segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Impressões do padre Jesus e Maria sobre Duas Barras Parte II
É dignissimo de feliz memoria e dos mais cordiaes encomios a fundação e doação, a este Bispado, da Egreja de Nossa Senhora da Guia, na Estação de Monnerat, filial d'esta Matriz, pela Exma. Sra. D. Anna Maria Monnerat, viúva do Coronel José Constancio Monnerat, cuja firma Viuva Monnerat & Filhos, por escriptura publica passada n'esta Villa pelo tabelião Domingos José de Souza, a 21 de Janeiro de 1892, no valor de vinte contos de réis. Para esta obra toda meritoria, muito e efficazmente concorreu, e sobremodo com sua grande influencia e intima amizade, o Sr. Coronel Paulino Luiz de Freitas, grande negociante, abastado capitalista, altamente conceituado, e por todos bemquisto e respeitado na Estação de Monnerat.
O Sr. José de Oliveira Lach, por si e seus amigos, concorreu com toda a cêra para a celebração de todo o mez de Flôres a Maria Santíssima, e bem assim, por sua dedicação, coordenou a Capellania das primeiras Sextas-feiras ao Sagrado Coração de Jesus. A irmandade nada me deu, nem para guizamentos, nem siquer duas velas para as Endoenças e a Santa Paschoa da Ressurreição de Nosso Senhor!
O Sr. José Antônio Wermelinger deu-me a madeira e as ferragens para uma meza na Sala dos Milagres e Promessas, n'esta sacristia, e eu gastei com a meza 36$000 réis.
O Sr. João de Almeida, relativamente pobre, mas cordialmente piedoso, com todos os seus, engordou três capados de meias, e me deu 70$000 réis para as Santas Imagens.
Com minhas economias comprei e paguei duas casas com dois alqueires de boas terras, perto d'esta Egreja Matriz, para Fabrica: uma para residencia parochial, outra para renda perpetua das Santas Imagens, conforme o meu livro de Lembrança e de Consciencia. Estas duas propriedades, com alguns melhoramentos que n'ellas fiz, estão em sete contos e seiscentos mil réis (7.600$000, e mais 1.120$000, total 8.720$000 réis), para que os meus Successores não soffram as amarguras e mais difficuldades de todo gênero por que passei, máxime tendo de rosto uma irmandade totalmente irregular, e por isso abusiva, e sobremodo insupportavel a um Parocho zeloso de seus deveres e também de seus direitos.
É preciso que se saiba que esta irmandade, em todo este 4.º anno do meu Parochiato, não assistiu nem ao menos a uma Missa Dominical, não mandou celebrar nem ao menos uma só Missa à Padroeira, não me deu nem ao menos uma vela para o Altar, nem um ceitil em auxílio de guizamentos! Singular irmandade, que de irmandade só tem o nome...
Diversas pessoas deram-me cem velas de cêra pura, de vários tamanhos, parte de milagres operados pelos Santos, cujas imagens se veneram n'esta Egreja. De muito longe aqui vêm pessoas devotamente e em penitência, pagar suas piedosas promessas e satisfazer seus religiosos votos.
O Sr. Custódio Júlio deu-me um vinhário, grande madeirão, para a Egreja nova (que pretendo construir para as Sagradas Imagens do Sagrado Coração de Jesus e do Immaculado Coração de Maria), e mais a quantia de 220$000 réis, sendo 120$000 réis já incluídos acima, para a Fabrica, e 100$000 réis para as Santas Imagens.
O Sr. Estevão de Oliveira Lach, conhecido por Estevinho, casado na muito catholica família Wermelinger, entre todos é sempre saliente qual estrella scintilante, e sobremodo ainda se mostra sempre sobre todos e mais que todos, qual sol fulgurante, por sua piedade solida e zelo pratico, o mais dedicado à Igreja e às suas leis obedientissimo até o exemplo, e sempre em intima união, franqueza e lealdade com todos os Parochos; pagou todas as despezas com o aperfeiçoamento da Sala dos Milagres, que me serve de gabinete n'esta sacristia da Matriz; deu-me um paramento roxo e um pavilhão branco para o Tabernaculo do Santissimo Sacramento do Altar-mór; tres latas grandes de azeite de oliveira para alumiar Nosso Senhor — o que estimo em 350$000 réis.
N'esta mesma Sala dos Milagres, às 10 h. da manhã de 24 de Maio, festa de Nossa Senhora Auxiliadora dos Christãos, disse-me:
— Sr. Vigario, eu sei que o senhor deseja e pretende construir uma Cappella para as Santas Imagens do divino Coração de Jesus e do Immaculado Coração de Maria Santíssima; se bem entender, edifique-a em minhas terras, escolha o lugar onde quiser, na certeza que ponho à sua disposição todas as minhas mattas, e porei no lugar da construção todos os tijolos e telhas, tudo à minha custa; bem gostaria eu de a construir toda à minha custa, mas não posso; porém, eu hei de dar mais, lá para diante…
Eu tinha celebrado havia poucos minutos; fiquei tão comovido e admirado, até às lágrimas, quão surpreendido e jubiloso em contentamento e alegria, e tudo decerto por milagre dos Sagrados Corações; pois na verdade almejo e anhelo este alvo, mas a ninguém o tenho dito ainda: edificar uma Cappella ou Egreja aos Santissimos Corações. Acceitei, cheio de reconhecimento, tão grande offerta, abençoando esta grande alma e generoso coração, e a todos os seus.
sábado, 8 de agosto de 2009
Duas Barras RJ
Duas Barras, colonizada por imigrantes suíços, entre outros, teve início no século XIX, na localidade da Fazenda Tapera. Em torno da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, começou a se formar a Vila Tapera, que futuramente seria a nossa querida Duas Barras.
