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quarta-feira, 29 de abril de 2026

A operação de Gachet — como se recrutou para 1819 (Trilha 1819 · Post 1)

Trilha · A moldura de 1819 · Post 1 de 10 Reihe · Der Rahmen von 1819 · Beitrag 1 von 10 Series · The frame of 1819 · Post 1 of 10

A operação de Gachet — como se recrutou para 1819 Die Operation Gachet — wie man für 1819 rekrutierte The Gachet operation — how 1819 was recruited

“Sobretudo a parte alemã da Suíça pode se gabar de ter purgado seu país de mendigos, vagabundos e inúteis que viviam à custa da sociedade.” „Vor allem der deutsche Teil der Schweiz kann sich rühmen, sein Land von Bettlern, Landstreichern und Unnützen gesäubert zu haben, die auf Kosten der Gesellschaft lebten.“ “Above all the German part of Switzerland may pride itself on having purged its country of beggars, vagrants, and useless individuals who lived at the expense of society.” Sébastien-Nicolas Gachet, carta de 10 de junho de 1820 Sébastien-Nicolas Gachet, Brief vom 10. Juni 1820 Sébastien-Nicolas Gachet, letter of 10 June 1820

Nota de método Methodische Anmerkung Note on method

Este texto separa três camadas: fatos documentados, interpretações históricas sustentadas por fontes, e pontos ainda pendentes de verificação direta. A operação de Gachet, os decretos de 1818 e a campanha de recrutamento estão documentados. A inscrição específica de François Xavier Wermelinger em Willisau permanece como pesquisa pendente no Staatsarchiv Luzern, o Arquivo Estatal de Lucerna. Onde a fonte ainda não foi consultada diretamente, este arquivo registra a lacuna em vez de fingir certeza. Dieser Text trennt drei Ebenen: dokumentierte Tatsachen, durch Quellen gestützte historische Interpretationen, und Punkte, die noch der direkten Überprüfung harren. Die Operation Gachet, die Dekrete von 1818 und die Rekrutierungskampagne sind dokumentiert. Die konkrete Eintragung von François Xavier Wermelinger in Willisau steht weiterhin als ausstehende Recherche im Staatsarchiv Luzern aus. Wo die Quelle noch nicht unmittelbar konsultiert wurde, hält dieses Archiv die Lücke fest, anstatt Gewissheit vorzutäuschen. This text separates three layers: documented facts, historical interpretations supported by sources, and points still awaiting direct verification. The Gachet operation, the decrees of 1818, and the recruitment campaign are documented. The specific registration of François Xavier Wermelinger in Willisau remains a pending inquiry at the Lucerne State Archives. Where the source has not yet been directly consulted, this archive records the gap rather than feign certainty.

A migração de 1819 nasceu num decreto em maio. Mas nasceu também, dois anos depois, em junho de 1820, numa carta em que o próprio organizador da operação escreveu por seu próprio punho que o objetivo havia sido outro — o de purgar a Suíça daqueles que ele classificava como indesejáveis[11]. Essa frase de Sébastien-Nicolas Gachet, recuperada por Martin Nicoulin no acervo cantonal de Fribourg quando preparava sua tese de doutorado, tem mais de duzentos anos quando o leitor a encontra. Ela revela a lógica íntima da operação que acabaria envolvendo François Xavier Wermelinger, de Willisau no Cantão de Lucerna — provavelmente sem que ele conhecesse a engrenagem política completa da qual passava a fazer parte. Lucerna entrou na operação por uma carta de novembro de 1818, e os Wermelinger entraram por uma assinatura em alguma prefeitura, num mês frio entre o final de 1818 e o início de 1819.

Este post abre a trilha A moldura de 1819. Antes de tratar dos navios, é preciso entender como se recrutou. A operação foi simultaneamente promessa de futuro e mecanismo de descarte social. As duas coisas eram uma só.

Linha do tempo da operação

  • 1815erupção do vulcão Tambora.
  • 1816crise climática e fome na Europa.
  • 1817Gachet apresenta o projeto de emigração ao Cantão de Fribourg.
  • 6 de maio de 1818carta régia de D. João VI nomeia Miranda Malheiro Inspetor.
  • 16 de maio de 1818decreto autoriza o estabelecimento da colônia suíça.
  • 23 de outubro de 1818Fribourg ratifica a convenção e lança a campanha de recrutamento.
  • 10 de novembro de 1818Brémond convida seis cantões adicionais; Lucerna entra na operação.
  • jan–fev de 1819inscrições nas prefeituras; mais de 5.000 cadastrados.
  • 14 de junho de 1819Fribourg distribui as últimas instruções escritas.
  • 4 de julho de 1819partida do primeiro grupo de Estavayer-le-Lac.
  • 10 de junho de 1820Gachet descreve a operação como purga social.

O ano sem verão

Em 1815, do outro lado do mundo, o vulcão Tambora explodiu na Indonésia. As cinzas atravessaram a estratosfera e, no ano seguinte, baixaram a temperatura europeia o suficiente para que houvesse geadas em julho. Ficou conhecido como o ano sem verão. As colheitas perderam-se, o gado morreu de fome, o pão subiu a preços que famílias rurais nunca tinham visto. No Cantão de Fribourg, católico e majoritariamente agrícola, a situação tornou-se grave. Nos cantões germânicos vizinhos — Berna, Lucerna, Argóvia — a história foi semelhante. Era nesse fundo de fome e desespero que um diplomata aventureiro chamado Sébastien-Nicolas Gachet teria a sua ideia.

Quem era Gachet

Sébastien-Nicolas Gachet nasceu em Paris, filho de suíços originários de Gruyères[1]. Comerciante por ofício, aventureiro por temperamento, diplomata por habilidade, articulou em 1817 um projeto que apresentaria simultaneamente aos cantões católicos suíços e à corte portuguesa instalada no Rio de Janeiro: emigração organizada para o Brasil, com aval real português, em troca da exportação dos excedentes humanos da Suíça. Em maio de 1817 apresentou o projeto ao governo do Cantão de Fribourg. Fribourg homologou e enviou Gachet ao Brasil para negociar com D. João VI.

Os dois decretos de maio de 1818

Em maio de 1818, D. João VI assinou não um, mas dois decretos consecutivos. O primeiro, datado de 6 de maio, é uma carta régia ao monsenhor Pedro Machado de Miranda Malheiro, desembargador do Paço, nomeando-o Inspetor da Colonização Estrangeira. O texto, transcrito por Pedro Cúrio em Como Surgiu Friburgo[2], começa assim:

“Pedro Machado Miranda Malheiro, Desembargador do Paço do meu Conselho, Amigo. Eu El-Rei vos envio muito saudar. Tendo aceitado as proposições que me foram feitas por Sebastião Nicoláu Gachet, autorisado pelo Governo do Cantão de Fribourg, pedindo-me o estabelecimento de uma Colônia de várias famílias da Suissa, catholicos romanos, n’este Reino do Brasil...”

A carta autorizava Miranda Malheiro a comprar, em nome da Real Fazenda, a propriedade onde a colônia se estabeleceria. O escolhido foi a Fazenda do Morro Queimado, no distrito de Cantagalo. O vendedor, monsenhor Antônio José da Cunha Almeida, recebeu 11.854$000 mil-réis pelo terreno — quantia substancialmente acima do que havia pago poucos anos antes. O jornalista Hypolito da Costa, do Correio Brasiliense editado em Londres, registrou na época a estranheza da transação[3].

Dez dias depois, em 16 de maio de 1818, foi assinado o decreto que oficialmente autorizou o estabelecimento de uma colônia de cem famílias suíças naquele lugar[4]. É essa data que Nova Friburgo comemora hoje como sua fundação. O Dia Nacional da Imigração Suíça, instituído pela Câmara dos Deputados, também observa 16 de maio. Algumas fontes citam 11 de maio como data do tratado — provavelmente confusão com a carta-régia anterior[5].

A campanha de recrutamento

Quando Gachet voltou para a Suíça com o tratado assinado, o Cantão de Fribourg precisou ratificá-lo formalmente. Isso aconteceu em 23 de outubro de 1818, quando o Governo cantonal aprovou a convenção e simultaneamente lançou a campanha de recrutamento[6]. Cartazes nas prefeituras, anúncios nos jornais cantonais, sermões nas paróquias católicas — a propaganda foi sistemática.

Em 10 de novembro de 1818, dezenove dias após a ratificação, o cônsul Jean-Baptiste Brémond — sócio de Gachet na operação — enviou cartas formais aos governos de seis cantões adicionais convidando-os a participar: Berna, Valais, Argóvia, Lucerna, Solothurn e Schwyz[7]. Lucerna está nessa lista. Lucerna é o cantão dos Wermelinger. A operação que vai transportar François Xavier para o Brasil entra em sua jurisdição por uma carta-convite datada — uma data que merece ser lembrada por qualquer descendente: 10 de novembro de 1818.

A propaganda funcionou. Segundo a documentação compilada pelas autoridades suíças, “artigos sobre a posse de grandes extensões de terra, com isenção de impostos e promessa de subsídios, dissipam o medo e levam os suíços à adesão. Promessas de Dom João VI transformam o Brasil longínquo em terra da felicidade”[8]. Em janeiro e fevereiro de 1819, “pais de família e pessoas solteiras enfrentam até a neve para se inscreverem nas prefeituras”. Em poucas semanas, mais de cinco mil pessoas haviam se cadastrado[9]. A demanda superou amplamente a oferta. O contrato original previa 100 famílias — aproximadamente 800 pessoas. O Governo de Fribourg, pressionado pelo volume, decidiu duas coisas: financiar a viagem dos menos abastados, e “não hesitar em se livrar dos Heimatlosen, os estrangeiros” sem direito formal de cidadania[10].

A purga

Em 10 de junho de 1820, com a colônia já instalada em Nova Friburgo e os primeiros resultados visíveis, Sébastien-Nicolas Gachet escreveu uma carta. Ela está reproduzida em La genèse de Nova Friburgo, de Martin Nicoulin, tese defendida em Fribourg em 1973 e publicada em português pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 1995. A página é a 291. O trecho diz:

“Sobretudo a parte alemã da Suíça pode se gabar de ter purgado seu país de mendigos, vagabundos e inúteis que viviam à custa da sociedade.”[11]

Não é hipérbole literária. É descrição administrativa, em correspondência oficial, do que a operação havia produzido. Lucerna é cantão germânico. A frase de Gachet alcança Lucerna por categoria: Lucerna fazia parte da Suíça germânica envolvida na operação, embora Gachet não a nomeie isoladamente nesse trecho.

