro anual de Willisau há referencia a Rutshmann Sprengjssen e Nessa Wermelinger e a benção, a 15 de outubro de 1576, da Capela de Santo Erasmo, em Buch Holz, reconstruída pelo An’man Wermelinger.

Posteriormente vamos encontrar num certificado datado de 24 de outubro de 1855 o prefeito e conselheiro de Lucerna a doação de uma baixela de prata feita ao escultor Gaspar Wermelingerde Ruswill, que durante a batalha de Willmerger conseguiu arrebatar as bandeiras do exército inimigo. Entregando-as a cidade.
Finalmente, o “Dicionário Histórico e Biográfico da Suíça”, está registrada a existência de um magistrado de nome Hans Wermelinger, no ano de 1525.

Os Wermelinger no Brasil

O primeiro Wermelinger a emigrar para o Brasil foi Xavier e sua esposa Catharina Egglin, justamente com os cinco filhos, dedicando-se principalmente ao progresso e ao desenvolvimento agropastoril das regiões de Duas Barras, Sumidouro, Cantagalo, Cordeiro e Itaocara,no estado do Rio.

Hoje o ramo brasileiro dos Wermelinger destaca-se em vários setores da vida pública, contando com professores, advogados, economistas, oficiais das Forças Armadas, médicos e engenheiros.Prosseguindo com mesmo trabalho progressista de Xavier, há tantos anos passados.
Encontro Brasil-Suíça

Os Wermelinger que ficaram na Suíça com o passar do tempo perderam contato com seus familiares que aqui radicaram a partir de 1819.
Há cerca de seis anos, porém o Sr Walter Wermelinger da Costa, advogado residente em Niterói, pesquisando na Embaixada da Suíça, conseguiu estabelecer a ligação, iniciando então correspondência co o Sr Otto cujo filho é motivo desta reportagem.

Turismo



Durante sua visita ao CF, o Sr Walter Wermelinger abordou fatos bem elucidativos sobre i desenvolvimento industrial da Suíça e o que representa em economia o turismo que é atualmente uma das maiores preocupações do governo de seu país.
Revelou que esta é a segunda vez que visita o Brasil, já tendo feito ano passado quando promoveu a ligação pessoal das famílias após 150 anos de separação.

Ficou ainda bastante entusiasmado com o CF, que considerou um grande jornal em virtude da tiragem diária de 10 mil exemplares e afirmou que levará para a Suíça alguns exemplares de nossa edição de hoje, visando a difundir naquele país europeu o nome da imprensa do nosso estado.

CF recebe visita de ilustre cidadão Suíço

Continuação de 150 anos depois

Esteve em visita no Correio Fluminense o Sr. Walter Wermelinger, que desde o dia 5 encontra-se no Brasil em visita a alguns parentes.

O Sr. Wermelinger é o responsável pelo setor de reprodução fotográfica da Swissair na região de Zurich-Kloten, sendo considerado um dos melhores profissionais de sua terra. Reside em Lucerna, na Suíça, de onde é natural.

A origem dos Wermelinger

A família Wermelinger é originária dos distritos de Sursee e Willisau, em Lucerna. Suas raízes remontam a um passado bem distante.

O nome, segundo antigos documentos, provém da "Quinta de Wermelinger" (ao norte de Wolhusen), e era originariamente Wermolaingen. Constam dos registros oficiais de Ruswil, datados do ano de 1300, os nomes de Hans Von Wermoldingen e de sua filha Noll Von Wermoldingen.

No registro anual de Willisau, há referência a Rutshmann Sprengjssen e Nessa Wermelinger e à bênção, em 15 de outubro de 1576, da Capela de Santo Erasmo, em Buchholz, reconstruída pelo Ammann Wermelinger.

Posteriormente, encontramos, num certificado datado de 24 de outubro de 1655, a doação, pelo prefeito e conselheiro de Lucerna, de uma baixela de prata feita ao escultor Gaspar Wermelinger, de Ruswil, que durante a batalha de Villmergen conseguiu arrebatar as bandeiras do exército inimigo, entregando-as à cidade.

Finalmente, no "Dicionário Histórico e Biográfico da Suíça" está registrada a existência de um magistrado de nome Hans Wermelinger, no ano de 1525.

Os Wermelinger no Brasil

O primeiro Wermelinger a emigrar para o Brasil foi Xavier, com sua esposa Catharina Egglin, juntamente com os cinco filhos, dedicando-se principalmente ao progresso e ao desenvolvimento agropastoril das regiões de Duas Barras, Sumidouro, Cantagalo, Cordeiro e Itaocara, no Estado do Rio.

Hoje o ramo brasileiro dos Wermelinger destaca-se em vários setores da vida pública, contando com professores, advogados, economistas, oficiais das Forças Armadas, médicos e engenheiros, prosseguindo com o mesmo trabalho progressista de Xavier há tantos anos passados.

Encontro Brasil–Suíça

Os Wermelinger que ficaram na Suíça, com o passar do tempo, perderam o contato com os familiares que aqui se radicaram a partir de 1819.

Há cerca de seis anos, porém, o Sr. Walter Wermelinger da Costa, advogado residente em Niterói, pesquisando na Embaixada da Suíça, conseguiu estabelecer a ligação, iniciando então correspondência com o Sr. Otto, cujo filho é motivo desta reportagem.

Turismo

Durante sua visita ao CF, o Sr. Walter Wermelinger abordou fatos bem elucidativos sobre o desenvolvimento industrial da Suíça e sobre o que o turismo representa para a economia, sendo este atualmente uma das maiores preocupações do governo de seu país.

Revelou que esta é a segunda vez que visita o Brasil, tendo estado aqui no ano passado, quando promoveu o encontro pessoal das famílias após 150 anos de separação.

Ficou ainda bastante entusiasmado com o CF, que considerou um grande jornal em virtude da tiragem diária de 10 mil exemplares, e afirmou que levará para a Suíça alguns exemplares de nossa edição de hoje, visando a difundir naquele país europeu o nome da imprensa do nosso Estado.

150 Anos Depois

Correio Fluminense 18/07/1968


Esteve em visita ao CF o Sr. Walter Wermelinger que desde o último dia 5 está no Brasil visitando alguns parentes aqui radicados.O Sr Wermelinger é fotógrafo profissional e responsável pelo setor de produção da Swissair, residindo em Lucerna na Suíça.De onde é natural.Membro de uma das mais antigas e distintas famílias de sua pátria, tornou-se o elo entre o ramo brasileiro e suíço da mesma, que há 150 anos estava parada.Durante sua visita ao CF foi colhido flagrante vendo-se o Sr Walter Wermelinger ( à esquerda), em compania do seu primo Walter Wermelinger da Costa. (foto a baixo)