Duas Barras teve enorme desenvolvimento na era do café e hoje possui a 2.ª maior plantação de café do Estado do Rio de Janeiro, como exemplos as fazendas centenárias do município.
A denominação Duas Barras provém de estar localizada entre as barras formadas pela junção dos rios Negro com Resende e deste com o córrego Baú. Hoje, Duas Barras é composta de dois distritos: a sede, com a mesma denominação do município, e o 2.º distrito, chamado de Monnerat.
O município possui um grande potencial turístico, devido à preservação da maior parte do casario colonial, formando um núcleo urbano bastante agradável. A associação do relevo acidentado com a rede hidrográfica variada dota o município de inúmeras cachoeiras e quedas-d'água. Além disso, possui clima ameno. Vale lembrar que os rios de Duas Barras têm suas nascentes originadas dentro dos limites do município.
A cidade é berço do cantor e compositor Martinho da Vila.
População estimada: 10.310 habitantes (IBGE).
Área: 326 km².
Altitude: 550 m.
Durante todo o ano ocorre o Projeto Música na Praça, com shows de bandas da região de vários gêneros, quinzenalmente, em Duas Barras e em Monnerat.
Calendário festivo:
Janeiro — Encontro de Folclore.
Fevereiro — Carnaval.
Maio — Aniversário do Município (8 de maio); Encontro de Motociclistas.
Julho — Festas julinas.
Agosto — Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição (1.º final de semana), em Duas Barras.
Setembro — Festa da Padroeira Nossa Senhora da Guia (8 de setembro), em Monnerat.
Dezembro — Réveillon.
domingo, 26 de abril de 2009
Vorwort
Vorwort
(des Verfassers)
Diese vorliegende Mappe wurde geschaffen als
Dokumentation
für den am 16. November 1969 (14.30) im grossen
Saale des Hotel Mohren in Willisau (Kt. Luzern)
mit grossem schlagenden Erfolg abgehaltenen
Wermelinger-Tag.
Er stand unter dem Motto:
Die Brasilien-Wermelinger
grüssen
die Schweizer Wermelinger
grüssen
die Brasilien-Wermelinger
Dieser Anlass wurde bereichert mit einem Filmvortrag
von Walter Wermelinger in Luzern und Kloten.
Er zeigte die schöne Landschaft in der Bucht von Rio
und die romantischen Gegenden im Hinterlande des
Estado de Rio de Janeiro, wo Wermelinger und andere
Schweizer wirken und schaffen und ihre Fazendas bebauen.
Dieser grosse Tag kam zustande durch die tatkräftige
Unterstützung jeder Art von:
Frau Wermelinger-Wermelinger, Grundmühle
in Willisau, und ihrer Tochter Marta,
sowie von Frau Marta Lehner-Albisser
in Horw bei Luzern, geb. Wermelinger.
Es danken und grüssen in dieser Form die Organisatoren:
Otto Wermelinger M. Sohn, Walter
Luzern (Schweiz), im Dezember 1969.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Willisauer Volksblatt — 14 de novembro de 1969: Grüezi wohl, Frau Wermelinger
Sexta-feira, 14 de novembro de 1969 · Willisau Freitag, 14. November 1969 · Willisau Friday, 14 November 1969 · Willisau
Nossos cumprimentos cordiais, Senhora Wermelinger… Grüezi wohl, Frau Wermelinger… Cordial Greetings, Frau Wermelinger…
Assim soou no domingo à tarde próximo passado, repetidas vezes, no Salão Grande do Hotel Mohren em Willisau. Foi uma comemoração muito especial a que teve lugar neste local. As bandeiras de Willisau, do Brasil e da Suíça anunciavam a união do interior de Lucerna com o Brasil. O morno sol de novembro nos enviava seus raios inclementes, com benevolência, ao quente sol do Brasil, que nos resplandeceria no filme.
Otto Wermelinger-Ambühl, de Lucerna, e seu filho Walter foram os organizadores da tarde interessante. Pelo ano de 1820, Xaver Wermelinger, com outras famílias, teria emigrado para o Brasil. Ninguém sabia mais de seu paradeiro. Tanto maior foi a surpresa quando soubemos que lá ainda existiam tantas famílias que têm este nome. Somos gratos ao destino e à Embaixada da Suíça no Rio de Janeiro, que, sob o encargo do jovem advogado de nome Wermelinger, selecionou entre inúmeros endereços o de Otto Wermelinger. Com infindável idealismo, ele e seu filho teceram o fio, sacrificando muitas horas, obrando e criando. Quão grande alegria deve ter sido para os dois poder reunir tantos Wermelinger, amigos e conhecidos — foram mais de 300. Eles vieram de toda a Suíça, até de Graubünden.