Esta é uma observação delicada para um arquivo familiar, e por isso vale tratar com cuidado: Gachet diz isso sobre o sistema, não sobre indivíduos. A frase descreve o vetor da operação, não os perfis reais de quem embarcou. François Xavier Wermelinger tinha ofício e família registrados em Willisau. Não era o “mendigo” nem o “inútil” da carta de Gachet. Mas o sistema que o transportou também transportou os perfis de que Gachet falava — e o transportou por engrenagem, não por escolha individual. Esse é um fato que o descendente honesto deve registrar.

Os profissionais

A operação não levou só camponeses. O Governo de Fribourg fornecia também os quadros para a futura colônia[12]. O cura era Jacques Joye, pároco de Villaz-St-Pierre — o mesmo homem que registraria os primeiros casamentos, batismos e óbitos em Nova Friburgo. O vigário, Jean Aeby, foi ordenado padre na capela particular do bispo poucos dias antes da viagem. Dois médicos suíços: Pierre-Louis de Porcelet, de Estavayer-le-Lac, e Jacques Moosbrugger, de Fribourg, que terminava os estudos em Estrasburgo e juntou-se ao grupo em Kehl, na Alemanha. Dois professores: Bonaventure Bardy, também de Estavayer-le-Lac, e Simon Mettraux, de Fribourg. Bardy era discípulo do método de Père Girard, um dos maiores pedagogos suíços da época, e foi com a missão explícita de levá-lo ao Novo Mundo. Onde a Suíça não conseguiu fornecer profissionais, recrutaram-se em outros países: Hyppolite Thomas, veterinário francês; Jean Bazet, médico francês; Leopold Böhle, farmacêutico alemão. A colônia de Nova Friburgo, em outras palavras, foi planejada com o cuidado que o Estado moderno aplica a qualquer projeto colonial — não foi improviso.

O ritual de partida

Na Suíça, durante a primeira metade de 1819, os emigrantes receberam um apelido: “os brasileiros”. Era assim que os identificavam — pelo destino que tinham escolhido. Os preparativos seguiam um padrão recomendado pelos governos cantonais. Vendiam o gado, vendiam a casa, vendiam as terras. Apenas alguns alugavam as propriedades, mantendo abertura para um eventual retorno. Procuravam atestados de batismo nas paróquias. Faziam as malas. Carregavam o que os governos haviam recomendado para o Novo Mundo: “sapatos resistentes, machados, picaretas e pás”[13]. Em 14 de junho de 1819, Fribourg distribuiu as últimas instruções escritas aos colonos[14]. Em 4 de julho de 1819, o primeiro grupo — cerca de 1.100 francófonos de Fribourg e cantões vizinhos — partiu de Estavayer-le-Lac, no Lago de Neuchâtel, descendo pelo Aar até Basileia, onde se juntariam aos cantões germânicos. Aproximadamente 900 pessoas vinham por essa segunda rota — a rota de Lucerna, dos Wermelinger.

O que este post não trata ainda

A instalação da colônia no Brasil tocaria uma camada mais profunda: a ocupação territorial sobre áreas já habitadas por populações indígenas, especialmente os Puri. Um aviso régio de 3 de dezembro de 1819 determinou a remoção dos Puri da Fazenda do Córrego d’Anta para liberar terras aos colonos suíços[15]. Este post não trata ainda dessa frente. Ela exige texto próprio, fonte própria e cuidado próprio.

Por que isso importa para os Wermelinger

Para os Wermelinger do Brasil, essa moldura não é detalhe lateral. Ela explica o ambiente político, social e econômico que tornou possível a saída de François Xavier Wermelinger de Willisau. A história familiar começa com um nome, mas esse nome estava dentro de uma máquina maior: crise climática, propaganda estatal, diplomacia colonial, promessa de terra e a política administrativa que o próprio Gachet descreveria como purga social. Cada um dos descendentes que hoje vivem em Duas Barras, Cantagalo, Friburgo, e por toda a serra fluminense, está aqui porque essas cinco forças convergiram numa única operação entre 1817 e 1819 — e porque o homem de Willisau, em algum ponto desse fluxo, pôs o nome numa lista.

François Xavier em Willisau

Não temos a inscrição original de François Xavier nas prefeituras. É possível que o Staatsarchiv Luzern — Arquivo Estatal de Lucerna — guarde esse registro, ou ao menos documentação administrativa relacionada aos lucernos inscritos na operação Brasil entre novembro de 1818 e junho de 1819. A pesquisa nesses arquivos é débito futuro deste arquivo familiar[16]. O que sabemos pelos registros genealógicos consolidados — particularmente o Geschlechter-Buch von Willisau de Franz Sidler (1953) — é que em algum momento daquele inverno ou daquela primavera, o pai de família nascido em 1777, casado com Catharina Egglin, vendeu o que tinha, despediu-se de quem ficaria, e desceu até o ponto de embarque com os filhos pequenos. Ali se juntou aos demais — incluindo o franco-suíço Frederic Bédat, que viajaria no mesmo navio (Heureux Voyage), e o alemão-suíço Dominique Bellinger, que morreria pouco depois de chegar a Nova Friburgo[17].

Mais de quarenta anos depois daquela travessia, numa fazenda do interior fluminense, o naturalista e diplomata suíço Johann Jakob von Tschudi — então ministro plenipotenciário da Conféderação Suíça no Brasil — encontrou um dos raros sobreviventes da operação de 1819. Era um ancião de 84 anos. Era Xaver Wermelinger, de Willisau. Tschudi recolheu o testemunho oral, que entraria depois nas suas Reisen durch Südamerika[18]:

“Contou-me que, em sua mocidade, voltando certa vez de uma de suas excursões como aprendiz de torneiro, sonhara que enriqueceria na América. Desde então tal pensamento se tornou uma idéia fixa e não cessou...”
Tradução portuguesa a conferir com o original alemão.

Não se preserva, nas fontes, versão mais longa dessa história. O que chegou até nós — pelo registro de Tschudi — é a forma exata do desejo: um sonho de aprendiz, talvez nas estradas da Suíça central, voltando a Willisau depois de algum dia de aprendizado, e a partir dali a fixação que viraria, mais de vinte anos depois, viagem real. Quando a operação de Gachet chegou a Willisau em 1818, o sonho do aprendiz tinha um nome novo: Brasil.

A operação que Gachet articulou em 1817, que dois decretos selaram em maio de 1818, que Brémond espalhou pela Suíça em outubro e novembro de 1818, que cinco mil pessoas atenderam, que a propaganda transformou em terra da felicidade e que o próprio Gachet, dois anos depois, descreveria como purga social — essa operação tinha agora um homem de Willisau, sua mulher e seus filhos. Eles ainda não sabiam que o navio se chamaria Heureux Voyage. Não sabiam que dois meses no acampamento de Mijl, na Holanda, separariam o continente conhecido do continente prometido. Não sabiam que cerca de 311 dos pouco mais de 2.000 que partiram morreriam antes de pôr os pés em terra brasileira.

Sabiam, isso sim, que estavam numa lista. E em algum dia da primavera de 1819, num inverno tardio, alguém na prefeitura de Willisau anotou o nome — um nome que duzentos e sete anos depois um descendente seu ainda repete: Wermelinger.

Übersetzung in Vorbereitung Die deutsche Fassung dieses Beitrags wird in einer späteren Welle veröffentlicht. Die portugiesische Fassung ist die kanonische und steht weiterhin als Quelle zur Verfügung. Die Fussnoten und das Quellenverzeichnis sind unten in allen drei Sprachen verfügbar.
Translation in preparation The English version of this post will be published in a subsequent wave. The Portuguese version is the canonical text and remains available as the source. The footnotes and bibliography below are accessible in all three languages.

Notas e fontes Anmerkungen und Quellen Notes and sources

  1. Sobre a origem parisiense de Gachet, filho de suíços de Gruyères: Suíços do Brasil, perfil de Sébastien-Nicolas Gachet, suicosdobrasil.org.br.
  2. CÚRIO, Pedro. Como Surgiu Friburgo. Rio de Janeiro, 1974. Trecho da carta régia de 6 de maio de 1818, transcrito por Cúrio.
  3. A crítica de Hypolito da Costa à transação do Morro Queimado foi publicada no Correio Brasiliense, Londres (1808-1822). Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Leitura direta pendente.
  4. Decreto de 16 de maio de 1818. Imagem catalogada como Decreto e Condições do estabelecimento de huma colonia de Suissos no Reino do Brazil, 1820, Acervo Pró-Memória da Fundação D. João VI. Confirmação cronológica: Arquivo Nacional, “Período Joanino (1808 a 1822)”.
  5. A divergência 11/16 de maio aparece em algumas fontes. Optamos por 16, que é a data oficialmente celebrada como fundação de Nova Friburgo e como Dia Nacional da Imigração Suíça. A data 11 provavelmente refere-se à carta régia anterior, de 6 de maio.
  6. Cronologia da operação suíça: SwissInfo, “Cantões suíços recrutam colonos”, swissinfo.ch.
  7. Carta-convite de Jean-Baptiste Brémond aos cantões de Berna, Valais, Argóvia, Lucerna, Solothurn e Schwyz, em 10 de novembro de 1818. Fonte: SwissInfo, idem nota 6.
  8. Detalhes da campanha publicitária suíça: SwissInfo, idem nota 6.
  9. Suíços do Brasil, perfil de Gachet: “Cadastrou mais de 5.000 interessados, que embarcaram, em 1819, em diferentes navios.”
  10. Sobre a financiação estatal dos menos abastados e o despacho dos Heimatlosen: SwissInfo, idem nota 6.
  11. Carta de Sébastien-Nicolas Gachet, 10 de junho de 1820. Reproduzida por NICOULIN, Martin. La genèse de Nova Friburgo: Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827. Fribourg, 1973; edição brasileira: A Gênese de Nova Friburgo. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1995, p. 291. Exemplar integrado ao acervo de trabalho do Arquivo Wermelinger.
  12. Lista de profissionais recrutados (médicos, padres, professores, veterinário, farmacêutico): SwissInfo, idem nota 6.
  13. Equipamento e ritual de partida; instruções oficiais cantonais: SwissInfo, idem nota 6.
  14. Última distribuição de instruções por Fribourg, 14 de junho de 1819: SwissInfo, idem nota 6.
  15. Aviso régio de 3 de dezembro de 1819 — sobre a remoção dos indígenas Puri da Fazenda do Córrego d’Anta. Fundação D. João VI. Leitura direta e transcrição integral pendentes.
  16. Pesquisa pendente no Staatsarchiv Luzern — Arquivo Estatal de Lucerna — sobre registros cantonais de inscrição na operação Brasil entre novembro de 1818 e junho de 1819. Esta pesquisa permitirá localizar a inscrição original de François Xavier Wermelinger.
  17. Companheiros de viagem no Heureux Voyage (entre eles Frederic Bédat e Dominique Bellinger): a identificação nominal por navio está na bibliografia tradicional sobre a migração de 1819 — particularmente em Sinimbu (1852), Ducotterd & Loup (1939) e Nicoulin (1995). Verificação direta nas listas pendente.
  18. TSCHUDI, Johann Jakob von. Reisen durch Südamerika. Leipzig: F. A. Brockhaus, 1866-1869, 5 vols. Tschudi (1818-1889) foi naturalista, etnógrafo e diplomata suíço, ministro plenipotenciário da Conféderação Suíça no Brasil entre 1860 e 1868. O encontro com Xaver Wermelinger ocorreu provavelmente em 1860 ou 1861, quando o ancião tinha 84 anos — dois anos antes de sua morte. O testemunho está nas páginas finais do volume sobre as províncias brasileiras. Referência de trabalho: cópia digital em tratamento no Arquivo Wermelinger, p. 38.

