Querido amigo Walter de além-mar,
Enfim, desejo responder à tua preciosa carta, que sempre me enche de muito orgulho. Portanto, muito obrigado pelo pacote muito interessante, e também pela carta que se seguiu logo.
A embalagem do pacote tinha um aspecto nada agradável: o barbante estava aberto e o papel, rasgado. Mas o conteúdo estava completo, com o que nos alegramos imensamente. Os calendários, e também o livro sobre a terra e o povo do Brasil, interessaram-nos muito. Cabe dizer que a qualidade da impressão e do acabamento não pode ser comparada com a dos produtos da Suíça. Mas, se tivéssemos de fazer impressões em quantidade como vocês precisam fazer, certamente os nossos também não seriam melhores. Ao contrário, a maneira de trabalhar estressada de hoje nas fábricas ameaça baixar a boa qualidade dos produtos suíços. O pão de cada dia precisa ser conquistado com muito suor, pois a luta pela concorrência é muito forte aqui e em toda a Europa. Soma-se a isto o fato de que os produtos japoneses são muito mais baratos e vêm como enxurrada sobre nós. Não se pode vislumbrar a consequência disto. Mas, exatamente no Japão, onde o salário é tão baixo e o operário tão bom, pode-se vender barato. Por exemplo, vi artigos óticos e fotográficos que não ficam atrás dos produzidos aqui na Suíça.
Além dos meus irmãos, praticamente não conheço ninguém, em Lucerna, que fosse aparentado comigo, mesmo de longe. E, dentre os conhecidos por parte dos pais em Willisau e Hergiswil, quase ninguém mais está vivo. Mas, mesmo assim, a foto do teu tataravô é um pequeno sinal de esperança. Precisa-se, porém, de cerca de duas horas para chegar aos lugares onde residem os Wermelinger. Quero tentar, nas férias, fazer um contato; talvez o presidente da comunidade ou o pastor possam me ajudar a saber para onde devo ir. Mas acho que seria uma grande coincidência se eu conseguisse encontrar uma pista. Sempre imagino que deva ser possível encontrar uma pintura feita à mão. Ou vocês a possuem? E fizeram a foto a partir da pintura?
Sobre a situação política do nosso país, o livrinho em anexo pode dar informações. Talvez o teu amigo Harald seja tão gentil e o traduza.
Em meados de junho, vou para a Itália com minha família. Será a primeira vez que eu e minha esposa veremos o mar. Estamos muito alegres com isto.
De nada mais nos lembramos, e queremos encerrar na esperança de podermos continuar com esta interessante correspondência.
Muitas lembranças cordiais e sinceras, também ao tradutor.
(Fonte: Walter Wermelinger)
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