Walter Wermelinger filmou, em várias viagens, a terra e as pessoas. Ele não tentou somente nos mostrar retratos interessantes, mas quis também nos familiarizar com a mentalidade deste país desconhecido, quis nos mostrar quão diferente é a vida da cidade e a do interior.
Aí dançam as moças cor de café ao ritmo do samba1; aí a estátua de Cristo no morro do Corcovado distribui sua bênção; aí o carro de bois passa aos solavancos sobre a terra vermelha, como nos velhos tempos; aí surge o caldo de cana esmagada, é consumido, e é preparado o melado.
Qual seria o gosto de um café de Lucerna adoçado com este açúcar marrom-amarelado, não refinado? E aquecido com aguardente de cana-de-açúcar feita em casa, chamada cachaça. Esta aguardente é vendida principalmente a negros1.
No Brasil há pessoas de todas as cores, desde o branco claro até o marrom escuro. A estirpe Wermelinger se esforça muito para conservar a cor clara, o que é quase um predicado de nobreza1. Com quanto gosto nos aprofundaríamos nos retratos dos mais idosos da tribo, para pesquisar os seus traços marcantes, formados por privações, trabalhos pesados, orgulho e calma estoica.
O fato de que as famílias Wermelinger continuam a prosperar pode ser constatado pela alegre, risonha e bem nutrida juventude. Se a viagem não fosse tão longa e cara, certamente um Wermelinger solteiro iria procurar, entre as lindas jovens, sua futura mulherzinha! Isto seria uma sugestão para unir-se mais com esta turma do além-mar.
Se porventura um Wermelinger brasileiro vier visitar a Suíça, gostaríamos de ser convidados novamente. Quem, até lá, saberá falar português? No fim deste mês, Walter Wermelinger voará novamente para o Rio, para passar lá suas férias. Ao mesmo tempo, como embaixador, ele entregará todas as assinaturas feitas no Salão do Hotel Mohren, como prova de nosso interesse e gratidão.
Com palavras simpáticas, o senhor Wermelinger agradeceu o oferecimento da BBC de Baden2, entendendo que um leigo não pode dispor de toda a aparelhagem técnica. Infelizmente, o orador não foi ouvido com muita nitidez, mas isto foi suprido pelo extraordinário fundo musical.
— M. L.
1 Nota editorial sobre o tom da época. Os trechos referentes à cor da pele — “moças cor de café”, “vendida principalmente a negros”, “conservar a cor clara… predicado de nobreza” — constam no original alemão de M. L. (1969) e foram preservados nesta tradução pelo princípio de fidelidade documental. Eles registram a mentalidade racial-colonial dominante na Suíça e no Brasil daquele momento histórico, e não devem ser lidos como endosso editorial deste arquivo. A preservação documental do tom de uma fonte histórica é distinta de sua aprovação. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.
2 BBC Baden. Refere-se a Brown, Boveri & Cie., empresa suíça de eletromecânica fundada em Baden (Argóvia) em 1891, na época grande fornecedora de equipamento técnico de gravação e projeção. Não confundir com a BBC britânica.
So tönte es am letzten Sonntagnachmittag immer wieder im großen Mohrensaal in Willisau. Es war eine Festgemeinde ganz besonderer Art, die sich da eingefunden hatte. Die Fahnen von Willisau, von Brasilien und der Schweiz kündeten von weltweiter Verbundenheit, das Luzerner Hinterland mit Brasilien. Die warme Novembersonne strahlte mit barmherzig-warmem Anteil zugunsten der heißen Sonne von Brasilien, die uns im Film entgegenleuchten sollte.
Otto Wermelinger-Ambühl, Luzern, und sein Sohn Walter waren die Initianten des interessanten Nachmittags. Um das Jahr 1820 soll Xaver Wermelinger mit andern Familien nach Brasilien ausgewandert sein. Niemand wußte mehr davon. Um so größer war die Überraschung, daß es dort drüben noch so viele Familien gibt, die diesen Namen tragen. Wir sind dem Schicksal dankbar, daß die Schweizer Botschaft in Rio de Janeiro im Auftrag eines jungen Advokaten mit Namen Wermelinger unter zahlreichen Adressen diejenige von Otto Wermelinger ausgesucht hat. Mit unsäglichem Idealismus haben er und sein Sohn den Faden weitergesponnen, gewirkt und geschaffen, viele Stunden geopfert. Wie muß es für die beiden eine große Freude gewesen sein, so viele Wermelinger und deren Freunde und Bekannte versammeln zu können. Es waren ca. 300.
Aus der ganzen Schweiz sind sie gekommen, sogar aus Graubünden!