Fontes primárias localizadas Lokalisierte Primärquellen Primary sources located

  • SINIMBU, J. L. V. Cansanção de, Visconde de. Notícia das colônias agrícolas suissa e alemã, fundadas na freguezia de S. João Baptista de Nova Friburgo. Niterói, 1852. Digitalizada na Biblioteca Nacional Digital. leitura pendente
  • TSCHUDI, Johann Jakob von. Reisen durch Südamerika. Leipzig: F. A. Brockhaus, 1866-1869, 5 vols. Contém o testemunho oral de Xaver Wermelinger recolhido por Tschudi por volta de 1860-1861, quando o ancião tinha 84 anos. Registro primário mediado do testemunho oral de François Xavier Wermelinger.
  • D. JOÃO VI. Decreto e Condições do estabelecimento de huma colonia de Suissos no Reino do Brazil, 1820. Acervo Pró-Memória da Fundação D. João VI.
  • SHOUMAN, Isaak. Acampamento dos emigrantes suíços em Mijl antes do embarque para o Brasil. Aquarela, 1819. Coleção Dordracum Illustratum, Arquivo Regional de Dordrecht.
  • GACHET, Sébastien-Nicolas. Carta de 10 de junho de 1820. Reproduzida em Nicoulin (1995), p. 291.
  • Aviso régio de 3 de dezembro de 1819 — sobre a remoção dos indígenas Puri da Fazenda do Córrego d’Anta. Fundação D. João VI.
  • MALHEIRO, Pedro Machado de Miranda. Providências para a chegada dos colonos suíços, 1819. Biblioteca da USP.
  • Journal du Jura, Berna, 25 de março de 1820. Primeira notícia oficial das chegadas. Citado em Reis & Reis (2003).

Fontes secundárias densas Dichte Sekundärquellen Dense secondary sources

  • NICOULIN, Martin. La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827. Fribourg, 1973. (Edição brasileira: A Gênese de Nova Friburgo. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1995.) Acervo do Arquivo Wermelinger.
  • NICOULIN, Martin & ZIEGLER, Béatrice. Emigration suisse en Amérique latine (1815-1939): essai bibliographique. Chevenez / Zürich / Berne, 1975.
  • CÚRIO, Pedro. Como Surgiu Nova Friburgo: esboço histórico e episódico 1818-1840. Rio de Janeiro, 1974.
  • DUCOTTERD, Georges & LOUP, Robert. Terre! Terre! Editions de La Renaissance Rurale, Fribourg, 1939. Tradução portuguesa: Wesley Emmerich Werner. Curitiba: Editora Guiapar, 1997 (1.500 exemplares).
  • SIDLER, Franz. Geschlechter-Buch von Willisau. Heimatkunde des Wiggertals, 1953. DOI: 10.5169/seals-718397.
  • REIS, Cibele & REIS, Heliene. De Nova Friburgo a Fribourg através das letras. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, vol. 10, n. 1, 2003. Disponível na SciELO.

Fontes complementares e arquivos institucionais Ergänzende Quellen und Institutionsarchive Complementary sources and institutional archives

  • Staatsarchiv Luzern (Arquivo Estatal de Lucerna). Registros cantonais de inscrição na operação Brasil (1818-1819). consulta pendente
  • Kirchenbuch da paróquia de Ruswil. Arquivista oficial: Werner Wandeler, Sonnebergli 32, 6017 Ruswil. compilação pendente
  • Correio Brasiliense (Hypolito da Costa). Londres, 1808-1822. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. leitura pendente
  • Tese de mestrado FGV CPDOC: Imagem e ação: a mobilização de imaginários e repertórios no recrutamento de imigrantes suíços para Nova Friburgo, 1818-1819. Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais. acesso pendente
  • Suíços do Brasil, portal da comunidade suíça no Brasil. suicosdobrasil.org.br.
  • SwissInfo (SRG SSR), “Cantões suíços recrutam colonos”, 2018. swissinfo.ch.
Este post é versão 1.0 da operação de Gachet em 1819. Foi escrito a partir de fontes secundárias densas, da tese de Martin Nicoulin (1973/1995) já integrada ao acervo do arquivo, e de citações de fontes primárias acessíveis pela web. As fontes primárias-chave para uma versão definitiva — particularmente o Staatsarchiv Luzern (BF 52, AKT 24/60) — ainda não foram consultadas pessoalmente in loco pelo autor. Quando o forem, este post será revisado e a versão revisada substituirá esta. As correções serão consignadas em nota explícita. Dieser Beitrag ist Version 1.0 der Operation Gachet von 1819. Er wurde anhand dichter Sekundärquellen, der bereits ins Archiv aufgenommenen Dissertation von Martin Nicoulin (1973/1995) und Zitaten aus über das Internet zugänglichen Primärquellen verfasst. Die zentralen Primärquellen für eine endgültige Fassung — insbesondere das Staatsarchiv Luzern (BF 52, AKT 24/60) — wurden vom Autor noch nicht in loco persönlich konsultiert. Sobald dies geschehen ist, wird dieser Beitrag überarbeitet und die revidierte Fassung wird diese ersetzen. Korrekturen werden ausdrücklich vermerkt. This post is version 1.0 of the Gachet operation of 1819. It was written from dense secondary sources, from Martin Nicoulin's dissertation (1973/1995) already integrated into the archive's holdings, and from citations of primary sources accessible via the web. The key primary sources for a definitive version — in particular the Staatsarchiv Luzern (BF 52, AKT 24/60) — have not yet been personally consulted in loco by the author. When they are, this post will be revised and the revised version will replace this one. Corrections will be expressly noted.
Tiago Torres Wermelinger
Duas Barras, Rio de Janeiro · 29 de abril de 2026
Trilha A moldura de 1819 · Post 1 de 10
Arquivo Wermelinger — onde a história é verificada, não repetida
Duas Barras, Rio de Janeiro · 29. April 2026
Reihe Der Rahmen von 1819 · Beitrag 1 von 10
Wermelinger-Archiv — wo Geschichte geprüft wird, nicht wiederholt
Duas Barras, Rio de Janeiro · 29 April 2026
Series The frame of 1819 · Post 1 of 10
Wermelinger Archive — where history is verified, not repeated

PT canônico · DE & EN em preparação PT kanonisch · DE & EN in Vorbereitung PT canonical · DE & EN in preparation

sábado, 11 de abril de 2026

Xavier, o tecelão — O que o Dr. Jost escreveu sobre nosso patriarca em 1825

Fonte primária · 31 de dezembro de 1825 Originalquelle · 31. Dezember 1825 Primary source · 31 December 1825 Carta de Johann Baptist Jost Campos dos Goytacazes · Brasil · ao Schultheiss Amrhyn, em Lucerna Campos dos Goytacazes · Brasilien · an Schultheiss Amrhyn, Luzern Campos dos Goytacazes · Brazil · to Schultheiss Amrhyn, in Lucerne

Arquivo Wermelinger · afamiliawermelinger.blogspot.com Wermelinger-Archiv · afamiliawermelinger.blogspot.com Wermelinger Archive · afamiliawermelinger.blogspot.com

Na véspera do Ano Novo de 1825, um médico suíço sentou-se para escrever uma carta. Estava em Campos dos Goytacazes, a seis dias de viagem da colônia que havia deixado para trás. Tinha 46 anos, uma esposa, quatro filhos vivos, e uma raiva contida que não cabia mais no peito.

O médico chamava-se Johann Baptist Jost. Natural de Willisau, cantão de Lucerna, havia embarcado seis anos antes no mesmo navio que François Xavier Wermelinger — o Heureux Voyage, que de “viagem feliz” teve muito pouco. Agora, do outro lado do oceano, escrevia ao Schultheiss Amrhyn, chefe do governo de Lucerna, para prestar contas do que havia acontecido com cada uma das famílias lucernesas que tinham deixado a Suíça em julho de 1819.

A carta, datada de 31 de dezembro de 1825, encontra-se no Staatsarchiv Luzern, sob a signatura AKT 24/60.B.3. O texto completo foi publicado por Martin Nicoulin em La genèse de Nova Friburgo (páginas 296-303). É um documento extraordinário — um relato direto, sem filtros, de quem viveu o que descreve.