Walter Wermelinger hat auf mehreren Reisen Land und Leute gefilmt. Er hatte nicht nur uns interessante Bilder zu zeigen, sondern wollte uns auch mit der Mentalität dieses fremden Landes vertraut machen, wollte uns zeigen, wie unterschiedlich das Leben in der Stadt oder auf dem Land ist.
Da tanzen kaffeebraune Girls1 zu heißen Sambarhythmen, da segnet die Christusstatue auf dem Zuckerhut ihren Segen, da holpert der von Ochsengespann gezogene Karren über die rote Erde wie zu Urzeiten, da quillt der Saft aus dem zerquetschten Zuckerrohr, wird eingekocht, eingedickt zur Melasse. Wie schmeckt wohl ein Luzerner Kaffi mit diesem beigebraunen unraffinierten Zucker gesüßt? Und aufgekocht mit selbstgebranntem Zuckerrohrschnaps, genannt Cachaça. Dieser Schnaps wird in erster Linie an Neger1 verkauft.
In Brasilien gibt es Menschen jeder Hautschattierung, von hellem Weiß bis zum dunklen Braun. Die Wermelinger-Sippe ist sehr bemüht, ihre helle Hautfarbe zu bewahren, was fast ein bißchen einem Adelsprädikat gleichkommt1. Wie gerne hätte man sich länger in den Porträts des ältesten Stammes vertieft, um in seinen markanten Gesichtszügen Entbehrung, harter Arbeit, Stolz und stoischer Ruhe zu forschen.
Daß die Wermelinger Familien weiter gedeihen, das hat das muntere, wohlgenährte Jungvolk bewiesen. Wäre die Reise nicht so weit und teuer, sicher würde ein lediger Wermelinger unter diesen bildhübschen Maitschli sein zukünftiges Frauli suchen! Dies wäre ein konkreter Vorschlag, die Bande mit drüben enger zu knüpfen.
Sollte je ein Brasilien-Wermelinger die Schweiz besuchen, so möchten wir wieder eingeladen werden. Wer kann bis dann Portugiesisch? Am Ende dieses Monats wird Walter Wermelinger wieder nach Rio fliegen, um dort seinen Urlaub zu verbringen. Gleichsam als Botschafter wird er alle im Mohrensaal gegebenen Unterschriften überbringen zum Beweis unseres Interesses und unserer Dankbarkeit.
Mit sympathischen Worten verdankt Herr Wermelinger von der BBC Baden2 die Darbietung, denn ein Laie kann nicht über die vollkommene technische Ausrüstung verfügen. Leider war der Sprecher nicht gut zu verstehen, dafür entschädigt aber die ausgezeichnete Untermalung mit Musik.
— M. L.
1 Anmerkung der Redaktion zum Zeitton. Die Passagen zur Hautfarbe — „kaffeebraune Girls“, „an Neger verkauft“, „helle Hautfarbe… Adelsprädikat“ — stehen so im Originaltext von M. L. (1969) und werden hier nach dem Grundsatz der Quellentreue unverändert bewahrt. Sie dokumentieren die rassenkoloniale Mentalität jener Zeit in der Schweiz und in Brasilien und sollen nicht als redaktionelle Billigung dieses Archivs gelesen werden. Die dokumentarische Bewahrung des Tons einer historischen Quelle ist von ihrer Zustimmung zu unterscheiden. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.
2 BBC Baden. Bezeichnet die Brown, Boveri & Cie., schweizerisches Elektrotechnikunternehmen, 1891 in Baden (Aargau) gegründet, damals führender Hersteller von Aufnahme- und Projektionstechnik. Nicht zu verwechseln mit der britischen BBC.
Thus it sounded again and again last Sunday afternoon in the great Mohren Hall of Willisau. It was a festive gathering of a most particular kind that had assembled there. The flags of Willisau, of Brazil, and of Switzerland proclaimed a worldwide kinship: the Lucerne hinterland with Brazil. The warm November sun shone with a mercifully warm share, in honour of the hot Brazilian sun that would beam upon us from the film.
Otto Wermelinger-Ambühl, of Lucerne, and his son Walter were the initiators of this remarkable afternoon. Around the year 1820, Xaver Wermelinger is said to have emigrated to Brazil with other families. Nothing more was known of them. The greater therefore was the surprise that over there so many families still bear this name. We are grateful to fate that the Swiss Embassy in Rio de Janeiro, on behalf of a young lawyer by the name of Wermelinger, selected from numerous addresses that of Otto Wermelinger. With unspeakable idealism, he and his son spun the thread further, working and creating, sacrificing many hours. What a great joy it must have been for the two of them to gather so many Wermelingers and their friends and acquaintances together — about 300 of them.
From the whole of Switzerland they had come — even from Graubünden!
Walter Wermelinger filmed land and people on several journeys. He had not only interesting images to show us, but also wished to acquaint us with the mentality of this foreign land, to show us how different life is in the city as opposed to the countryside.
There, coffee-coloured girls1 dance to hot samba rhythms; there, the statue of Christ on Sugarloaf Mountain bestows its blessing; there, the ox-drawn cart jolts over the red earth as in olden times; there, the juice flows from the crushed sugarcane, is boiled down, thickened into molasses. How would a Lucerne coffee taste, sweetened with this beige-brown unrefined sugar? And brewed with home-distilled cane spirit, called cachaça. This spirit is sold chiefly to negroes1.
In Brazil there are people of every shade of skin, from light white to dark brown. The Wermelinger lineage strives hard to preserve its light skin colour, which almost approaches a kind of mark of nobility1. How gladly one would have lingered longer over the portraits of the eldest of the line, to study in their striking features the marks of privation, hard labour, pride, and stoic calm.
That the Wermelinger families continue to thrive was proven by the cheerful, well-fed young folk. Were the journey not so long and costly, surely a single Wermelinger would seek out among these picture-pretty Maitschli his future Frauli! This would be a concrete proposal, to draw the bond with those abroad more tightly.
Should ever a Brazilian Wermelinger visit Switzerland, we wish to be invited again. Who by then will speak Portuguese? At the end of this month, Walter Wermelinger will fly again to Rio to spend his holiday there. As if an ambassador, he will deliver all the signatures given in the Mohren Hall, in proof of our interest and gratitude.
With sympathetic words, Mr. Wermelinger thanked the BBC of Baden2 for the presentation, since a layman cannot command such complete technical equipment. Unfortunately, the speaker was not easily understood, but this was made up for by the excellent musical accompaniment.
— M. L.
1 Editorial note on the tone of the period. The passages referring to skin colour — “coffee-coloured girls”, “sold chiefly to negroes”, “preserve its light skin colour… mark of nobility” — appear in the German original by M. L. (1969) and are preserved here under the principle of source fidelity. They document the racial-colonial mentality dominant in Switzerland and Brazil at that historical moment, and should not be read as editorial endorsement by this archive. Documentary preservation of a historical source's tone is distinct from its approval. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.
2 BBC Baden. Refers to Brown, Boveri & Cie., Swiss electrical-engineering firm founded in Baden (Aargau) in 1891, then a leading supplier of recording and projection equipment. Not to be confused with the British BBC.
Recorte do Willisauer Volksblatt, 14 de novembro de 1969 Ausschnitt aus dem Willisauer Volksblatt, 14. November 1969 Clipping from the Willisauer Volksblatt, 14 November 1969
Originalfassung em alemão · Willisauer Volksblatt, 14.11.1969 · M. L.
Tradução portuguesa: Walter Wermelinger da Costa, Niterói
Tradução inglesa · Transcrição do alemão: Tiago Torres Wermelinger, 2026
Arquivo · Duas Barras · 2026
Originalfassung · Willisauer Volksblatt, 14.11.1969 · M. L.
Portugiesische Übersetzung: Walter Wermelinger da Costa, Niterói
Englische Übersetzung · Transkription aus dem Deutschen: Tiago Torres Wermelinger, 2026
Archiv · Duas Barras · 2026
German original · Willisauer Volksblatt, 14.11.1969 · M. L.
Portuguese translation: Walter Wermelinger da Costa, Niterói
English translation · transcription from German: Tiago Torres Wermelinger, 2026
Archive · Duas Barras · 2026
Wermelinger
O nome provém da Quinta de Wermelingen (quinta ao norte de Wolhusen).
O local denomina-se em antigos documentos sempre Wermoldingen, com exceção de Johannes Von Wernboldingen, o qual, no século XIV (1300), pagava impostos ao Mosteiro Munster: essa foi provavelmente a causa da formação primitiva do nome (segundo Branchstetter, do nome Marinbald).
O registro anual de Ruswil indica (cerca do século XIV — 1300) Hans Von Wermoldinger, Janni Von Wermoldingen, Johannes Von Wermoldingen, Adelheit — sua patroa — e Noli Von Wermoldingen.
O registro anual de Willisau indica a doação anual de Rutschmann Sprengjssen e Nesa Wermelinger, sua filha.
No dia 15 de outubro de 1576 foi abençoada a capela de Stº Erasmo (Ruswil), em Buchholz, reconstruída pelo Ammann Wermelinger, com 2 altares e 1 sino.
Por certificado de 24 de outubro de 1656, o prefeito e conselheiro de Lucerna gratificou com um jogo de bebida em prata o escultor Gaspar Wermelinger, em Ruswil, o qual — com muita coragem e sem temor — penetrou na batalha de Villmergen num numeroso grupo de inimigos, dos quais conseguiu arrebatar as bandeiras, entregando-as à cidade.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Reencontro da Família Wermelinger
Vista da cidade de Duas Barras
Notícia Fluminense – 12/09/1967
Família das mais tradicionais, dedicada ao progresso e desenvolvimento do parque agro-pastoril das regiões de Duas Barras, Cantagalo, Sumidouro e adjacências, o nome Wermelinger tornou-se conhecido e respeitado, com vários dos seus membros formados em engenharia, advocacia, economia e na carreira militar.