O vizinho de Willisau

Jost e Wermelinger não eram apenas conterrâneos. Na lista oficial dos emigrantes lucerneses (BF 52, Staatsarchiv Luzern), seus nomes aparecem lado a lado:

BF 52 · Staatsarchiv Luzern Entrada 35: Wermelinger Xavier — Willisau — 44 anos
Entrada 43: Jost Johann Baptist — Willisau — 40 anos — Arzt und Secretaire

Embarcaram juntos. Cruzaram o Atlântico no mesmo navio. Chegaram juntos a Nova Friburgo em 1º de janeiro de 1820. Xavier recebeu o lote nº 61. Jost recebeu outro lote na mesma colônia. Viveram como vizinhos nos primeiros anos, até que ambos, por razões diferentes, decidiram que aquela terra gelada e estéril não era lugar para criar filhos.

“Sitzt im Wald mit den Affen”

Na carta, Jost descreve cada família lucernesa — uma por uma, sem piedade e sem enfeite. Quando chega a vez de Xavier, escreve:

Original · Joste, AKT 24/60.B.3 Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.
Tradução Wermelinger Xavier, de Willisau — tecelão — sua esposa e 7 ou 8 filhos; apenas simples. Arrendou o lote colonial nº 61 e mudou-se para Macaé, um pouco melhor e mais quente do que a terra da colônia para café. — Está, portanto, sentado na mata com os macacos.

O que essas linhas nos dizem

Cada palavra importa. Vejamos o que Jost revela:

Trexler — tecelão. Na lista oficial de 1819 (BF 52), a coluna de profissão de Xavier estava vazia, enquanto seus vizinhos de lista eram marcados como carpinteiros, sapateiros, padeiros e médicos. Agora sabemos: Xavier era tecelão. Trabalhava com tear em Willisau. Não era agricultor. Não era arteseo da construção. Era um homem das mãos finas — que foi colocado para derrubar floresta tropical com machado.

“Nur simple” — apenas simples. Jost não poupa ninguém em sua carta. Há quem ele chame de “bêbado”, de “vagabundo”, de “preguiçoso”. De Xavier, diz apenas que era “simples” — gente humilde, sem pretensões, sem dinheiro. Não é um insulto. É a constatação de que Xavier não tinha capital para comprar escravos, mulas ou fazendas prontas. Tinha apenas braços, família e teimosia.

“7 oder 8 Kindern” — 7 ou 8 filhos. Xavier embarcou com 6 filhos vivos (um sétimo, Johann Baptist, morreu a bordo em 28 de novembro de 1819, com apenas um ano de idade). Em 1825, seis anos depois da chegada, já havia 7 ou 8. Os filhos nascidos no Brasil já estavam chegando. A família crescia mesmo na adversidade.

“Verpachtet” — arrendou. Xavier não vendeu o lote 61 em Nova Friburgo. Arrendou-o. Manteve o vínculo com a terra que recebera, mas reconheceu que ali não era possível prosperar. A colônia ficava numa serra fria, onde, como o próprio Jost descreve em outro trecho da carta, “só nascem milho, feijão e batatas mal feitas; todos os frutos tropicais — bananas, abacaxis, café, laranjas, limões — crescem, mas morrem ao primeiro frio.”

“Macahé” — mudou-se para Macaé. Xavier desceu a serra. Buscou terra mais quente, mais baixa, onde o café pudesse crescer. Não foi sozinho: Jost anota que Josef Meyer, outro colono lucernês, “zog mit Wermelinger nach Macahé” — mudou-se junto com Wermelinger para Macaé. Iam juntos, como haviam ido juntos no navio, como haviam ido juntos de Willisau a Basileia, de Basileia a Roterdã, de Roterdã a Texel, de Texel ao Rio de Janeiro, do Rio a Nova Friburgo. A solidariedade entre conterrâneos era o que restava quando tudo o mais falhava.

“Sitzt im Wald mit den Affen” — está sentado na mata com os macacos. Essa frase é puro Jost: ácido, direto, quase cruel. Mas não é um julgamento — é uma descrição literal. Xavier estava em plena Mata Atlântica, derrubando árvores, plantando café, cercado de macacos. Um tecelão suíço de 50 anos, na floresta tropical de Macaé. A imagem é ao mesmo tempo absurda e heroica.

A trajetória que se desenha

Com a carta de Jost, podemos agora reconstruir os primeiros anos de Xavier no Brasil:

1819 · julho Parte de Willisau com a esposa Catharina Egglin (Kathrina Eggli) e seis filhos. Xavier tem 44 anos. Renuncia para sempre ao direito de cidadão de Lucerna.
1819 · 10 de outubro Embarca no Heureux Voyage em Texel, Holanda. O navio leva 442 colonos de Valais, Lucerna, Soleure e Schwyz.
1819 · 28 de novembro Johann Baptist Wermelinger, o filho mais novo, com apenas um ano de idade, morre a bordo. É um dos seis lucerneses mortos no mar — todos crianças.
1820 · 1º de janeiro Chega a Nova Friburgo. Recebe a casa nº 81 e o lote nº 61 em Morro Queimado.
1820–1822 Tenta cultivar a terra. O clima é frio demais. O café não vinga. As provisões prometidas pelo tratado não chegam, ou chegam nas mãos erradas. A fome ronda.
~1822–1825 Arrenda o lote 61 e desce para Macaé com Josef Meyer. Começa a plantar café em terra mais quente. Novos filhos nascem.
1825 · 31 de dezembro Jost, do outro lado do estado, registra o que ouviu: Xavier está na mata de Macaé com 7 ou 8 filhos. Simples. Vivo. Plantando.

Mais tarde, Xavier seguirá para a Aldeia da Pedra — atual Itaocara — onde, por volta de 1860, encontrará pessoalmente o diplomata suíço Johann Jakob von Tschudi e lhe dirá, com a autoridade de quem viveu tudo, que “os primeiros doze a quinze anos foram duros e cheios de amargas decepções, marcados pela miséria — mas depois, as coisas melhoraram, e ele vivia satisfeito.”

O Dr. Jost — um retrato

Vale conhecer o homem que escreveu sobre Xavier. Johann Baptist Jost nasceu em Willisau por volta de 1779. Era médico e secretário — o único profissional liberal entre os emigrantes lucerneses. Embarcou com a esposa Marianna Barth e seis filhos. Dois morreram nos primeiros meses: Marianna (3 anos) em 14 de janeiro de 1820, e Genovefa (6 meses) em 6 de dezembro de 1819.

Jost saiu da colônia em 1821. Passou três meses e meio na Aldeia da Pedra, depois três anos em São Fidélis, e finalmente estabeleceu-se em Campos dos Goytacazes, onde exerceu a medicina com licença imperial. Descrevia-se como “glücklich von 100 die 99 weg-practizierend” — “curando felizmente 99 de cada 100”.

Seu melhor amigo era Wendelin Rüttimann, ourives de Sursee, que em carta separada da mesma época escreveu: “Dr. Joste von Willisau ist immer mein bester Kamerad und Freund gewesen” — “o Dr. Jost de Willisau sempre foi meu melhor camarada e amigo.”

A carta de Jost não é neutra. Ele denuncia corrupção nos subsídios enviados da Suíça, acusa intermediários de roubo, e se revolta com a discriminação contra os colonos de fala alemã. Mas tampouco é injusto: reconhece que “quem saiu com Deus, quem saiu com prudência, quem pensou ‘todo começo é difícil’ e cuidou dos filhos — a esse não foi mal.”

Xavier Wermelinger, o tecelão simples que foi para a mata com os macacos, parece ter sido um desses.

As fontes

Este artigo baseia-se nas seguintes fontes primárias, todas preservadas no Staatsarchiv Luzern:

  • BF 52 — Lista oficial dos emigrantes lucerneses de 1819 (Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern)
  • AKT 24/60.B.3 — Carta de Johann Baptist Jost ao Schultheiss Amrhyn, 31 de dezembro de 1825
  • AKT 24/60.B.3 — Carta de Josef Wendelin Rüttimann a Eduard Pfyffer, 11 de agosto de 1825
  • AKT 24/60.A.3 — Carta de Franz Hunkeler ao Conselheiro Vinzenz Hegi, 20 de maio de 1820

O texto integral da carta de Jost foi publicado em: Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973, pp. 296–303.

Contexto histórico geral: Bossard-Borner, Heidi, Im Bann der Revolution. Der Kanton Luzern 1798–1831/5, Luzern, 1998 (LHV 34), p. 297.

Am Vorabend des Neujahrs 1825 setzte sich ein Schweizer Arzt hin, um einen Brief zu schreiben. Er war in Campos dos Goytacazes, sechs Tagereisen von der Kolonie entfernt, die er hinter sich gelassen hatte. Er war 46 Jahre alt, hatte eine Frau, vier lebende Kinder und einen verhaltenen Zorn, der nicht mehr in seine Brust passte.

Der Arzt hiess Johann Baptist Jost. Geboren in Willisau im Kanton Luzern, war er sechs Jahre zuvor auf demselben Schiff wie François Xavier Wermelinger ausgewandert — der Heureux Voyage, deren „glückliche Reise“ sehr wenig glücklich war. Nun, auf der anderen Seite des Ozeans, schrieb er an Schultheiss Amrhyn, das Oberhaupt der Luzerner Regierung, um Rechenschaft über das Schicksal jeder einzelnen Luzerner Familie abzulegen, die im Juli 1819 die Schweiz verlassen hatte.

Der Brief vom 31. Dezember 1825 befindet sich im Staatsarchiv Luzern unter der Signatur AKT 24/60.B.3. Der vollständige Text wurde von Martin Nicoulin in La genèse de Nova Friburgo (Seiten 296–303) veröffentlicht. Es ist ein aussergewöhnliches Dokument — ein direkter, ungefilterter Bericht von jemandem, der das Beschriebene selbst durchlebt hat.

Der Nachbar aus Willisau

Jost und Wermelinger waren nicht nur Landsleute. In der offiziellen Liste der Luzerner Auswanderer (BF 52, Staatsarchiv Luzern) erscheinen ihre Namen unmittelbar nebeneinander:

BF 52 · Staatsarchiv Luzern Eintrag 35: Wermelinger Xavier — Willisau — 44 Jahre
Eintrag 43: Jost Johann Baptist — Willisau — 40 Jahre — Arzt und Secretaire

Sie schifften sich gemeinsam ein. Sie überquerten den Atlantik auf demselben Schiff. Sie kamen am 1. Januar 1820 gemeinsam in Nova Friburgo an. Xavier erhielt das Grundstück Nr. 61. Jost erhielt ein anderes Grundstück in derselben Kolonie. In den ersten Jahren lebten sie als Nachbarn, bis beide aus unterschiedlichen Gründen zum Schluss kamen, dass dieses kalte und unfruchtbare Land kein Ort war, um Kinder grosszuziehen.