É originária da Suíça, dos distritos de Sursee, Willisau e Lucerna, sendo conhecida desde o século XV. Assim, temos Hans, que foi o primeiro magistrado em 1525. Hans também foi chefe de cantão em Ruswil, construindo, em 1575, a capela de Buholz. Gaspar foi canteiro de Ruswil, conquistando três brasões em 1656. Esses dados encontram-se no "Dictionnaire Historique et Biographique de la Suisse".
O primeiro Wermelinger a chegar aqui foi Xavier Wermelinger, casado com Catharina Egglin, com mais cinco filhos, em 1819, sendo uma das famílias fundadoras de Nova Friburgo, antiga Morro Queimado, sendo destinado, por sorteio, a morar na quadra nº 61. Naquela época, diversas outras famílias também vieram, como Erthal — cujo primeiro membro casou-se com Catharina, filha de Xavier —, além de Monnerat, Lutterbach, Eggendorn, Stutz, etc.
Desde 1819, os Wermelinger não mantinham contato com os da Suíça. Entretanto, um membro da família, Walter Wermelinger da Costa, residente na Rua Dr. Celestino, 172, apto. 404 – Niterói, que é advogado, pesquisando na Embaixada da Suíça, conseguiu estabelecer o liame, mantendo desde 1962 correspondência com um Wermelinger residente em Lucerna.
Finalmente, a 31 de julho último, foi realizado o contato pessoal, uma vez que chegou ao Aeroporto do Galeão o Sr. Walter Wermelinger, residente em Lucerna, com atividades profissionais na cidade de Zurique, Suíça.
Comemorando o auspicioso acontecimento, após quase 150 anos de separação, os Wermelinger residentes em Duas Barras deram uma pequena festa em homenagem à data, que desde então ficou gravada em letras de forma no coração de toda a família.
Como intérprete da língua alemã, atuou o acadêmico de medicina Christian Gaudere, residente em Niterói.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Lucerna, Julho de 1962
Lucerna · Julho de 1962
Ao meu prezado amigo de além-mar,
Os meus sinceros agradecimentos pela sua prezada carta, vinda de tão longe. Fiquei agradavelmente surpreendido ao receber notícias suas. Infelizmente, só agora pude responder, pois estive doente por muitas semanas e precisei ir a um balneário para uma cura de repouso.
Também não é possível mandar traduzir esta carta para o português, pois essa língua não se fala na Suíça, apesar de ser um Estado europeu. Mais facilmente se encontraria um tradutor para o espanhol — mas traduções são também muito caras. Hoje, quando em seu país a indústria se encontra em franca prosperidade, importamos muitos trabalhadores espanhóis, que aqui ganham muito bem. Empregamos, porém, muito mais italianos, já que provêm de um país vizinho. Contam-se hoje na Suíça mais de meio milhão de trabalhadores estrangeiros, que aqui ganham o seu pão e enviam parcela considerável do rendimento para casa. Afluxo tão grande de trabalhadores jamais se registrou nos quase setecentos anos de existência da Suíça, e há poucos indícios de uma redução próxima. Há, naturalmente, o reverso da medalha: o aumento dos preços.
Digo isto apenas de passagem, mas é, naturalmente, de grande interesse. Constrói-se muito, o que oferece muitas oportunidades de trabalho. A indústria de máquinas e também a relojoaria exportam os seus produtos de qualidade para o mundo inteiro. E, então, o turismo: a Suíça é o país de férias do mundo inteiro.
Diante dessas realidades, pergunto-me se o senhor não cogita voltar à pátria ancestral. Há trabalho suficiente, tanto na indústria como na agricultura. Mas a autorização de entrada no país, para quem vem de além-mar, demora muito, e a mudança custa muito dinheiro. A isso se junta que as mulheres brasileiras não gostam de emigrar. Também seria preciso aprender outra língua: aqui na Suíça, sobretudo alemão e francês, e, em parte, também italiano. No ramo hoteleiro, o inglês é indispensável.
Não consegui adiantar a crônica da família. Quase não posso compreender como o senhor ignora de qual lugar procede o seu antepassado que emigrou primeiro. Isto seria a base para as pesquisas seguintes; sem isso, todo o esforço será inútil. Comprei-lhe especialmente um livro caro, onde estão fotografias dos lugares de onde procedem os Wermelinger ou onde alguns ainda residem. Falta nele, infelizmente, uma aldeia: Hergiswil, vilarejo de lavradores atrás de Willisau — sendo esta última, em contrapartida, fotografada diversas vezes no livro. Apostaria muito que o seu antepassado procede da região de Willisau ou Hergiswil, pois aí se encontrou, ou ainda se encontra, o maior número de Wermelinger. Naturalmente, Lucerna conta a maioria, pois todos emigraram do interior para esta cidade, em busca de melhores condições de trabalho.
Remeto-lhe, ademais, fotografias da Suíça, na esperança de que despertem grande interesse e alegria no círculo dos seus Wermelinger e amigos.
Quero também enviar-lhe fotografias da nossa família, pois os seus retratos muito nos alegraram, a mim e aos meus. Quando o senhor receber esta carta, meu filho Walter estará na escola de recrutas de Beijern, nas imediações de Freiburg — região de onde o senhor já mencionou alguma descendência.