„Sitzt im Wald mit den Affen“

In dem Brief beschreibt Jost jede Luzerner Familie — eine nach der anderen, ohne Mitleid und ohne Schmuck. Als er auf Xavier zu sprechen kommt, schreibt er:

Originalfassung · Joste, AKT 24/60.B.3 Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.

Was uns diese Zeilen sagen

Jedes Wort zählt. Sehen wir, was Jost offenbart:

Trexler — Weber. In der offiziellen Liste von 1819 (BF 52) blieb die Berufsspalte Xaviers leer, während seine Listennachbarn als Schreiner, Schuster, Bäcker und Ärzte verzeichnet waren. Nun wissen wir es: Xavier war Weber. Er arbeitete in Willisau am Webstuhl. Er war kein Bauer. Er war kein Bauhandwerker. Er war ein Mann mit feinen Händen — den man hinstellte, um mit der Axt tropischen Urwald zu fällen.

„Nur simple“. Jost verschont in seinem Brief niemanden. Manche nennt er „Säufer“, „Tagdieb“ oder „faul“. Über Xavier sagt er nur, er sei „simpel“ gewesen — einfache Leute, ohne Ansprüche, ohne Geld. Es ist keine Beleidigung. Es ist die Feststellung, dass Xavier kein Kapital hatte, um Sklaven, Maultiere oder fertige Pflanzungen zu kaufen. Er hatte nur Arme, Familie und Beharrlichkeit.

„7 oder 8 Kindern“. Xavier war mit 6 lebenden Kindern an Bord gegangen (ein siebtes, Johann Baptist, starb am 28. November 1819 an Bord, gerade ein Jahr alt). 1825, sechs Jahre nach der Ankunft, waren es bereits 7 oder 8. Die in Brasilien geborenen Kinder kamen schon zur Welt. Die Familie wuchs trotz der Widrigkeiten.

„Verpachtet“. Xavier verkaufte das Grundstück 61 in Nova Friburgo nicht. Er verpachtete es. Er behielt die Bindung an das Land, das er erhalten hatte, erkannte aber, dass dort kein Auskommen möglich war. Die Kolonie lag in einer kalten Bergregion, wo, wie Jost selbst an anderer Stelle des Briefes beschreibt, „nur Mais, Bohnen und schlecht geratene Kartoffeln gedeihen; alle tropischen Früchte — Bananen, Ananas, Kaffee, Orangen, Zitronen — wachsen zwar, sterben aber bei der ersten Kälte ab.“

„Macahé“ — er zog nach Macaé. Xavier stieg von der Serra hinab. Er suchte wärmeres, niedriger gelegenes Land, wo der Kaffee wachsen konnte. Er war nicht allein: Jost vermerkt, dass Josef Meyer, ein anderer Luzerner Siedler, „zog mit Wermelinger nach Macahé“ — gemeinsam mit Wermelinger nach Macaé zog. Sie gingen zusammen, wie sie zusammen auf dem Schiff gewesen waren, wie sie zusammen von Willisau nach Basel, von Basel nach Rotterdam, von Rotterdam nach Texel, von Texel nach Rio de Janeiro, von Rio nach Nova Friburgo gegangen waren. Die Solidarität unter Landsleuten war das, was übrigblieb, als alles andere versagte.

„Sitzt im Wald mit den Affen“. Dieser Satz ist reiner Jost: bissig, direkt, fast grausam. Aber es ist kein Urteil — es ist eine wörtliche Beschreibung. Xavier war mitten im atlantischen Regenwald, schlug Bäume um, pflanzte Kaffee, umgeben von Affen. Ein Schweizer Weber, 50 Jahre alt, im tropischen Wald von Macaé. Das Bild ist gleichzeitig absurd und heldenhaft.

Die sich abzeichnende Bahn

Mit Josts Brief können wir nun die ersten Jahre Xaviers in Brasilien rekonstruieren:

1819 · Juli Bricht aus Willisau auf, mit seiner Frau Catharina Egglin (Kathrina Eggli) und sechs Kindern. Xavier ist 44 Jahre alt. Er verzichtet auf immer auf das Luzerner Bürgerrecht.
1819 · 10. Oktober Schifft sich auf der Heureux Voyage in Texel, Holland, ein. Das Schiff führt 442 Siedler aus Wallis, Luzern, Solothurn und Schwyz.
1819 · 28. November Johann Baptist Wermelinger, das jüngste Kind, gerade ein Jahr alt, stirbt an Bord. Er ist eines von sechs auf See verstorbenen Luzernern — alle Kinder.
1820 · 1. Januar Trifft in Nova Friburgo ein. Erhält das Haus Nr. 81 und das Grundstück Nr. 61 in Morro Queimado.
1820–1822 Versucht, das Land zu bestellen. Das Klima ist zu kalt. Der Kaffee gedeiht nicht. Die im Vertrag versprochenen Vorräte kommen nicht an oder geraten in falsche Hände. Der Hunger geht um.
~1822–1825 Verpachtet das Grundstück 61 und zieht mit Josef Meyer nach Macaé. Beginnt, in wärmerem Land Kaffee zu pflanzen. Neue Kinder werden geboren.
1825 · 31. Dezember Jost, vom anderen Ende des Bundesstaats aus, hält fest, was er gehört hat: Xavier ist im Wald von Macaé mit 7 oder 8 Kindern. Einfach. Lebendig. Pflanzend.

Später wird Xavier weiter nach Aldeia da Pedra ziehen — das heutige Itaocara — wo er um 1860 dem Schweizer Diplomaten Johann Jakob von Tschudi persönlich begegnet und ihm mit der Autorität dessen, der alles erlebt hat, sagen wird, dass „die ersten zwölf bis fünfzehn Jahre hart und voller bitterer Enttäuschungen waren, geprägt vom Elend — aber danach besserten sich die Dinge, und er lebte zufrieden.“

Dr. Jost — ein Porträt

Es lohnt sich, den Mann kennenzulernen, der über Xavier schrieb. Johann Baptist Jost wurde um 1779 in Willisau geboren. Er war Arzt und Sekretär — der einzige akademisch Ausgebildete unter den Luzerner Auswanderern. Er war mit seiner Frau Marianna Barth und sechs Kindern abgereist. Zwei starben in den ersten Monaten: Marianna (3 Jahre) am 14. Januar 1820, und Genovefa (6 Monate) am 6. Dezember 1819.

Jost verliess die Kolonie 1821. Er verbrachte dreieinhalb Monate in Aldeia da Pedra, dann drei volle Jahre in São Fidélis, und liess sich schliesslich in Campos dos Goytacazes nieder, wo er die Medizin mit kaiserlicher Lizenz ausübte. Er beschrieb sich selbst als „glücklich von 100 die 99 weg-practizierend“.

Sein bester Freund war Wendelin Rüttimann, Goldschmied aus Sursee, der in einem separaten Brief aus derselben Zeit schrieb: „Dr. Joste von Willisau ist immer mein bester Kamerad und Freund gewesen.“

Josts Brief ist nicht neutral. Er prangert die Korruption bei den aus der Schweiz gesandten Hilfsgeldern an, beschuldigt Mittelsmänner des Diebstahls und empört sich über die Diskriminierung der deutschsprachigen Siedler. Aber er ist auch nicht ungerecht: Er erkennt an, dass „wer mit Gott auszog, wer mit Bedacht auszog, wer dachte ‘aller Anfang ist schwer’ und seine Kinder versorgte — dem ist es nicht schlecht ergangen.“

Xavier Wermelinger, der einfache Weber, der mit den Affen in den Wald ging, scheint einer von diesen gewesen zu sein.

Die Quellen

Dieser Artikel stützt sich auf folgende primäre Quellen, alle aufbewahrt im Staatsarchiv Luzern:

  • BF 52 — Offizielle Liste der Luzerner Auswanderer von 1819 (Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern)
  • AKT 24/60.B.3 — Brief von Johann Baptist Jost an Schultheiss Amrhyn, 31. Dezember 1825
  • AKT 24/60.B.3 — Brief von Josef Wendelin Rüttimann an Eduard Pfyffer, 11. August 1825
  • AKT 24/60.A.3 — Brief von Franz Hunkeler an Rat Vinzenz Hegi, 20. Mai 1820

Der vollständige Text des Briefes von Jost wurde veröffentlicht in: Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973, S. 296–303.

Allgemeiner historischer Kontext: Bossard-Borner, Heidi, Im Bann der Revolution. Der Kanton Luzern 1798–1831/5, Luzern, 1998 (LHV 34), S. 297.

On the eve of the New Year of 1825, a Swiss physician sat down to write a letter. He was in Campos dos Goytacazes, six days' journey from the colony he had left behind. He was 46 years old, with a wife, four living children, and a contained anger that no longer fit in his chest.

The physician's name was Johann Baptist Jost. Native of Willisau, in the canton of Lucerne, he had embarked six years earlier on the same ship as François Xavier Wermelinger — the Heureux Voyage, whose “happy voyage” had been very little of either. Now, on the other side of the ocean, he wrote to Schultheiss Amrhyn, head of the Lucerne government, to give an account of what had happened to each Lucerne family that had left Switzerland in July 1819.

The letter, dated 31 December 1825, is held at the Staatsarchiv Luzern under the call number AKT 24/60.B.3. The full text was published by Martin Nicoulin in La genèse de Nova Friburgo (pages 296–303). It is an extraordinary document — a direct, unfiltered account from someone who lived what he describes.

The neighbour from Willisau

Jost and Wermelinger were not only fellow countrymen. In the official list of Lucerne emigrants (BF 52, Staatsarchiv Luzern), their names appear side by side:

BF 52 · Staatsarchiv Luzern Entry 35: Wermelinger Xavier — Willisau — 44 years
Entry 43: Jost Johann Baptist — Willisau — 40 years — Arzt und Secretaire

They embarked together. They crossed the Atlantic on the same ship. They arrived together in Nova Friburgo on 1 January 1820. Xavier received plot No. 61. Jost received another plot in the same colony. They lived as neighbours during the first years, until both, for different reasons, decided that this cold and barren land was no place to raise children.

„Sitzt im Wald mit den Affen“

In the letter, Jost describes each Lucerne family — one by one, without mercy and without ornament. When he comes to Xavier, he writes:

German original · Joste, AKT 24/60.B.3 Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.
English translation Wermelinger Xavier, of Willisau — weaver — his wife, and 7 or 8 children; merely simple. Leased the colonial plot No. 61, and moved to Macaé, somewhat better and warmer than the colonial land for coffee. — he is therefore sitting in the forest with the monkeys.

What these lines tell us

Every word matters. Let us see what Jost reveals:

Trexler — weaver. In the official list of 1819 (BF 52), Xavier's profession column had been left blank, while his list-neighbours were marked as carpenters, shoemakers, bakers and physicians. Now we know: Xavier was a weaver. He worked at the loom in Willisau. He was not a farmer. He was not a building craftsman. He was a man of fine hands — whom they set to fell tropical forest with an axe.

“Nur simple” — merely simple. Jost spares no one in his letter. Some he calls “drunkard”, others “loafer”, others “lazy”. Of Xavier, he says only that he was “simple” — humble folk, without pretensions, without money. It is not an insult. It is the observation that Xavier had no capital to buy slaves, mules, or ready-made farms. He had only arms, family, and stubbornness.

“7 oder 8 Kindern” — 7 or 8 children. Xavier embarked with 6 living children (a seventh, Johann Baptist, died on board on 28 November 1819, just one year old). By 1825, six years after arrival, there were already 7 or 8. The Brazil-born children were already arriving. The family was growing even amid hardship.

“Verpachtet” — leased. Xavier did not sell plot 61 in Nova Friburgo. He leased it. He kept the bond with the land he had received, but recognised that there was no prospering there. The colony lay in a cold mountain region, where, as Jost himself describes elsewhere in the letter, “only maize, beans, and ill-formed potatoes grow; all tropical fruits — bananas, pineapples, coffee, oranges, lemons — do grow, but die at the first cold.”

“Macahé” — moved to Macaé. Xavier descended the mountains. He sought warmer, lower-lying land, where coffee could grow. He did not go alone: Jost notes that Josef Meyer, another Lucerne settler, “zog mit Wermelinger nach Macahé” — moved together with Wermelinger to Macaé. They went together, as they had been together on the ship, as they had gone together from Willisau to Basel, from Basel to Rotterdam, from Rotterdam to Texel, from Texel to Rio de Janeiro, from Rio to Nova Friburgo. Solidarity among countrymen was what remained when everything else failed.

“Sitzt im Wald mit den Affen” — sitting in the forest with the monkeys. This phrase is pure Jost: acid, direct, almost cruel. But it is not a judgement — it is a literal description. Xavier was deep in the Atlantic Forest, felling trees, planting coffee, surrounded by monkeys. A Swiss weaver, 50 years old, in the tropical forest of Macaé. The image is at once absurd and heroic.

The trajectory taking shape

With Jost's letter, we can now reconstruct Xavier's first years in Brazil:

1819 · July Departs from Willisau with his wife Catharina Egglin (Kathrina Eggli) and six children. Xavier is 44 years old. He renounces forever his right of citizenship in Lucerne.
1819 · 10 October Embarks on the Heureux Voyage at Texel, Holland. The ship carries 442 settlers from Valais, Lucerne, Solothurn and Schwyz.
1819 · 28 November Johann Baptist Wermelinger, the youngest child, only one year old, dies on board. He is one of the six Lucerners who died at sea — all of them children.
1820 · 1 January Arrives in Nova Friburgo. Receives house No. 81 and plot No. 61 in Morro Queimado.
1820–1822 Tries to cultivate the land. The climate is too cold. Coffee will not take. The provisions promised by the treaty fail to arrive, or arrive in the wrong hands. Hunger circles.
~1822–1825 Leases plot 61 and descends to Macaé with Josef Meyer. Begins to plant coffee on warmer land. New children are born.
1825 · 31 December Jost, from the other side of the state, records what he has heard: Xavier is in the forest of Macaé with 7 or 8 children. Simple. Alive. Planting.

Later, Xavier will move on to Aldeia da Pedra — today's Itaocara — where, around 1860, he will personally meet the Swiss diplomat Johann Jakob von Tschudi and tell him, with the authority of one who has lived through everything, that “the first twelve to fifteen years were hard and full of bitter disappointments, marked by misery — but afterwards, things improved, and he lived contentedly.”

Dr. Jost — a portrait

It is worth knowing the man who wrote about Xavier. Johann Baptist Jost was born in Willisau around 1779. He was a physician and secretary — the only liberal professional among the Lucerne emigrants. He embarked with his wife Marianna Barth and six children. Two died in the first months: Marianna (3 years) on 14 January 1820, and Genovefa (6 months) on 6 December 1819.

Jost left the colony in 1821. He spent three and a half months in Aldeia da Pedra, then three full years in São Fidélis, and finally settled in Campos dos Goytacazes, where he practised medicine with imperial licence. He described himself as “glücklich von 100 die 99 weg-practizierend” — “happily curing 99 out of every 100”.

His best friend was Wendelin Rüttimann, goldsmith of Sursee, who in a separate letter from the same period wrote: “Dr. Joste von Willisau ist immer mein bester Kamerad und Freund gewesen” — “Dr. Jost of Willisau has always been my best comrade and friend.”

Jost's letter is not neutral. He denounces the corruption of the subsidies sent from Switzerland, accuses intermediaries of theft, and rails against the discrimination towards the German-speaking settlers. But he is not unjust either: he recognises that “he who set out with God, who set out with prudence, who thought 'all beginnings are difficult' and looked after his children — he did not fare badly.”

Xavier Wermelinger, the simple weaver who went into the forest with the monkeys, seems to have been one of those.

The sources

This article draws on the following primary sources, all preserved at the Staatsarchiv Luzern:

  • BF 52 — Official list of Lucerne emigrants of 1819 (Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern)
  • AKT 24/60.B.3 — Letter from Johann Baptist Jost to Schultheiss Amrhyn, 31 December 1825
  • AKT 24/60.B.3 — Letter from Josef Wendelin Rüttimann to Eduard Pfyffer, 11 August 1825
  • AKT 24/60.A.3 — Letter from Franz Hunkeler to Councillor Vinzenz Hegi, 20 May 1820

The full text of Jost's letter was published in: Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973, pp. 296–303.

General historical context: Bossard-Borner, Heidi, Im Bann der Revolution. Der Kanton Luzern 1798–1831/5, Luzern, 1998 (LHV 34), p. 297.

Anexo I · Lista oficial dos emigrantes lucerneses, 1819 (excerto) Anhang I · Offizielle Liste der Luzerner Auswanderer, 1819 (Auszug) Appendix I · Official list of Lucerne emigrants, 1819 (excerpt)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, signaturaSignaturcall number BF 52
Nahmens-Verzeichnis der nach Brasilien ausgewanderten Individuen des Kantons Luzern, 1819

O documento original registra que os emigrantes partiram em 12 de julho de 1819 (“unterm 12. Heumonat”), sob a supervisão do comissário Hauptmann Kaspar Theiler de Lucerna, e que renunciaram para sempre ao direito de cidadania no cantão de Lucerna (“auf immer auf ihr bisher im Kanton Luzern besessenes Heimatrecht Verzicht geleistet”).

Das Originaldokument hält fest, dass die Auswanderer am 12. Juli 1819 („unterm 12. Heumonat“) unter der Aufsicht von Kommissär Hauptmann Kaspar Theiler aus Luzern abreisten und auf immer auf ihr bisher im Kanton Luzern besessenes Heimatrecht Verzicht geleistet haben.

The original document records that the emigrants departed on 12 July 1819 (“unterm 12. Heumonat”), under the supervision of Commissioner Hauptmann Kaspar Theiler of Lucerne, and that they renounced forever their right of citizenship in the canton of Lucerne (“auf immer auf ihr bisher im Kanton Luzern besessenes Heimatrecht Verzicht geleistet”).

Amt Willisau · Entrada da família Wermelinger Amt Willisau · Eintrag der Familie Wermelinger Amt Willisau · Wermelinger family entry

NomeNameName Heimatgemeinde Aufenthaltsort IdadeAlterAge Beruf Tod
35Wermelinger XavierWillisauWillisau44
36Kathrina Eggli37
371. Xavier (filho)(Sohn)(son)10
382. Josef7
393. Steffan6
404. Johann Baptist128.11.1819
415. Kathrina9
426. Marianna4

Entrada seguinte · família Jost (vizinhos em Willisau) Nächster Eintrag · Familie Jost (Nachbarn in Willisau) Next entry · Jost family (neighbours in Willisau)

NomeNameName Heimatgemeinde Aufenthaltsort IdadeAlterAge Beruf Tod
43Jost Johann BaptistWillisauWillisau40Arzt und Secretaire
44Marianna Barth
451. Johann Baptist9
462. Anton7
473. Thomas6
484. Franz4
495. Marianna314.1.1820
506. Genovefa½6.12.1819

Nota: A última coluna (Sterbedatum) foi acrescentada posteriormente com base em fontes secundárias. Anmerkung: Die letzte Spalte (Sterbedatum) wurde nachträglich anhand von Sekundärquellen ergänzt. Note: The last column (Sterbedatum — date of death) was added later based on secondary sources.