Quanto aos outros nomes de família citados pelo senhor, nada mais sei sobre a sua descendência, pois não foi possível examinar além disso. Acredito, porém, que as suas pesquisas e suposições sejam quase certas, e o senhor poderá ler o texto no livro de Lucerna, onde descobrirá muitas indicações interessantes.
Achei muito interessante a sua referência às condições geográficas e demográficas do Brasil, tão vasto e tão pouco povoado. Nos jornais, lê-se muito sobre agitações nas cercanias do Rio. Espero que, nas suas montanhas, conheçam apenas sossego e paz.
Como este volume é pesado, não pude remetê-lo pelo correio aéreo. Demorará, assim, mais algumas semanas, mas teríamos interesse em saber se tudo chegou bem.
Eu e minha família receberemos novas notícias suas com muito prazer. Concluo aqui estas linhas, esperando que o encontrem com saúde. Minha família e eu o saudamos de todo o coração, desejando-lhe todo o bem.
Lucerna — Schweiz — Europa
Lucerne · Juillet 1962
À mon cher ami d'outre-mer,
Je vous adresse mes sincères remerciements pour votre précieuse lettre, venue de si loin. J'ai été agréablement surpris de recevoir de vos nouvelles. Malheureusement, je n'ai pu répondre que maintenant, car j'ai été malade plusieurs semaines durant et j'ai dû me rendre dans une station thermale pour une cure de repos.
Il n'est pas non plus possible de faire traduire cette lettre en portugais, car cette langue n'est pas parlée en Suisse, bien qu'elle soit un État européen. Il serait plus facile de trouver un traducteur pour l'espagnol — mais les traductions sont, elles aussi, très coûteuses. Aujourd'hui, alors que l'industrie de votre pays est en pleine prospérité, nous importons de nombreux travailleurs espagnols, qui gagnent ici très bien leur vie. Nous employons cependant bien plus d'Italiens, puisqu'ils viennent d'un pays voisin. On compte aujourd'hui en Suisse plus d'un demi-million de travailleurs étrangers, qui gagnent leur pain ici et envoient une part importante de leur revenu dans leur pays d'origine. Un tel afflux de main-d'œuvre n'a jamais eu lieu au cours des presque sept cents ans d'existence de la Suisse, et rien ne laisse présager une réduction prochaine. Il y a, naturellement, le revers de la médaille : la hausse des prix.
Je dis cela en passant, mais c'est, bien entendu, d'un grand intérêt. On construit beaucoup, ce qui offre de nombreuses possibilités d'emploi. L'industrie des machines, ainsi que l'horlogerie, exportent leurs produits de qualité dans le monde entier. Et puis, le tourisme : la Suisse est le pays de vacances du monde entier.
Face à ces réalités, je me demande si vous ne songez pas à revenir à la patrie ancestrale. Le travail ne manque pas, tant dans l'industrie que dans l'agriculture. Mais l'autorisation d'entrer dans le pays, pour qui vient d'outre-mer, prend beaucoup de temps, et le déménagement coûte cher. À cela s'ajoute que les femmes brésiliennes n'aiment pas émigrer. Il faudrait aussi apprendre une autre langue : ici en Suisse, surtout l'allemand et le français, et, en partie, l'italien. Dans l'hôtellerie, l'anglais est indispensable.
Je n'ai pas pu faire avancer la chronique de la famille. Je peine à comprendre comment vous pouvez ignorer le lieu d'où vient votre ancêtre qui a émigré le premier. Ce serait là la base des recherches ultérieures ; sans cela, tout effort sera vain. Je vous ai spécialement acheté un livre coûteux, contenant des photographies des localités d'où viennent les Wermelinger, ou dans lesquelles certains résident encore. Il y manque malheureusement un village : Hergiswil, village d'agriculteurs situé derrière Willisau — cette dernière étant, en revanche, photographiée à plusieurs reprises dans l'ouvrage. Je parierais fort que votre ancêtre vient de la région de Willisau ou de Hergiswil, car c'est là que se trouvait, ou que se trouve encore, le plus grand nombre de Wermelinger. Naturellement, Lucerne en compte la majorité, puisque tous ont émigré de l'intérieur vers cette ville à la recherche de meilleures conditions de travail.
Je vous envoie, en outre, des photographies de la Suisse, dans l'espoir qu'elles susciteront un grand intérêt et beaucoup de joie au sein du cercle de vos Wermelinger et de vos amis.
Je souhaite également vous faire parvenir des photographies de notre famille, car vos portraits nous ont, eux aussi, beaucoup réjouis, ma famille et moi. Lorsque vous recevrez cette lettre, mon fils Walter sera à l'école de recrues de Beijern, dans les environs de Fribourg — région dont vous avez déjà mentionné quelque descendance.
Quant aux autres noms de famille que vous avez cités, je n'en sais pas davantage sur leur filiation, car cela n'a pu faire l'objet d'un examen plus approfondi. Je crois toutefois que vos recherches et hypothèses sont presque certaines, et vous pourrez lire le texte dans le livre de Lucerne, où vous découvrirez de nombreuses indications intéressantes.