Anexo II · Carta do Dr. Johann Baptist Jost, 31 de dezembro de 1825 (excertos) Anhang II · Brief von Dr. Johann Baptist Jost, 31. Dezember 1825 (Auszüge) Appendix II · Letter from Dr. Johann Baptist Jost, 31 December 1825 (excerpts)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, AKT 24/60.B.3
RemetenteAbsenderSender: Joh. Bapt. Joste, Arzt und Wundarzt, Campos dos Goytacazes
DestinatárioEmpfängerRecipient: Schultheiss Amrhyn, Luzern
PublicaçãoVeröffentlichungPublication: Nicoulin, La genèse de Nova Friburgo, Fribourg, 1973, pp. 296–303

Trecho original · entrada nº 12 (Xavier Wermelinger) Originalauszug · Eintrag Nr. 12 (Xavier Wermelinger) Original passage · entry No. 12 (Xavier Wermelinger)

12. Wermelinger Xavier, von Willisau, — Trexler, — s Frau, und 7 oder 8 Kindern; nur simple. Hat Colonie-Land No. 61 verpachtet, und zog aus nach Macahé, etwas besser und wärmer als Colonie Land für Café. — sitzt allso im Wald mit den Affen.
Tradução Wermelinger Xavier, de Willisau — tecelão — sua esposa e 7 ou 8 filhos; apenas simples. Arrendou o lote colonial nº 61 e mudou-se para Macaé, um pouco melhor e mais quente do que a terra da colônia para café. Está, portanto, sentado na mata com os macacos.
English translation Wermelinger Xavier, of Willisau — weaver — his wife and 7 or 8 children; merely simple. Leased the colonial plot No. 61 and moved to Macaé, somewhat better and warmer than the colonial land for coffee. He is therefore sitting in the forest with the monkeys.

Trecho original · entrada nº 10 (Josef Meyer) Originalauszug · Eintrag Nr. 10 (Josef Meyer) Original passage · entry No. 10 (Josef Meyer)

10. Meyer Jos. — schon 2 mal Witwer in Colonie, und sey wieder verehel. — halbhölzerner Kerl, so-so. Zog mit Wermelinger nach Macahé, um Cafe-pflanzen. zanken alle Nachbarn brav Tochter in Rio verheyr. Sohn Jos. — weiss nicht.
Tradução Meyer Josef — já duas vezes viúvo na colônia, e casou-se de novo — sujeito meio grosso, assim-assim. Mudou-se com Wermelinger para Macaé para plantar café. Briga bravamente com todos os vizinhos. Filha casada no Rio. Filho Josef — não sei.
English translation Meyer Josef — already twice widowed in the colony, and married again — coarse fellow, so-so. Moved with Wermelinger to Macaé to plant coffee. Quarrels mightily with all the neighbours. Daughter married in Rio. Son Josef — do not know.

Trecho original · sobre a terra da colônia Originalauszug · über das Land der Kolonie Original passage · on the land of the colony

Denn Morro-Queimado liegt in einer hohen kalten u. angeerischen Serra, oder Gebirgskette, bey 40 Meilen, wie Bündten-Glarus,-Uri,-Wallis etc. zusammengesetzt allso hin und wieder nur ein etwas besseres Hochthal darin, um Bohnen, Mais, Kartoffeln bös, und Garten-Gewächs zu pflanzen; denn alle Süd- und hinländischen zahme Gewächse und Früchten, z.B. Bananas, Ananas, Café, -Pommeranzen, Zitronen u. s. w. Hunderte, wachsen zwar, sterben aber bey erstem Kaltwerden wieder ab.
Tradução Pois Morro Queimado fica numa serra alta, fria e hostil, a 40 milhas, como Grisões-Glaris-Uri-Valais juntos — portanto, aqui e ali apenas um vale alto um pouco melhor, para plantar feijão, milho, batatas mal feitas e hortaliças; pois todos os frutos tropicais cultivados — bananas, abacaxis, café, laranjas, limões etc. — crescem, é verdade, mas morrem ao primeiro frio.
English translation For Morro Queimado lies in a high, cold and hostile mountain range, some 40 miles long, like Grisons-Glarus-Uri-Valais all together — therefore only here and there a slightly better upland valley, for planting beans, maize, ill-formed potatoes, and garden produce; for all the tropical cultivated plants and fruits — bananas, pineapples, coffee, oranges, lemons, etc. — do grow, but die at the first cold.

Trecho original · sobre quem prosperou Originalauszug · über jene, die es schafften Original passage · on those who prospered

Wer auszog mit Gott! — wer auszog mit Bedacht! wer daran dachte: — Aller Anfang ist schwer, und Wir Eltern werden vieles erfahren, und leiden müssen die Ersten Jahre, es ist aber unsere hohe Pflicht für unsere lieben Kinder zu sorgen, und Ihnen zu Ihrem Auf- und Fortkommen zu helfen.
Tradução Quem saiu com Deus! Quem saiu com prudência! Quem pensou: todo começo é difícil, e nós, pais, teremos de suportar e sofrer muito nos primeiros anos, mas é nosso alto dever cuidar dos nossos queridos filhos e ajudá-los a progredir e prosperar.
English translation He who set out with God! He who set out with prudence! He who thought: every beginning is hard, and we parents will have to endure and suffer much in the first years — but it is our high duty to provide for our beloved children and to help them advance and prosper.

Trecho original · sobre a corrupção nos subsídios Originalauszug · über die Korruption bei den Hilfsgeldern Original passage · on the corruption of the subsidies

Dass die armen Colonisten immerfort, von Anfang bis Dato, um eigenes, mitgebrachtes, versprochenes lt. Tractat, und Nachgesandtes zur Aufhilfe, beeinträchtigt, betrogen, u. bestohlen worden.
Tradução Que os pobres colonos foram, desde o início até hoje, prejudicados, enganados e roubados — tanto no que era próprio e trazido de casa, como no que lhes fora prometido pelo tratado, e no que lhes foi enviado posteriormente como auxílio.
English translation That the poor colonists, from the beginning until today, have been wronged, deceived, and robbed — in what was their own and brought from home, in what had been promised them by the treaty, and in what was sent later as aid.

Trecho original · sobre o próprio Jost Originalauszug · über Jost selbst Original passage · about Jost himself

16. Joste, Joh. Bapt., von Willisau, seit 1821 Spätjahr. erstlich 3 1/2 Mon. in Aldéa de Pedra, bey Capuziner Ths. di Castelli etc., dann 3 volle Jahr bei Aldéa de S. Fideles, izt seit Ende März hier in Stadt Campos etabliert, und mit Kayserl. Patente als Arzt und Chirurg, glücklich von 100 = die 99 weg-practizierend; Mit Frau und 4 Knaben, gut zufrieden.
Tradução Jost, Joh. Bapt., de Willisau, desde o outono de 1821. Primeiro 3½ meses na Aldeia da Pedra, com os capuchinhos de Ths. di Castelli etc., depois 3 anos inteiros em Aldeia de São Fidélis, agora desde fins de março aqui na cidade de Campos estabelecido, e com patente imperial como médico e cirurgião, felizmente curando 99 de cada 100; com esposa e 4 meninos, bem satisfeito.
English translation Jost, Joh. Bapt., of Willisau, since the autumn of 1821. First three and a half months at Aldeia da Pedra, with the Capuchin Ths. di Castelli etc., then three full years at Aldeia de São Fidélis, now since the end of March established here in the town of Campos, and with imperial licence as physician and surgeon, happily curing 99 out of every 100; with wife and 4 boys, well content.

Assinatura Unterschrift Signature

Das wünscht aus innigstem Hertzen Hochderselben! immerfort dankbarer, und getreuer alter Mitbürger und Diener, Joh. Bapt. Joste, Arzt und Wundarzt, m.p. Beendigt heute den 31 Dezbre 1825.

Anexo III · Carta de Franz Hunkeler, 20 de maio de 1820 (excertos) Anhang III · Brief von Franz Hunkeler, 20. Mai 1820 (Auszüge) Appendix III · Letter from Franz Hunkeler, 20 May 1820 (excerpts)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, AKT 24/60.A.3
RemetenteAbsenderSender: Franz Hunkeler, Nova Friburgo
DestinatárioEmpfängerRecipient: Rat Vinzenz Hegi, Luzern

Sobre as mortes no mar Über die Todesfälle auf dem Meer On the deaths at sea

Von dem Luzerner Convoi starben auf dem Meer nicht mehr als 6 Personen jedoch nur Kinder, nemlich 3 dem Josef Huober, 1 dem X. Wermelinger, und 2 dem Haslimann, obschon wir sehr enge eingepackt wurden.
Tradução Do comboio de Lucerna não morreram no mar mais que 6 pessoas, porém apenas crianças: 3 de Josef Huber, 1 de X. Wermelinger, e 2 de Haslimann, embora estivéssemos amontoados muito apertados.
English translation Of the Lucerne convoy, no more than 6 persons died at sea, but only children: 3 of Josef Huber, 1 of X. Wermelinger, and 2 of Haslimann, although we had been packed in very tightly.

Sobre a travessia Über die Überfahrt On the crossing

Den 11ten Oktober 1819 fuhren wir 450 Köpf auf dem Schiffe der glücklichen Reise in Texel in Holland ab. Wir hatten immer guten Wind und würden gewiss in 7 Wochen in Rio Janeiro angekommen sein, wenn uns nicht auf dem Canarischen Meer nicht alle 3 Mastbäume abgebrochen wären.
Tradução Em 11 de outubro de 1819 partimos, 450 almas no navio da Viagem Feliz, de Texel na Holanda. Tivemos sempre bom vento e certamente teríamos chegado ao Rio de Janeiro em 7 semanas, se no mar das Canárias não tivessem quebrado todos os 3 mastros.
English translation On 11 October 1819 we set sail, 450 souls aboard the ship of the Happy Voyage, from Texel in Holland. We always had good wind and would surely have reached Rio de Janeiro in 7 weeks, had not all 3 masts been broken on the Canary Sea.

Sobre a chegada e as condições Über die Ankunft und die Verhältnisse On the arrival and the conditions

Nichts ist auf dem Meer zu fürchten als bei einem solchen Transport von Menschen, so dass viele Ungeziefer, alles, niemand ausgenommen wird voll Läuse und Flöch.
Tradução Nada há a temer no mar, a não ser, num transporte de gente como este, a praga de parasitas: todos, sem exceção, ficam cobertos de piolhos e pulgas.
English translation There is nothing to fear at sea, except, in such a transport of people, the plague of vermin: all, without exception, become covered with lice and fleas.

Lista de mortos lucerneses até maio de 1820 Liste der Luzerner Toten bis Mai 1820 List of Lucerne dead up to May 1820

Gestorben sind nun von Luzern von Haus bis dato:
a. von Familie Büttler Kind — 2
b. Haslimann Kind — 2
c. Hecht Alois Sohn — 1
d. Huobers Frau und Kinder — 5
e. Hunkelers Frau und 2 Kinder — 3
f. Luterbach alt und Kind — 2
g. Meyers Frau und 2 Kind — 3
h. Michel Rütiman und Frau und 1 Kind — 3
i. Wendel Rütimans Frau und Kind — 2
k. Jost Babtist Kinder — 2
l. Wetterwald Familie ganz bis an 1 Kind — 6
m. Wermelinger Kind — 1

Total: 32 mortos lucerneses entre a partida (julho de 1819) e maio de 1820. De 140 que partiram, chegaram vivos e sobreviveram aos primeiros meses 108 pessoas. A família Wetterwald, de Ohlisrüti perto de Willisau, perdeu quase todos — o pai morreu na Holanda, a esposa e quatro filhos morreram em Nova Friburgo, sobrando apenas uma criança.

Insgesamt: 32 Tote Luzerner zwischen der Abreise (Juli 1819) und Mai 1820. Von 140, die abgereist waren, kamen 108 lebend an und überlebten die ersten Monate. Die Familie Wetterwald aus Ohlisrüti bei Willisau verlor fast alle: Der Vater starb in Holland, die Ehefrau und vier Kinder in Nova Friburgo — nur ein Kind blieb übrig.

Total: 32 Lucerne deaths between the departure (July 1819) and May 1820. Of 140 who departed, 108 arrived alive and survived the first months. The Wetterwald family, of Ohlisrüti near Willisau, lost almost everyone — the father died in Holland, the wife and four children died in Nova Friburgo, leaving only one child.

Anexo IV · Carta de Wendelin Rüttimann, 11 de agosto de 1825 (excertos) Anhang IV · Brief von Wendelin Rüttimann, 11. August 1825 (Auszüge) Appendix IV · Letter from Wendelin Rüttimann, 11 August 1825 (excerpts)

FonteQuelleSource: Staatsarchiv Luzern, AKT 24/60.B.3
RemetenteAbsenderSender: Josef Wendelin Rüttimann, Campos dos Goytacazes
DestinatárioEmpfängerRecipient: Eduard Pfyffer, Präsident des Polizei-Raths, Luzern

Sobre a amizade com o Dr. Jost Über die Freundschaft mit Dr. Jost On the friendship with Dr. Jost

Schon auf unserer ganzen Reise und fortwährend in diesem unserm neuen Vaterlande ist Dr. Joste von Willisau immer mein bester Kamerad und Freund gewesen, und danke ihm viel Gutthaten zu meinem Fortkommen. Er ist glüklich und wohl.
Tradução Já durante toda a nossa viagem e continuamente nesta nossa nova pátria, o Dr. Jost de Willisau sempre foi meu melhor camarada e amigo, e devo-lhe muitas boas ações para o meu progresso. Ele está feliz e bem.
English translation Already throughout our entire journey and continually in this our new fatherland, Dr. Jost of Willisau has always been my best comrade and friend, and I owe him many good deeds for my advancement. He is happy and well.

Sobre a terra da colônia Über das Land der Kolonie On the land of the colony

Wäre unsere in eine solche fruchtbare Gegend verlegt worden – ja! es wäre wohl anders gegangen. Aber wo sie ist, kann und wird nichts werden. Zu kalt. Nur Mais, Bohnen und Erdäpfel kommen davon.
Tradução Se a nossa [colônia] tivesse sido colocada numa região tão fértil assim — sim! tudo teria sido diferente. Mas onde ela está, nada pode nem vai resultar. Frio demais. Só milho, feijão e batatas saem dali.
English translation Had ours [colony] been placed in such a fertile region — yes! it would surely have gone differently. But where it stands, nothing can or will come of it. Too cold. Only maize, beans, and potatoes come from it.

Sobre a Aldeia da Pedra e a Dispersão Über Aldeia da Pedra und die Zerstreuung On Aldeia da Pedra and the Dispersal

Viele sind nach Minas, Aldèa da Pedra, haben Land umsonst bekommen, und stehn nicht bös, was will aber ein Mann allein mit Weib und kleinen Kindern machen, die ihm nichts helfen können.
Tradução Muitos foram para Minas, Aldeia da Pedra, receberam terra de graça e não estão mal — mas o que pode fazer um homem sozinho com esposa e filhos pequenos, que em nada podem ajudá-lo?
English translation Many have gone to Minas, Aldeia da Pedra, received land for free, and are not doing badly — but what can a man alone do, with a wife and small children who can give him no help?

Sobre as perdas pessoais de Rüttimann Über Rüttimanns persönliche Verluste On Rüttimann's personal losses

In Medenblek, einer Stadt in Holland, starb mein Töchterlein Mariannli, schon krank in Dordrecht eingeschift; in Neufreiburg am 12. Horner 1820 starb meine liebe Gattin Margaritha Imbach an einer unglüklichen Niederkunft, und abgeschwächt von den Beschwerden der Reise und mehreren Umständen.
Tradução Em Medemblik, uma cidade na Holanda, morreu a minha filhinha Mariannli, já doente ao ser embarcada em Dordrecht; em Nova Friburgo, a 12 de fevereiro de 1820, morreu a minha querida esposa Margaritha Imbach de um parto infeliz, enfraquecida pelas agruras da viagem e várias circunstâncias.
English translation In Medemblik, a town in Holland, my little daughter Mariannli died, already ill when boarded in Dordrecht; in Nova Friburgo, on 12 February 1820, my dear wife Margaritha Imbach died of an unfortunate childbirth, weakened by the hardships of the journey and several circumstances.

Anexo V · Página do Staatsarchiv Luzern sobre Nova Friburgo Anhang V · Seite des Staatsarchivs Luzern zu Nova Friburgo Appendix V · Staatsarchiv Luzern page on Nova Friburgo

O Staatsarchiv Luzern mantém uma página dedicada à emigração lucernesa de 1819, redigida por Markus Lischer, com a lista BF 52, excertos das cartas e referências bibliográficas. Disponível em:

https://staatsarchiv.lu.ch/schaufenster (seção Nova Friburgo)

A página informa que as fontes primárias estão reunidas numa caixa de arquivo com a signatura AKT 24/60, contendo as cartas de Hunkeler (1820), Rüttimann (1825) e Jost (1825), além do regulamento da viagem. A lista de nomes encontra-se sob a signatura BF 52.

Bibliografia adicional citada pelo Staatsarchiv:

  • Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973
  • Bucher-Häfliger, Josef, “Rottaler finden in Brasilien eine neue Heimat”, Willisauer Bote, 23 de maio de 1997
  • Jurt, Joseph, “Auf Willisauer Spuren in Brasilien”, Quattro, Nr. 1, 3 de janeiro de 2004
  • Jurt, Joseph, “Schweizer Emigration nach Brasilien. Aus der Sicht des Willisauers Joseph Hecht”, Heimatkunde Wiggertal 2026, pp. 153–161
  • Weibel-Knupp, Anita, “Schweizer Auswanderung nach Brasilien 1819”, Jahrbuch SGFF 42 (2015), pp. 223–268

Das Staatsarchiv Luzern führt eine Seite zur Luzerner Auswanderung von 1819, verfasst von Markus Lischer, mit der Liste BF 52, Briefauszügen und bibliographischen Hinweisen. Erreichbar unter:

https://staatsarchiv.lu.ch/schaufenster (Bereich Nova Friburgo)

Die Seite teilt mit, dass die Primärquellen in einer Archivschachtel unter der Signatur AKT 24/60 zusammengefasst sind und die Briefe von Hunkeler (1820), Rüttimann (1825) und Jost (1825) sowie das Reisereglement enthalten. Die Namensliste befindet sich unter der Signatur BF 52.

Zusätzliche vom Staatsarchiv zitierte Literatur:

  • Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973
  • Bucher-Häfliger, Josef, „Rottaler finden in Brasilien eine neue Heimat“, Willisauer Bote, 23. Mai 1997
  • Jurt, Joseph, „Auf Willisauer Spuren in Brasilien“, Quattro, Nr. 1, 3. Januar 2004
  • Jurt, Joseph, „Schweizer Emigration nach Brasilien. Aus der Sicht des Willisauers Joseph Hecht“, Heimatkunde Wiggertal 2026, S. 153–161
  • Weibel-Knupp, Anita, „Schweizer Auswanderung nach Brasilien 1819“, Jahrbuch SGFF 42 (2015), S. 223–268

The Staatsarchiv Luzern maintains a page dedicated to the Lucerne emigration of 1819, written by Markus Lischer, including the BF 52 list, excerpts of the letters, and bibliographical references. Available at:

https://staatsarchiv.lu.ch/schaufenster (Nova Friburgo section)

The page reports that the primary sources are gathered in an archive box under the call number AKT 24/60, containing the letters of Hunkeler (1820), Rüttimann (1825), and Jost (1825), along with the travel regulations. The list of names is held under the call number BF 52.

Additional bibliography cited by the Staatsarchiv:

  • Nicoulin, Martin, La genèse de Nova Friburgo. Emigration et colonisation suisse au Brésil 1817–1827, Fribourg, 1973
  • Bucher-Häfliger, Josef, “Rottaler finden in Brasilien eine neue Heimat”, Willisauer Bote, 23 May 1997
  • Jurt, Joseph, “Auf Willisauer Spuren in Brasilien”, Quattro, No. 1, 3 January 2004
  • Jurt, Joseph, “Schweizer Emigration nach Brasilien. Aus der Sicht des Willisauers Joseph Hecht”, Heimatkunde Wiggertal 2026, pp. 153–161
  • Weibel-Knupp, Anita, “Schweizer Auswanderung nach Brasilien 1819”, Jahrbuch SGFF 42 (2015), pp. 223–268
Tiago Torres Wermelinger
Duas Barras, Rio de Janeiro, Brasil · Abril de 2026
Descendente direto de François Xavier Wermelinger (Willisau ~1775 — Brasil ~1870)
Duas Barras, Rio de Janeiro, Brasilien · April 2026
Direkter Nachfahre von François Xavier Wermelinger (Willisau ~1775 — Brasilien ~1870)
Duas Barras, Rio de Janeiro, Brazil · April 2026
Direct descendant of François Xavier Wermelinger (Willisau ~1775 — Brazil ~1870)

Texto consolidado em três idiomas · Edição de 26 de abril de 2026 In drei Sprachen zusammengeführter Text · Ausgabe vom 26. April 2026 Text consolidated in three languages · Edition of 26 April 2026