J'ai trouvé très intéressante votre remarque sur les conditions géographiques et démographiques du Brésil, si vaste et si peu peuplé. On lit beaucoup dans les journaux au sujet des troubles autour de Rio. J'espère que, dans vos montagnes, vous ne connaissez que tranquillité et paix.
Comme ce volume est lourd, je n'ai pu l'expédier par la poste aérienne. Il mettra donc quelques semaines de plus à vous parvenir, mais nous aimerions savoir si tout vous est bien arrivé.
Ma famille et moi recevrons de vos nouvelles avec grand plaisir. Je termine ici ces quelques lignes, en espérant qu'elles vous trouvent en bonne santé. Ma famille et moi vous saluons de tout cœur, en vous souhaitant tout le bien.
Lucerne — Schweiz — Europa
Nota arquivística. Esta carta é uma das primeiras peças da correspondência que reataria, após 143 anos de silêncio, o contato entre os Wermelinger do Brasil e os Wermelinger da Suíça. Otto Wermelinger-Ambühl, de Lucerna, e Walter Wermelinger da Costa, advogado em Niterói, mantiveram troca regular a partir de 1962. Sete anos depois, no encontro do Wermelinger-Tag em Willisau, em 16 de novembro de 1969, mais de 300 descendentes se reuniriam no salão Mohren para celebrar o restabelecimento desse vínculo — vendo, pela primeira vez, filmes do Brasil rodados pelo filho de Otto, Walter Wermelinger, então funcionário da Swissair. — Tiago Torres Wermelinger, 2026.
Original em francês · Otto Wermelinger-Ambühl · Lucerna, julho de 1962
Tradução portuguesa: Walter Wermelinger da Costa
Arquivo · Tiago Torres Wermelinger · Duas Barras · 2026
domingo, 18 de janeiro de 2009
NASCIMENTO DO CONTATO ENTRE A FAMÍLIA WERMELINGER DO BRASIL COM A FAMÍLIA WERMELINGER DA SUÍÇA
Quando residi em Duas Barras, até os oito anos de idade, não tinha a mínima noção do que era a Suíça. Só quando fui para Nova Friburgo é que comecei a entender, principalmente pelo hino da cidade que cantávamos na escola, que dizia: “Salve brenhas do Morro Queimado que os suíços ousaram varar...”.
Comecei a assistir a filmes, conhecendo mais ainda a Suíça, pois, de vez em quando, havia referências ao canivete suíço, como no filme Red River (Rio Vermelho), ou ao queijo suíço, com o Gordo e o Magro, mas sempre em um sentido de respeito. Posteriormente, soube que os suíços, em virtude de não haver trabalho para todos, empregavam-se como soldados contratados por outras sociedades (mercenários), adquirindo, com isso, fama de lealdade, pois, ao contrário de outros mercenários, eram fiéis àqueles que os haviam contratado, não se vendendo contra aqueles contra os quais lutavam, mesmo que fossem defensores de princípios democráticos (pois a Suíça era o único país do mundo que tinha uma democracia direta).
Exemplo: na queda da Bastilha, na Revolução Francesa, os mercenários suíços permaneceram fiéis à monarquia, morrendo todos em luta contra os revolucionários, sendo, por isso, homenageados em monumento na Suíça. Um fato que comprova isso é que a guarda do Vaticano, até hoje, é composta por suíços, mesmo sendo a Suíça uma sociedade cuja metade dos habitantes é protestante.
Meu avô Norberto contou, certa ocasião, que um determinado brasileiro, acostumado com a deficiência dos nossos Correios, foi convidado para uma festa e, como resolveu não comparecer, informou que havia enviado um telegrama. Entretanto, o anfitrião suíço pesquisou nos Correios de lá e verificou que o brasileiro mentira.
Em Niterói, conheci famílias membros da colônia alemã, tais como Gauderer, Wendelin, Berk e Gubitz. Dois irmãos dessa família, Bernhard e Harald, animaram-me a ir pesquisar na Embaixada Suíça, na Glória, no Rio. Indo lá com Harald, encontramos alguns nomes com as respectivas profissões. Assim, escolhemos Otto Wermelinger, de Lucerna, o qual era encadernador de livros, com quem mantive troca de cartas por alguns anos. Em 1967, o seu filho, Walter Wermelinger, veio visitar o Brasil, filmando em diversos lugares, como Rio, Niterói, Duas Barras, Sumidouro (casamento de Ana Maria, filha de Antonio Wermelinger) e Itaocara (produção de cachaça dos filhos de Maria E. Wermelinger). Esses filmes fizeram muito sucesso na Suíça, pois era uma sociedade completamente diferente, sendo assistidos por mais de 300 pessoas.
Evidentemente, a emoção de Walter Wermelinger da Costa só é compreendida por aqueles que saíram das terras de seus ancestrais e foram viver em outra sociedade, de valores completamente diferentes, podendo-se dizer, quase opostos.
Dr. Walter Wermelinger
Nota editorial: este texto encontra-se disponível apenas em português.
